segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 7



Há uma ideia generalizada que, cães e gatos, se dão sempre mal. Quase sempre é verdade, mas há excepções. A história de hoje é a prova, de que nem sempre é assim.
O meu pai, levou-me um dia, um rafeirinho bebé, que ainda só bebia leite.
Era preto, com uma mancha branca no pescoço, que parecia uma gravata.
Improvisei um biberon e, dava-lho, como se estivesse a alimentar um bebé humano. Tive que lhe dar um nome. Ora, havia uma história de que eu gostava muito: “Pinóquio”, um menino de madeira, a quem crescia o nariz, quando mentia. Foi o nome que escolhi. O Pinóquio já teria uns três meses, quando um dia, apareceu no quintal, um gatinho cheio de fome e frio. Dei-lhe de comer, aqueci-o e, adoptei-o. Também tive de lhe dar um nome. Quem sabe a história do Pinóquio de madeira, sabe que ele tinha um amigo, um grilo, que lhe dizia ao ouvido as coisas marotas que ele não devia fazer.
Então o gato, ficou a chamar-se Grilo.
Cresceram juntos, comiam juntos, dormiam juntos, brincavam juntos. Na verdade, quando se tratava de comer, o gato comia primeiro e, só depois, deixava o cão chegar-se ao prato. Dormia deitado nas patas do cão, aconchegado à barriga dele. Durante o dia todo, não se largavam, sempre a brincar, um com o outro.
O Pinóquio, era muito manso. Ao contrário do Tejo, eu podia tirar-lhe a comida da boca, que ele nem refilava. Quando o meu filho mais velho nasceu, deitava-se no chão ao pé da cama dele e, só deixava chegar-se quem conhecia. A única vez que o vi zangado, foi na noite do nascimento dele. Ele nasceu em casa e, foi lá uma senhora ajudar. Eu tinha dores, chorava, dei uns gritos e, o Pinóquio convencido, que era a senhora que me estava a fazer mal, atirou-se ao rabiosque dela e, se eu não o chamo, tinha-lhe dado uma dentada. Depois acalmou.
Ele e o meu sobrinho eram grandes amigos. Um dia, fomos dar com os dois sentados na escada do quintal. O meu sobrinho tinha 6 anos e já sabia ler. Então, pegou no livro da escola e, resolveu ensinar o Pinóquio a ler, também. Ficou desiludido. Por mais que tentasse, o Pinóquio não aprendia nem uma letra. Só sabia um ditongo: “ão”.
Era pouco, para o pequeno professor.
O Pinóquio, morreu já velhinho e o Grilo foi embora. Sem o seu amigo, fugiu em busca de outra vida mais livre.
E pronto, meus amigos acabou mais uma história. Às vezes, os animais ensinam as pessoas. Aqueles que são considerados inimigos de nascença, tornam-se amigos e, aprendem a viver juntos e em paz. Era bom, que com os homens, isso fosse possível. Talvez... um dia. Quem sabe?
Beijinhos e até amanhã.

P.S. Hoje a história é especialmente dedicada ao meu querido amiguinho Martim.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 6


