Era nas noites ventosas de Junho em Cascais, há tantos anos!
Eu tinha frio (fingia que o sentia?) e os teus braços
envolviam-me num abraço doce e quente. Andávamos pelas ruas quase desertas e
mal iluminadas, acertando o passo um pelo outro, como se estivéssemos a treinar-nos para a longa caminhada da nossa
vida.
Por vezes, um candeeiro apagava. Lembras-te? Era quando nos
beijávamos. Parecia que os candeeiros nos queriam esconder de olhos estranhos.
Havia muito vento. O meu cabelo longo, batia nos nossos rostos unidos, fazendo
de cortina. Ninguém via? Nessa altura não nos preocupávamos com isso.
Sentíamos-nos os únicos à face da
terra. O mar, as estrelas, a praia, o mundo, eram só nossos.
As horas passavam. Chegava ao fim o sonho. Tínhamos de nos
separar. Levavas-me a casa. Não, não havia beijos à despedida. A minha tia
espreitava entre as cortinas. Uma carícia nos cabelos, uma troca de olhares,
duas mãos que levavam tempo a soltar-se e... Até amanhã, meu Amor.
Lembras-te ainda?
Até um dia destes.
Maria
