
Vou hoje falar de racismo, coisa que, tinha jurado não fazer. Não gosto de temas polémicos e, muito menos de polémicas. Mas às vezes, a revolta obriga-nos a fazer coisas que não queremos.
Ontem, uma das nossas preclaras estações de televisão, pôs no ar, um programa que, à partida, pensei ser educativo, isto é, viesse trazer alguma informação útil, para um tema delicado e, mal esclarecido. A desilusão foi total. Tirando dois casos, contados na integra, o resto, como de costume, foi... nada. Perguntas estúpidas, respostas estúpidas, exemplos claros de como não esclarecer um problema.
Não sou, nunca fui racista. Quando era miúda, ensinaram-me uma coisa que, não sei se era oração ou simples poesia. É curta, mas diz muito:
Minha mãe, quem é aquele, pregado naquela cruz?
Aquele, filho, é Jesus, é a Santa Imagem dele.
E quem é Jesus?
É Deus e, é Ele que nos cria
Quem nos dá a luz do dia
E fez a terra e os céus.
E morreu?
Para mostrar, que todos somos irmãos
E devemos dar as mãos
Uns aos outros, irmãmente.
O que quero dizer com isto, é que esse Jesus disse, “dar as mãos” e, não “dar com as mãos”.
Depois de muito disparate, mostraram um caso concreto: Uma jovem mãe, negra,
foi a um parque infantil com o filho de 3 anos. Só havia um baloiço. A criança apoderou-se dele, brincando alegremente até aparecer um homem, branco, com o seu filho. Este, queria o baloiço. O outro, não estava disposto a largá-lo. O paizinho, terno, vendo o filho com uma valente birra, arrancou, literalmente, a outra criança do baloiço, com tanta delicadeza que, ele caiu e, feriu um lábio. A mãe, resolveu ir à esquadra mais próxima, apresentar queixa. Foi aconselhada “delicadamente”, a não o fazer. Teimou. Entretanto, a avó do menino, pregou um par de estalos no homem. (Abençoadas mãos). Aí, foi ele que, quis apresentar queixa. Aceitaram a queixa dele e, a da mãe. Tudo certo? Tudo errado. O julgamento da avó, já foi feito e, ela foi condenada a pagar 600 Euros. O julgamento do homem, ainda não se realizou. Racismo? Não. Apenas esquecimento.
Mas não nos iludamos. O racismo existe em todas as raças e, até entre pessoas da mesma raça. Aqui há anos, uma conhecida minha, filha de negro e de branca, estando na minha casa, teve a saída mais parva que, já ouvi. Eu tinha chegado à janela e, vi que chovia. Vinha uma mãe, com um bebé muito pequenino ao colo, ambos a apanhar chuva. Comentei: Coitadinho do bebé, vai à chuva. Ela, chegou-se à janela, olhou e, com o ar mais desprezível do mundo, respondeu-me: “Ora! É só um pretito, tem pele de sapo”. O respeito que eu devia à pessoa que, com ela estava, não me deixou dizer o que queria. Mas a partir desse dia, passei a olhá-la com o mesmo desprezo, com que ela olhara a criança.
Tenho vizinhos negros. Trato-os da mesma forma que os outros, como eles me tratam a mim.
Raças diferentes? Seria estupidez negar uma coisa evidente. Culturas diferentes? É claro. Mas não serão culturas diferentes as dos países da Europa?
Agora, o que eu não tenho dúvidas, é que tirando a cor da pele, o resto é igual. Órgãos, sangue, doenças, dores, sentimentos, até as lágrimas, como disse Gedeão.
Deixemo-nos de prégar contra o racismo, passemos às obras. Demos as mãos.
Que linda seria uma cadeia de mãos, de todas as cores, unidas no mesmo desejo de Paz.
Até um dia destes.