quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 18


Pois é verdade. Eu Nabão tenho que confessar, que pirateei o Blogue da minha dona, Maria. É que sinceramente, ando aqui à volta há uns poucos de dias à espera que ela escreva sobre mim e nada. Agora apanhei-a distraída e resolvi contar eu, a minha história.
Nasci na Areia, perto de Cascais. A minha mãe chama-se Estrelinha e o meu pai é um cão lá do sítio. Quando nasci, nasceram mais três manos, mas como nascemos em Agosto e estava muito calor, dois deles não resistiram. A dona da minha mãe levou-me para a “Feira da Boca do Inferno”, para ver se me arranjava dono.
Eu mal me aguentava nas pernas, mas acho que era muito giro.
A minha dona e o meu dono Vasco acharam-me graça, fizeram-me festinhas e eu olhei para eles com uns olhinhos redondos e meiguinhos. Quando a dona da minha mãe perguntou à minha dona se me queria, ela pegou-me ao colo e... Isto é o que ela conta, que eu não me lembro nada. Depois foi comprar leitinho para cachorrinhos, levou-me ao veterinário e eu passei a ser um cão muito cheio de mimo. Também foi giro porem-me um nome.
Calculem bem, que me queriam chamar “Chocolate”. Já viram nome mais esquisito? Lá por ser castanho, tinha de ser “Chocolate”! A minha sorte é que a minha dona detesta chocolate. Como está sempre a pensar na terra dela, que é Tomar, resolveu chamar-me “Nabão”, que é o nome do rio de lá. Eu já o vi e é lindo, como eu, aliás.
Até agora só contei o que ouvi. Agora sou eu mesmo a dizer quem sou.
Primeiro: Tenho 10 anos, tenho as vacinas em dia, sofro um bocadinho do estômago, o que é um problema, porque sou guloso, gosto de comer tudo e só me querem dar ração para não engordar, mas eu finto-os. Chego à rua e atiro-me à coisa mais nojenta que vejo e como-a. Levo uma sapatada, mas logo a seguir faço o mesmo. Em casa é pior. Vocês sabem o que são línguas de gato? Eu adoro, mas parece que me faz mal, se comer muitas.
Mas eu dou-lhes a volta. É tão fácil levar estes donos a certa, que às vezes, se eu soubesse o que é vergonha, ficava envergonhado.
Por exemplo: dou uns ganidos baixinhos, que a minha dona traduz para: “ o Nabão quer fazer chichi”, levam-me à varanda, eu faço ou finjo que faço e os donos limpam e dizem: “o Nabão é lindo”. Eu dou umas corridas, dou umas voltas e fico a olhar para a lata das línguas de gato. Lá me dão uma ou duas. Outras vezes chego ao pé deles, com uma borracha, um lápis, um lenço de papel na boca, mostro bem e se me tentam tirar as coisas, rosno com ar ameaçador. Aí, eles que são burrinhos de todo, dizem: “Nabão, toma bolinho”. Geralmente só quando vejo o bolinho é que largo o resto. Mas já me têm enganado. Fingem que vão dar e depois de terem o que querem, não dão. Azares!...
O que me vale é que vem cá a casa uma senhora, ajudar a dona e como gosta muito de mim, lá vai dando mais uns bolinhos.
Com isto tudo sou um cão feliz. Vou à rua com o dono, tenho papa, remédios, cobertores e montes de mimos.
Cá para mim, eu acho que eles são meus pais. Os da Areia nem os conheço.
Segundo: como sou um cão (dizem) decente, tenho de confessar alguns defeitos. Sou ciumento, tenho mau feitio, acho que mando nos donos, já tive a mania de morder, quando fico sózinho vingo-me, fazendo chichi onde não devo, mas sou meigo, amigo dos donos. Quando a dona está doente ou triste não saio de ao pé dela. Sei muitas palavras e percebo tudo o que me dizem. Não falo a língua deles, mas sei fazer-me entender muito bem.
E pronto. Este sou eu, Nabão, “Cão como nós”. A propósito, vocês já leram um livro com este nome? É de um tal Manuel Alegre. A dona gosta muito deste e de outro chamado “Bichos” que um grande escritor, chamado Miguel Torga escreveu. Eu não sei ler, mas se soubesse lia-os. Experimentem! A Maria passa a vida com os livros às voltas. Acho que ela gosta tanto deles, como eu das minhas “línguas de gato”.
Quero desejar a todos um Bom Natal, com algumas prendas e muito AMOR.
Beijinhos para todos do Nabão.