Pois foi. Um dia houve um Tejo no Porto. É claro, que não era o Rio. Todos sabemos que, o rio do Porto de chama Douro e, é lindo.
Este Tejo, era um cão, um belo “Serra da Estrela” de pêlo curto, castanho dourado, com algumas manchitas brancas na barriga. Quando o deram ao meu pai, era bebé, gostava de colinho, de festas, de brincar. Parecia maluco a correr pelo quintal, parava de repente, punha-se a desafiar as pessoas e, depois desatava de novo a correr, até estar com a língua de fora. Comia que se fartava, quando bebia água fazia um grande estardalhaço, molhando tudo o que estava à volta.
Claro que, eu já não lhe conseguia pegar ao colo, mas ele punha as patorras nos meus ombros, encostava o focinho à minha cara e dava lambidelas.
Cresceu muito, mas continuava maluco de todo. Só o meu pai e eu, não tínhamos medo dele. Não era mau, mas as vizinhas tinham medo dele, por causa das corridas e saltos, que dava. O meu pai, mandou-lhe fazer um belo canil, com um parque vedado com rede alta. Mesmo assim, o Tejo tinha artes de subir para cima da casota, pular a rede e, lá começavam as maluquices e, lá vinham as vizinhas mandar vir e, lá tinha a Maria ou, o pai, de o meter outra vez na casota.
Uma noite, o meu pai, quis mostrá-lo a um amigo. Fomos ao quintal, abri-lhe a porta, ele saiu, mas não levantava a cabeça. Estava escuro e eu não reparei, que ele estava a roer um osso. Toquei-lhe na cabeça e, ele atirou-se a mim, mordeu-me os braços e os ombros. O meu pai, agarrou-o pela coleira, puxou-o e, só aí, ele viu quem é que tinha mordido. Furioso, o meu pai, bateu-lhe. Ele gania e, eu cheia de dores, só pedia ao meu pai, para não lhe bater. Por fim, lá ficou na casa dele, ganindo baixinho. Eu fui-me deitar, já com as feridas tratadas. De manhã, fui-lhe dar de comer, como todos os dias.
O meu pai, não queria, mas eu sabia que, ele não vira quem tinha mordido.
Quando abri a porta do canil, ele veio ter comigo, com a barriga pelo chão e, uns olhos onde havia um pedido de desculpas. Gania, tentava lamber-me as mãos que na véspera tinha mordido. Sabem? Ele não teve culpa. Nenhum, ou quase nenhum cão, gosta que lhe toquem, quando está a comer.
Continuámos amigos e, nunca mais mordeu ninguém.
O meu Tejo, não era mau e, gostava de mim e eu dele.
Foi mais um amigo que me deu alegria, companhia, amor. Só me fez chorar duas vezes: Quando se roçou no chão, a pedir desculpa e, no dia, em que o perdi.
Também, quem é que se lembra, de chamar Tejo, a um cão nascido no Porto? É claro que, o cão ficou traumatizado! :)
Beijinhos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 5


Quando um dia cheguei à quinta, no princípio de Agosto, fui à vacaria e vi que, uma das vacas estava gorda, muito gorda. Fui ter com o senhor que tomava conta das vacas e, perguntei: “Senhor Zé, porque é que aquela vaca está tão gorda?” Ele riu-se e, respondeu: “A vaca está gorda, porque vai ter uma vitelinha, não tarda”. Então pedi-lhe, que me dissesse, quando a vitelinha nascesse. Passado dois ou três dias, o senhor, veio-me chamar, porque a bichinha estava a nascer. Eu e os meus irmãos, fomos logo a correr.
Quando chegámos, a vaca, lambia a cria toda e esta, deitadinha, parecia muito feliz com os mimos da mãe. Passado um bocado, a vaca, começou a dar marradinhas na barriga da pequenina e ela, tentou levantar-se. Caiu, levantou-se, tremia em cima das patas fininhas, voltava a cair e, lá ia a mãe vaca ajudar. Ao fim de uma hora, já se equilibrava. Ao fim de duas, já dava uns passitos trôpegos. A mãe, não a largava, sempre atenta. Por fim, a vitelinha chegou-se às grandes maminhas da vaca, meteu a boca e, começou a mamar. Quando acabou, deitou-se, a mãe, deitou-se encostada a ela e, adormeceram. Ainda ficámos um bocado a olhá-las, discutindo o nome da bebé. Chamámos-lhe Malhadinha, nome pouco original. Íamos vê-la todos os dias. Só queria saber contar, como era lindo, vê-la mamar, dormir, encostar-se à mãe, para ela a lamber! Foi crescendo, crescendo e, no ano seguinte, era já uma bela vaquinha. Esta é a história da vitela Malhadinha, que há muitos anos, a Maria conheceu.
Espero que tenham gostado. Amanhã, virá outro bicho.
Beijinhos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 4


