domingo, 30 de novembro de 2008

Anne Frank e Hélène Berr


Nasci pouco antes do fim da Guerra. Aquela Guerra, feita para acabar com todas as Guerras e, que afinal, só as fomentou. Por qualquer razão, sempre me despertou a curiosidade, sempre quis, de uma certa forma, tentar “vivê-la”, através de livros, filmes, até de conversas com pessoas que dela soubessem alguma coisa. Durante anos, lidei com gente de diversas nacionalidades que, a tinha vivido. Quando o Campismo, elegeu o nosso País, “O país por excelência” para acampar, tínhamos uma quinta no Norte.
Começaram a aparecer turistas, de caravana ou tenda, primeiro muitos franceses, ainda marcados pela guerra, depois outros, entre os quais um casal Checo, que veio vários anos seguidos. Ambos de origem judaica, ambos marcados no corpo e no espírito, por todos os horrores vividos. Foi ela, que depois de longas conversas, me apresentou “Anne Frank”. Eu tinha 13 anos, como Anne quando “mergulhou”. Devorei o “Diário”, reli-o muitas vezes. Era-me fácil imaginar, o que teria sido a vida daquela menina como eu, com os mesmos sonhos, as mesmas dificuldades de crescer, uma grande imaginação. Não conseguia, era imaginar, o que seria viver fechada, sem poder falar, cantar, correr, tudo aquilo que eu fazia tão naturalmente. O livro, a história, de Anne Frank, tem-me acompanhado sempre. É sempre com o mesmo espírito, com que o li aos 13 anos, que volto a lê-lo.
Há dias, vi na montra de uma livraria, um livrinho, que tinha uma faixa a dizer: “Hélène Berr, a Anne Frank, francesa”. Como já disse, várias vezes, detesto estes rótulos. Mesmo assim, comprei o livro. E, claro, não é Anne Frank francesa. É Hélène Berr, uma judia francesa, mais velha do que a outra, mais madura, com uma vivência da guerra, quase totalmente diferente. Tinha 22 anos, quando começou o “Diário”, nunca viveu em nenhum anexo, escreveu-o propositadamente, para ser lido. É um testemunho muito fiel, do que foi a vida de uma mulher jovem, consciente do que poderia acontecer a ela e, a todos os outros, na mesma condição. Uma jovem que, se revolta, por ter de usar, pregada à roupa, a asquerosa estrela amarela, imposta a todos os judeus, da França ocupada e, que mesmo assim, consegue estudar, sair com amigos, ajudar crianças separadas dos pais e, internadas em instituições, que se vê separada do rapaz que amava, que vê os amigos a pouco e pouco, serem presos e deportados, que espera, consciente a sua vez, de o ser, também. E o dia chega. Primeiro, Drancy, nos arredores de Paris, depois Auschwitz, por fim, Bergen-Belsen. Os pais morrem em Auschwitz, ela sobevive mais um ano depois, morre em Bergen-Belsen.
Coincidências entre as duas histórias? Existem, sim. Ambas começaram os respectivos “Diários”, quase ao mesmo tempo, morreram, com poucas semanas de diferença, de tifo, em Bergen-Belsen, pouco tempo antes da libertação do campo. Quem sabe, talvez se tivessem cruzado. Quem sabe, não terão até, trocado algumas palavras. Mas, as coincidências, terminam aqui.
São dois testemunhos diferentes, duas histórias diferentes, de duas jovens diferentes.
Ambos horríveis, na sua verdade, ambos impressionantes de sinceridade.
Mas nem Anne é a Hélène, holandesa, nem Hélène é a Anne, francesa.
Leiam os livros. Ambos valem a pena. Neste mundo, onde hoje vivemos, em que a vida de um ser humano nada vale, em que morrem de novo, velhos, mulheres, crianças, gente inocente que, todos os dias, sofre na carne e na alma, a dor da perda, de familiares e haveres, é indispensável saber, que outros, já passaram pelo mesmo. Quantas Annes e Hélènes, estarão, neste momento a sofrer, o que estas duas sofreram, naquela que afinal, não foi “A guerra para acabar com todas as guerras”?
Até um dia destes.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Claustro do Mosteiro de Santa Clara