P.S. Ai que lá vem a chata da dona ver o que eu estou a fazer!...
Adeuzinho. Um dia volto.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 17


A Tina Turra é uma caturra muito velhota e rezingona, que é do meu filho mais novo. Deu-lha a irmã no seu aniversário e ele adora-a. Já tem 13 anos. Gosta de assobiar e sabe muitas músicas. Desde árias clássicas à “raspa”, assobia tudo. Como berra muito alto, foi baptizada com o nome de Tina Turra, por causa da Tina Turner. Além de tudo também tinha umas belas pernas.
Foi casada com o Ike Turro, mas enviuvou. Depois disso nunca mais teve companheiro, mas acho que não lhe faz falta.
Eu gosto de a arreliar um bocadinho e ela não gosta lá muito de mim. De quem ela gosta mesmo é do Vasco. Vive na casa dele e deve pôr a cabeça em água às vizinhas.
Dizem que as caturras duram muito e eu espero que seja verdade.
Apesar de tudo gosto dela, mas acho que podia fazer menos barulho.
Até amanhã com...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um Ano


É verdade. Faz hoje um ano, que por brincadeira, por desafio e convencida que iria acabar rapidamente, pela primeira vez escrevi qualquer coisa aqui.
Tudo começou com uma brincadeira do amigo Bicho. Resolvi fazer um Blogue, dar-lhe um nome, uma imagem. Só iria durar enquanto me divertisse. O pior é que se tornou depressa num vício, mas um vício bom. Redescobri o gosto de escrever, arranjei uma maneira de me entreter e acima de tudo, arranjei amigos.
Embora acima de tudo, escreva para mim, gosto de saber que mais alguém me lê. Por isso também escrevo para é eles e a eles agradeço os muitos momentos bons que tenho passado escrevendo coisas minhas e lendo ou vendo coisas deles. Por aqui têm passado histórias, desabafos, momentos felizes e infelizes, brincadeiras, palavras amigas.
A todos vós agradeço a simpatia com que me acolheram.
Ao Kim agradeço os ensinamentos e os conselhos.
Ao Bicho, quase impulsor deste blogue, agradeço as belas fotos que nos mostra e o empurrão que me deu.
Para todos um abraço amigo, desejos de um “Bom Natal” e prometo que vou tentar melhorar o mais possível este espaço.
Mais uma vez a gratidão da
Maria
Até um dia destes.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 16


O Pantufa é filho de uma cadelinha chamada Rijuca, muito simpática. Andava por perto do trabalho do actual dono, era pouco bonito, mas fez-se um canito giro e simpático, como a mãe. É muito mansinho e nem se importa que lhe tirem a comida da boca. É obediente e dócil. Há tempos foi atropelado, partiu uma patinha, teve de levar um ferro e ficou a andar um pouco de lado. Isso não o impede de correr, brincar e saltar para a carrinha do dono, onde se deita no chão muito sossegado. Anda solto, dá-se bem com qualquer cão conhecido. É esperto e conhece muitas palavras. Ladra se vê estranhos, mas basta dizerem-lhe: “deixa” e ele cala-se. Se lhe dizem: “fica”, ele fica mesmo.
Dorme numa casinha na varanda e quando lhe dizem: “vai para a casinha”, ele vai mesmo.
Gosta de correr atrás dos gatos para brincar e ajuda a apanhar galinhas fujonas. Enfim, é um cãozinho tão simpático, que até a minha filhota que não gosta muito de cães, gosta dele. Eu acho-o muito engraçado.
E por enquanto, são estes os companheiros da minha neta: João Coelho, Narizinho, Pérola e Pantufa. Falta falar das senhoras galinhas, mas as galinhas não têm grandes histórias.Até amanhã com...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 15