Na casa do Porto, já havia quintal. A desculpa da minha mãe, deixou de valer.
Um dia, o meu pai apareceu, com uma bolinha preta e branca, que lhe cabia no bolso. Só se viam as orelhas e os olhos. Uns olhinhos, espertos e meigos.
A Maria, tinha por fim, um cão, que por acaso, era uma cadela.
E agora, tenho de contar, uma coisa um bocadinho triste. O meu pai gostava de ir à caça. Avisou logo que, não queria que eu amimasse muito a cadela, para depois a treinar. Calei-me muito caladinha e, sempre que podia, lá andava eu, com a cadela ao colo. Ela cresceu e, um belo dia, fomos de férias. No dia seguinte, o meu pai, arranjou as armas, o lanche e, participou que, ia levar a Fly, para se habituar. Ora aí, toda a gente ficou pasmada, porque a Maria, pediu para ir também. O meu pai, um bocado espantado, lá disse que sim. Lá fomos os três, de manhãzinha, pelos pinhais fora. Ele de vez em quando, dizia: pouco barulho. E nós, caladinhas. Nisto, apareceu um coelho grande, com enormes orelhas. O meu pai fez pontaria e, eu tive um grande ataque de tosse, a Fly desatou a ladrar e, o coelho fugiu. O senhor caçador, ficou furioso, mas não ralhou. Segundo coelho, segundo ataque de tosse, a Fly a ladrar e, novo coelho salvo. Claro que o meu pai, percebeu e, não gostou. No outro dia, foi só com a Fly, julgava ele. É que a Maria, ia atrás escondida e, cada vez que, ele dizia: Busca, Fly, busca, a Maria, assobiava baixinho e, a Fly fugia e, vinha ter com ela. Resultado: Nem a cadela foi à caça, nem a Maria, viu matar os bichinhos.
Esta morreu novinha. Antigamente, não havia vacinas para os cães. Algumas, nem sequer para os meninos. A Fly, apanhou uma doença, chamada “tosse do canil”. Assim como não havia vacinas, também não havia cura. Hoje, quase todos os cães e gatos, são vacinados, desparasitados, tratados, quando estão doentes. Naquele tempo, não era assim. Por isso, fiquei sem a minha querida amiga. Morreu, deitada nos meus joelhos, a olhar para mim, mas nem estava triste. Morreu feliz, ao pé da dona, vendo-a e ouvindo as palavras meigas, que lhe dizia. Chorei, nesse dia, chorei muitos dias, já passaram muitos anos e, ainda tenho saudades dela. Mas foi bom enquanto durou. Para mim e para ela.
Até amanhã, talvez. Ainda não sei com quem.
Durmam bem. Beijinhos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 3


Este, nasceu em Tomar. Como já disse, a minha casa só tinha varanda, portanto, o Nerhu, vivia em casa, tinha um caixote com areia na varanda e, levava os dias, à procura do sol, nas janelas de casa. Não era muito manso, mas era esperto. Tinha a mania, de dormir comigo. Eu não me importava, mas a minha mãe não queria. Começou a fechá-lo na cozinha. No outro dia, lá estava ele na minha cama. Isto aconteceu, muitas vezes. A minha mãe, dizia que, era eu que o ia buscar. Eu disse que não, jurei, chorei. Ninguém acreditava. Até que, eu me lembrei, que a brincar, punha muitas vezes, a pata dele, em cima do fecho da porta, carregava e, a porta abria. Ele aprendeu. Então, todas as noites, trepava para a mesa da cozinha, punha a pata no fecho, carregava, a porta abria e, lá ia ele ter comigo. Claro que, a partir daí, a porta ficava fechada à chave, para grande desgosto do gato e da Maria.
Ora, quando fomos para o Porto, a casa tinha quintal. Ele descobriu a rua e, começou a dar os seus passeios. Deve ter arranjado algumas namoradas, porque, quando mudámos de casa e o levámos, ele fugiu para a casa antiga.
Três vezes tentámos, três vezes fugiu. De vez em quando, ainda o víamos na rua, deixava fazer festas, mas se tentávamos agarrá-lo, fugia. Acho que ele deve ter casado e teve alguns meninos.
Voltámos a mudar de casa, para mais longe e, nunca mais o vi.
Espero que tenha sido feliz e, tenha tido meninos.
Beijinhos e até amanhã. Com quem? Logo veremos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 2