Este Mosteiro fica em Vila do Conde. É muito bonito.
A foto é muito antiga, foi tirada em 1959.
Como podem ver, (mal) o Claustro tem ao centro uma fonte. Na altura, não tinha água enquinada, porque não tinha água. No entanto, quatro jovens noviças, cheias de fé, resolveram tomar banho, lá dentro. Quatro não. Uma delas, menos crente ou, mais exibicionista, resolveu ficar em cima do muro.
Perdoai-lhes amigos, pois só tinham quinze aninhos.
Hoje, devem todas ser Madres e avós. Nessa altura, eram apenas, quatro “mocinhas inconscientes” que de tudo se serviam para brincar.
Oh Bicho, vê se lá vais e, tiras uma fotografia decente, pois a fonte é linda.
Juro que, as “irmãzinhas”, não vão lá estar, a estragar a beleza da fonte.
Até um dia destes.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Miguel voltou

E tudo acabou bem, felizmente.
Falando por mim, mãe e avó, confesso que, me senti aliviada e grata, por tudo ter acabado bem.
Bem vindo, à tua casa, aos braços dos teus pais e irmão e, aos corações que, estes dias, sofreram por ti e, pela tua família.
Teresa, o seu rosto hoje, demonstrava bem, a alegria e o alívio, por ter o seu menino de volta. Sinto-me feliz, por si.
Senhor Vasco Ferreira: obrigada por mais uma vez, ter mostrado que, os portugueses, continuam a ser solidários e, se preocupam com os outros.
Tudo o que é mau, acaba sempre, por nós ensinar alguma coisa. Talvez, agora, quando alguém desaparecer, o que aconteceu com o Miguel, faça as pessoas pensar que: ”A união, faz a força”. Não vale a pena, lamentar, dizer frases bonitas. É preciso é agir. Aquilo que, às vezes parece inútil, não é. Mais uma vez se provou que, televisão, jornais, simples e-mails, Blogues, notícias, passadas boca a boca, podem ajudar a resolver um problema grave.
Agora, deixemos o Miguel viver a sua vida e resolver os seus problemas. O nosso papel, termina aqui. Felicidades, Miguel.
Até um dia destes.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Encontrem o Miguel


Miguel:

Estejas onde estiveres, dá notícias. Seja o que for que, se tenha passado, comunica com a tua Mãe. Nada se pode comparar à angústia que ela sente.
Volta, ou pelo menos, diz alguma coisa.

Procurem em cada rosto, o Miguel. Pensem nos vossos filhos e netos e, no horror que, a família dele deve estar a passar. Ele pode estar em qualquer lado e, pode precisar de ajuda. Apesar dos dezanove anos, ainda é um menino, um menino com mãe que, neste momento, deve estar desfeita.
Para ela, toda a minha solidariedade de mãe e, uma palavra de esperança: o Miguel vai aparecer. Somos muitos a procurá-lo e a torcer, para que tudo acabe bem e, em breve, o Miguel volte para onde deve estar: os braços ansiosos para o abraçar, da mãe, do irmão e dos outros familiares.
Volta, Miguel, por favor.
Até logo. Hoje, só vou pensar no Miguel.
PS - Se clicar no título desta mensagem irá encontrar o apelo da família.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

