quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 12


Ora hoje vem o Tomé. Pequeno sultão porquê? Porque é, até agora, o único macho no meio de quatro cadelas. O Tomé é a última (?) aquisição da matilha do meu neto. É um Spitz alemão, filho de uma cadelinha chamada Maria e de um canito chamado Gaspar, parecido com a mãe, ainda muito novinho, alegre, brincalhão como qualquer cachorrinho. Entrou numa família só de cadelinhas e deu-se bem. Respeita a Duna como sua mãe, brinca com a Java, é bem tolerado pela condescendente Tuca e esperemos que Fräulein Vega, atendendo ao facto de ambos serem de raça e terem a origem alemã, seja tolerante com ele.
É um animal esperto, vivo e bonito.
Brinca muito com a Java, “ajuda-a” a tirar os cobertores das casotas, (acho que é para arejarem), mete-se com as outras quando têm paciência para o aturar. Gosta de bolachas e há tempos apanhou um rato e foi mostrar aos donos, para provar que não era só a Tuca que sabia caçar.
Ainda é muito pequenino para ter grandes histórias, mas é um espertalhão.
Acho que um dia ainda vai dar que falar.
Hoje é o último dia deste grupo. Amanhã começará outro mais variado. Depois verão.
Até amanhã com... Só digo que não é cão.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 11


Hoje vou falar de novo na Java. Já é conhecida por maus e bons motivos, primeiro desapareceu, depois quando já desesperávamos de a voltar a ver, apareceu, magoada e assustada, mas voltou.
A vida dela tem muita semelhança com a de algumas pessoas. Tem tido dias maus, dias bons, mas ao contrário de muita gente, não se tornou revoltada nem agressiva, pelo contrário parece cada vez mais grata a tudo o que de bom lhe é dado.
Foi adoptada em Setúbal, onde uma Associação de protecção a animais, a “Patas Amigas” tentava arranjar donos para cães, que de outra forma seriam provavelmente abatidos. Era difícil olhar os olhos dela e resistir. Foi juntar-se às três, de que falei antes. Tem uma doença na tiróide, uma glândula que nós também temos e que quando não trabalha bem, tem de ser tratada diariamente. Conto isto para vocês saberem que os animais têm doenças como nós e precisam de tratamento. Quero com este reparo alertar-vos para o facto de que ter um animal em casa, não é só dar-lhe de comer. Precisam de vacinas e tratamento continuado, quando estão doentes.
A Java tem isso tudo, mais o amor dos donos. Quando ela desapareceu, eles não só a procuraram dia e noite, como puseram anúncios nas lojas, nos postes das ruas, na rádio. Um senhor viu-a, Alimentou-a e reconhecendo-a num anúncio, apressou-se a contactar os donos e entregá-la. Tudo acabou bem para ela de novo. Está já boa, continua o tratamento e cada vez está mais meiga e amiga dos donos. A Java tem uma história bonita como ela.
Apenas um ponto foi feio: a falta de cuidado e profissionalismo da veterinária.
Mais uma vez, a Java, eu e os donos agradecemos a todos os que se preocuparam com ela e de um modo particular ao senhor que a achou.
E pronto. Mais uma história, mais um dia.
Até amanhã com...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 10


A Vega é uma linda cadela da raça alemã “Hovawart”, o que, ao que me disse o dono, quer dizer: cão de quinta, ou seja, cão de guarda. Parece ser das raças mais próximas dos lobos.
Quando foi para a casa onde mora, já lá estavam a Duna e a Tuca. Era ainda pequenina e dava-se bem com as outras. Quando cresceu, tudo mudou. É meiga com os donos, mas como é muito ciumenta, começou a agredir as outras. Vive separada delas, porque é muito maior e elas não se podem defender. Com as pessoas até é meiga. Alguns cães de raça e até rafeiros são por natureza mais agressivos do que outros.
Vive numa boa casa, com espaço para passear e correr, mas um dia achou que uma bela cadela de raça não devia viver paredes meias com rafeiras. Então, resolveu fugir. Não foi muito longe. Encontrou uma casa maior do que a outra, sem rafeiros à vista e entrou. Durou-lhe pouco a mania das grandezas, pois o dono foi buscá-la de volta a casa. Acho que, apesar das rafeiras, ela se sentiu bem, por voltar ao seu cantinho e aos donos.
Coisas de estrelas, é o que é. Hoje, além da Duna e da Tuca, tem mais dois companheiros, a Java, já vossa conhecida e o Tomé. Mas isso é para outro dia. Até amanhã com...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Separar o trigo do joio

Se há coisa com que francamente embirro, é a publicidade desenfreada.
É a televisão a bombardear-nos com 20 minutos de anúncios, entre os programas, é a caixa do correio cheia até cima de papéis, é o telefone a tocar às horas mais inconvenientes, com ofertas de toda a qualidade de produtos, são as pessoas que nos abordam na rua e nas grandes superfícies, para nos tentar com propostas mais ou menos interessantes.
Tanto assim é, que mudei de telefone, pus um anúncio na caixa do correio e nego-me a responder às pessoas que me abordam.
No entanto, há excepções. Nesta altura do Natal, as Associações de Ajuda Humanitária, aproveitam para dar a conhecer as mesmas e de caminho conseguir alguma ajuda em troca de um boneco, uma casinha, postais (no caso da SADM - Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais). Aí o caso muda de figura. São pessoas, que nada ganhando dão um pouco do seu tempo, para ajudar essas Associações. A esses não respondo com a negação habitual. Posso às vezes nem dar nada, mas tenho sempre uma palavra de estímulo, de apreço pelo seu trabalho.
É só isso que vos peço. Se não puderem, não comprem. Mas não passem indiferentes, parem para ouvir por um momento, aquilo que eles vos dizem.
Eles, os voluntários dessas Associações e as próprias Associações, merecem-no. Afinal, o Natal é uma época de partilha, de amor, de Paz.
Há anos, alguém pediu-me como prenda de aniversário, que depositasse a quantia que ia gastar, numa conta de uma dessas Associações. Quem sabe se alguns daqueles a quem vocês vão dar uma lembrança, não gostariam de ver no sapatinho o comprovante de uma dessas dádivas?
Isto não é sermão, nem lição de moral. É apenas um humilde alerta, de uma pessoa igual a vós.
Até um dia destes.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 9