O Kiss, nasceu em Coimbra e, era um cão de casa. Um dia, os donos não puderam continuar a tê-lo e, deram-no a pessoas que sabiam que, o iriam estimar. Quando chegou, era um “cão de água”, clarinho, lindo, que só comia carninha e leite e, procurava a companhia das pessoas e o calor do fogão.
Um dia, olhou pela janela e, viu a Ria. Logo que pôde, esgueirou-se, por uma porta aberta e, foi descobrir o mundo. Tinha pinhais, caminhos, a Ria, as regueiras e, se calhar, alguma cadela jeitosa, por quem se apaixonou.
Andou tudo doido, à procura dele. Já era noite, chegou ele, todo sujo, com um rato na boca e, um ar muito feliz. A cauda dele, parecia um moinho de vento. Deram-lhe banho, trataram alguns arranhões, feitos nas silvas e, ele foi deitar-se ao pé do fogão. O pior, é que o Kiss, provou o sabor da liberdade, respirou o ar dos pinhais, tomou banho na Ria e, gostou. No outro dia voltou à mesma vida. À noite, voltava. Às vezes chegava, com fitas verdes, penduradas. Sabem o que eram as fitas? Moliço, a alga da Ria, tão boa para adubar as terras, mas que dava um trabalhão para tirar do pêlo do Kiss. Gostava de crianças e, nós gostávamos dele. Era muito brincalhão. Se atirassem um pau à água, ele ia buscá-lo. Corria e brincava connosco. Só tinha um defeito: comia ratos. Eu, nessas alturas zangava-me com ele.
Já foi há tantos anos! O Kiss, morreu velhinho, mas foi um cão feliz. Sempre fez o que quis.
Podem ver na foto, como ele era bonito, mesmo quando andava sujo.
Até amanhã, com... Não digo. Amanhã saberão.
Beijinhos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria













O primeiro bicho, não é cão nem gato.
Era a Maria pequenina que, já gostava de bichos.
Hoje voltou, para contar as histórias dos seus amigos.

Há dias, prometi a um dos meus amigos mais novos, que no mês do Natal, contaria “Histórias de Bichos”. Como gosto de cumprir o que prometo, vou fazê-lo. Serão histórias verdadeiras, sempre que possível com fotografias verdadeiras, do herói do dia. Vão aparecer, cães, gatos e outros animais.
A todos conheci, melhor ou pior.
Quando aparecer, o título que está em cima, já sabem que é para vocês.
Hoje, só vou explicar o porquê, desta ideia. A Maria, que hoje é uma cota com netos, já foi pequena e, tinha uma Avó que, contava histórias que, a Maria menina, adorava. Essas histórias hoje, já não têm nada a ver com vocês. Por isso, me lembrei dos nossos amigos, os senhores bichos. Todos vocês gostam deles e, eu também.
Eles, sempre fizeram parte da minha vida. Quando vivia em Tomar, só tive gatos. As casa não tinham quintal e, a minha mãe não gostava muito de cães. Só nas férias, via cães e outros animais e, brincava com eles.
O herói de amanhã será um cão, muito especial. Depois... Não vou dizer.
Assim, será surpresa.
Até amanhã. Durmam bem. As férias estão a chegar.
Beijinhos.