São Francisco de Assis




Durante os dias em que a Java esteve desaparecida, lembrei-me muito de São Francisco de Assis. Ele é, dizem, o protector dos animais.
São Francisco, nasceu em Assis, na Umbria, entre 1181 e 1182. A família era rica. Os seus primeiros anos, foram vividos no meio do luxo e da riqueza.
Um dia adoeceu e, quando se curou, Francisco havia mudado. Converteu-se, abdicou de toda a riqueza terrena e, começou uma vida errante, pregando o Evangelho de Cristo, em palavras simples, acessíveis a todos. Chamava Irmão, a qualquer criatura. Para ele, animais, sol, lua, água, todos eram irmãos. Falava com as pombas, tem uns versos lindos, a elas dedicados.
Fundou a Ordem dos Franciscanos, dedicada aos pobres, aos enfermos e, que vivia com o mínimo possível. Santo António, era Franciscano e, também fazia sermões aos animais, por exemplo aos peixes.
Estive em Assis. Além de ser uma cidade bonita, paira no ar, uma mística, muito especial. A Igreja tem três andares e é linda. No andar de baixo, repousa o Santo.
Mas, há sempre um mas em tudo. Houve três coisas de que não gostei.
A primeira, foi a existência de uns microfones que, a todo o momento diziam ser proibido falar. Ora, quem estava a fazer barulho, eram eles e os vendedores de recordações, dentro da própria igreja, mais ninguém. Segundo, não se podiam tirar fotografias dentro da Igreja. Eu sei que, já é hábito isso acontecer com os flash, estraga as imagens, mas sem as luzinhas, não entendo. A terceira, peço que não pensem que estou a brincar com os sentimentos religiosos de ninguém, mas foi um letreiro enorme, fora do Templo, a proibir expressamente, a entrada a animais. Vou explicar: é evidente que, não concordo que se fizessem romagens à Igreja, de numerosos grupos de animais. Mas, se um cão, um gato, um pássaro ou, uma das pombas que ele tanto amou, entrarem por acaso, o que lhes vão fazer? Matam-nos? Eu acho, que o Irmão de toda a Humanidade, não ia gostar.
Comprei em Assis, fora da igreja, duas pequenas imagens. Uma de São Francisco, com um cão ao pé, outra, de Santa Clara. Gosto muito deste Santo. Ele, como eu, amava os animais. Para ele, eram criaturas de Deus, como nós.
Até um dia destes.

sábado, 22 de novembro de 2008

Java de volta


Para tudo é preciso ter sorte, até para ser cão.
A história da Java, é a prova viva, desta velha frase.
Os meus filhos, grandes amigos de cães, já tinham em casa, três cadelas; Duna, Tuca e Vega. Um dia em Setúbal, numa das muitas feiras de animais que, felizmente se vão fazendo, na tentativa de evitar abater animais abandonados, encontraram uma cadelinha, magra, com ar de ter sido atirada à rua, como muitas outras, porque deixam de ser pequeninas, engraçadinhas e, os donos descobrem que, dão trabalho, roem coisas, precisam licenças e vacinas e, além de tudo, estragam as férias.
Os olhos meigos e tristes da cadelinha, comoveram-nos e, passaram a ter quatro, em vez de três. A bicha, parecia perceber, que eles a tinham salvo da morte certa. Dócil, com nenhuma das outras, humilde, terna. Quando olhava a dona, os olhos escorriam mel, de tanto amor. Chamem-me louca, não me importo. Os animais amam e, melhor que nós. Só pedem em troca, comida, carinho e água.
Mas voltemos à Java. Foi engordando, foi vacinada, foi tratada. Há dias, ficou na veterinária para ser operada. Telefonaram a saber dela, tudo tinha corrido bem e à noite, iria para casa. Quando a foram buscar, foi-lhes dito que, a cadela tinha ido à rua fazer as suas necessidades e, teria fugido. Isto passou-se terça-feira passada. Todos estes dias, os donos a procuraram, dia e noite, puseram anúncios, pediram ajuda e, nada. Vários telefonemas, mas nunca era a Java. Eu já temia pela vida da bichinha e, pela saúde dos donos. Hoje de manhã, recebi um telefonema do meu filho, com lágrimas na voz. “Mãe, a Javinha apareceu!” Eu confesso, tremi. Queria saber como, mas não conseguia perguntar. Só consegui dizer “Como?” “Está bem, Mãe. Um senhor, ontem viu-a com fome, deu-lhe de comer, abrigou-a e, hoje viu o anúncio e ligou-nos. Ela está bem, só assustada.” As lágrimas já me caíam pela cara, não conseguia falar. Eles foram com ela à “competentissima” veterinária que, além de “magnanimamente”, só lhes cobrar a operação, ainda tentou dar-lhes conselhos acerca da coleira. Santa alma! Deixa fugir um animal recém operado, cobra a operação e, fica de consciência tranquila.
O Senhor que a achou, pobre, inválido, salvou-a sem interesse. Ainda há bondade.
A Java, pela segunda vez, foi salva. Está em casa, quente, alimentada, acarinhada. Os meus meninos, vão descansar, enfim. Eu vou agradecer, toda a vida, aquele Senhor, que a recolheu.
Esta história é dedicada, primeiro ao meu neto, um dos donos da Java. Segundo à minha neta, que gosta muito dela. Terceiro ao meu amiguinho Martim, filho da Carla e ao Miguel, filho do Bicho. Por fim, para todos os meninos e, pessoas com alma de meninos: aqueles que, sabem amar um animal.
Por favor! Quando virem um cãozinho, um gatinho pequenino, lembrem-se de que não é um peluche, que nas férias se deixa em casa. Pensem bem, antes de o levar para casa. Nem todos têm a sorte da Java. Às vezes morrem.
Até um dia destes.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Santa Maria do Olival