Esta é a segunda cadelinha dos meus filhos e neto.
A Tuca, foi encontrada na estrada que liga Lamego à linda Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Era pequenina, estava suja, ferida e com fome. O irmão da minha nora levou-a para casa e a mãe lavou-a, tratou-a, deu-lhe comida e uma casa para morar. Ela gostava daqueles donos, da vida que levava, dos passeios pela rua. Tinha uma amiga, a Chula, que morreu muito velhinha. Teve filhotes, que um belo “Collie”, chamado Fangue mesmo sem ser pai dos cachorrinhos, a ajudou a criar. Enfim, a vida corria-lhe bem e era feliz. Mas havia uma coisa estranha. Quando o meu filho e a mulher iam a Lamego, a Tuca ficava muito contente e quando eles vinham embora, ela arranjava maneira de entrar para o carro, assim como se quisesse boleia. Quando o meu neto foi baptizado, os avós de Lamego vieram a Lisboa e trouxeram a Tuca. Foi um dia lindo e bem passado, de que tenho saudades. Mas vamos à Tuca. No dia seguinte eles voltaram para Lamego, sem a Tuca. Tinham combinado, deixar a cadela escolher. Abriram a porta do carro, ela foi fazer festas aos donos, mas não entrou. Foi direitinha aos novos donos, aqueles que ela escolheu. Aqui há uma coisa muito bonita, feita por duas pessoas boas e amigas dos animais. Os pais da minha nora gostavam muito da Tuca, tanto que a deixaram escolher o sítio onde queria ser feliz.
Agora vive com a Duna e os outros, com os donos. É muito meiga, afectiva, mas gosta de ser independente. Gosta de apanhar ratos do campo e pássaros, gosta de vadiar, mas também gosta de se aninhar no colo dos donos e receber festas e mimos. É a mais pequenina de tamanho, mas é muito esperta.
Até amanhã com...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 8


A Duna é uma das rafeirinhas dos meus filhos e neto.
Está com eles há muito tempo, sendo a 1ª do grupo de cinco que hoje têm.
Ainda o meu neto não tinha nascido, trouxeram-na do Porto. Era pequenina, muito linda e meiga. Quando estava a dormir, parecia um peluche fofinho.
Às vezes, quando eles iam de férias, ela ficava comigo. Ficámos boas amigas. Ainda agora, quando me vê fica muito contente e tenta estar ao pé de mim. Além de bonita, é esperta. Desde muito pequenina, quando alguém tenta tocar nas coisas da dona, ela rosna e fica sentada ao pé a tomar conta.
Se alguém se chega perto da comida dela, faz o mesmo.
Com as outras 3 cadelas tem uma relação cordial, mas mostra sempre que é a chefe da matilha. Há pouco tempo, eles levaram para casa mais um cão. Desta vez, foi um cãozinho pequenino e de raça. Ora a mestra Duna, que nunca teve filhos, adoptou-o. Deixa-o comer do prato dela, deixa-o deitar-se próximo, mas quando ele começa a abusar das brincadeiras, mostra-lhe quem é que manda. Basta uma ligeira rosnadela e tudo entra na ordem.
Já está velhinha, um bocadinho gorda, mas continua linda.
Esqueci-me de dizer que o meu Nabão está apaixonado por ela desde a primeira vez que a viu. Ela não lhe dá confiança, mas basta alguém dizer o nome dela, para ele arrebitar as orelhas e desatar a ladrar. Depois, quando não a vê, fica triste. Ai amor, amor! Até um cão sofre, por um amor não correspondido. Duna querida: Ao menos uma vez, agora que ambos estão velhinhos, dá-lhe um pouquinho de esperança, sim?
Até amanhã com...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Carta às Mães

(clique no título para aceder ao site APCD)


Hoje não há história e o que vou escrever, não é para os pequeninos.
Está a decorrer uma campanha para angariação de fundos da “Associação Portuguesa da Criança Desaparecida”. Em troca de 5 Euros, dão-nos uma casinha e um panfleto. Parei um pouco a falar com a voluntária que estava numa superfície comercial, bastante grande e concorrida. Vi-a dirigir-se a várias pessoas e ninguém, mas ninguém, lhe deu nada, nem uma palavra.
Apenas olhares indiferentes, ou um gesto negativo de cabeça.
Será que, entre tanta gente não havia pais? Será que se havia estão convencidos que a eles nunca poderia acontecer o mesmo? Ou o egoísmo tem mais força do que eu penso?
Sou mãe e avó. Já fui filha um dia. Sei que perder os pais é uma dor horrível, já passei por ela. Mas é a lei da vida. Agora um filho não é o mesmo. Perder um filho é antinatural. Se perdê-lo por morte é uma dor imensa, não saber dele, não saber se está vivo ou morto, não saber como e onde está, deve ser a maior tortura infligida a um ser humano.
Se virem as casinhas, por favor, não fiquem indiferentes.
Lembrem-se que as coisas más não acontecem só aos outros, também nos podem bater à porta.
Até um dia destes