A Pérola também estava numa garagem com dois irmãos. Teve sorte de ser muito simpática e brincalhona e foi a escolhida da minha neta. Ao princípio era um bocado reguila e fazia disparates. Depois com a convivência com o Narizinho, acalmou, é meiguinha, mas continua a fazer das suas.
A espertalhona sabe abrir gavetas e lá vão os novelos de lã, carregadores de telemóveis que rói e ficam sem concerto. Faz chichis e cocós na caixa, mas não tapa. O bom do Narizinho é que os tapa por ela. Corre atrás de tudo o que rebola, mia aos donos quando chegam e quando eles acordam salta para a cama também a miar. Gosta de festinhas, mas não que a agarrem.
Como gatinha que é, gosta de estar à janela. Se calhar é como uns versos muito antigos, que dizem assim:

O gato à sua janela
Vai dormindo, vai pensando e vai sonhando;
Oh minha linda casinha
Tu és minha muito minha
E nada melhor que ela.
O gato à sua janela
Vai dormindo, vai pensando e vai sonhando.

Será que os gatos pensam?
Até amanhã com...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 14


O Narizinho nasceu numa garagem. Através de um anúncio foram buscá-lo, levaram-no para casa e reparando no seu belo nariz cor-de-rosa, deram-lhe o nome de Narizinho. A minha menina adorou-o. É muito meiguinho, nunca se zanga, nem quando leva as vacinas. O veterinário diz, que ele é um gato passarinho. Pouco tempo depois, teve uma companheira gatinha e teve que fazer uma operação, para evitar que a casa se transformasse num mar de gatinhos.
Engordou muito, porque essa operação faz isso aos gatos. Além disso é muito molengão. É tão gordinho que quando está sentado de lado, mal se destinguem as pernas. Pensa que a dona pequenina é mãe dele, chucha no cabelo dela, enquanto lhe vai mexendo no pescoço, com as patinhas. Adormecem abraçados e ele fica quietinho com um boneco de peluche.
É giro e simpático e eu acho-o engraçado, por causa de ser assim gordinho.
Os donos é que não gostam, porque ele come muito.
Até os animais têm problemas com o peso. Acho que o deviam pôr num ginásio, mas não sei se ele ia gostar.
Até amanhã com...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Era uma vez a bicharada da Maria 13


O João entrou na vida da minha neta há oito anos. Foi-lhe dado pela mãe. Ela queria um cão, mas a casa em que moravam não tinha condições para isso. Assim, recebeu o coelho, que podia viver numa gaiola e era suposto ser anão.
O pai era um belo coelho de raça “cabeça de leão” e garantiram que ele ficaria igual. Por ser de boas famílias, a dona pequenina resolveu dar-lhe nome de pessoa (João, um nome que a rodeava por todos os lados), Coelho, para o distinguir dos inúmeros Joões, que há na família dela.
O belo coelhinho cresceu, cresceu e de anão, não tem nada.
É grande, gordo, pacífico. Gosta de viver na gaiola, quando o soltam, volta para lá, assim que pode. Já foi operado a um tumor, ficou sem pêlos na barriga e usou uns fatinhos de lã, para não ter frio. Safou-se e lá continua. É muito branquinho, não faz barulho, mas quando tem fome, dá grandes e ruidosas patadas no fundo da gaiola, para chamar à atenção dos donos.
Gosto dele. Faz feliz a minha menina.
Até amanhã com...