A História da bela Igreja, parece ter começado em meados do século VII.
São Frutuoso, bispo de Braga, terá mandado edificar dois conventos beneditinos, um para homens, outro para mulheres. A Igreja seria comum.
Com a passagem dos mouros, só parte da Igreja terá resistido.
Quando Gualdim Pais resolveu fazer ali, a primeira Igreja Templária, terá aproveitado o que restava da Igreja, para construir a nova. Isto, passou-se já na segunda metade do século XIII.
A Igreja divide-se em três naves. Passada a bela porta, descem-se 8 degraus que, nos levam à Igreja. Por cima da porta, existe, uma bela rosácea que, juntamente com as frestas das capelas laterais e os vitrais rasgados em ogiva, do Altar Mor, iluminam toda a igreja, de uma luz doce, calma, que deixa ver, sem lâmpadas artificiais, toda a grandeza e maravilha que é. No Altar Mor, uma imagem linda e rara, da Senhora do Leite. Não é uma estátua, é uma mulher jovem, com o seu bebé nos braços, que lhe dá o seu leite e o seu amor. A forma, como o segura, a ternura da mão da Mãe, segurando o pésinho do filho, são tão humanas, que emocionam.
Outra imagem, também pouco vulgar, é a que está na terceira capela. Representa: Santa Ana, Mãe de Nossa Senhora, Nossa Senhora, quase menina e, Jesus pequenino ao colo da sua Mãe. Sou capaz de ficar a olhar para Eles, horas.
Mas vamos ao resto.
A Igreja foi Bailia, isto é, Igreja principal. Teve casa do capítulo, enquanto o Convento não se acabava. Foi sepulcro de vários mestres, incluindo Gualdim Pais.
D. João III, resolveu fazer obras na Igreja, destruiu túmulos, guardando apenas, algumas lápides, entre elas, a de Dom Gualdim. Depois das descobertas, todas as Igrejas feitas no Ultramar, eram dependentes de Santa Maria, sua Bailia. Mais tarde, cerca de 1525, Dom Diogo Pinheiro, Bispo do Funchal, onde por sinal nunca pôs os pés, ficou sepultado no único túmulo visível, existente na Igreja.
Vindo para fora, vê-se a torre sineira, separada da Igreja. Já agora, torre sineira ou vigia? Talvez as duas coisas. No lado Sul, sobre as capelas laterais, existe uma varanda coberta que, segundo me foi dito, servia de abrigo aos Romeiros de Santiago. Está feita de forma que, nem vento agreste, nem sol a mais, lá entram.
É tudo o que de momento sei de Santa Maria. Prometi fotografias, vou cumprir.
Perdoem, a fraqueza de conhecimentos. Dei-vos o que sei. Não seria capaz de entrar em questões, mais ou menos imaginárias, que tantos livros têm vendido.
A minha Igreja, é esta. Não me peçam mais.
Até um dia destes.