
Conheci a Madragoa há largos anos. Encantou-me aquele labirinto de ruas, travessas, vielas, velhos e enormes conventos e palácios, a que se encostavam casas pequeninas e humildes. Encantou-me o vaivém das pessoas que passavam, trocando cumprimentos, até com quem não conheciam. E as varinas, de saias rodadas, aventais, chinelas, lenços a descair numa graça que parecia estudada. E os nomes das ruas (das Madres, das Isabéis, das Inglesinhas, das Trinas. E os gatos, a roupa a secar, as conversas de janela para janela. O cheiro do Tejo, ali tão perto. Achei-lhe um ar de Aldeia bonitinha.
Sei pouco da Madragoa. Sei que o nome lhe vem das “Madres de Goa”, (daí, Rua das Madres); sei que a “Travessa das Isabéis” assim se chama devido a um Convento fundado por Santa Isabel da Hungria, sendo as freiras chamadas de “Isabéis”. Para saberem mais sobre o bairro, consultem os olissipografos: Pastor de Macedo, Matos Sequeira, Norberto de Araújo, Leitão de Barros, Marina Tavares Dias, Appio SottoMayor, etc. Eu só sei falar da minha Madragoa. Está diferente. Ruas desertas, sujas, com mais cheiro de xixi de gato, do que gatos, sem o barulho das chinelas e dos pregões das varinas, mas ainda bonita, ainda com pessoas que passam e dizem: “Boa tarde”, ainda com o Tejo ali ao pé. Ah! E a “Varina da Madragoa”, igual ao que sempre conheci. Restaurante de bairro, não muito grande, sem grandes letreiros. Não precisa. Quem lá vai, sabe onde é. Do tamanho que eu gosto: nem grande nem pequeno, forrado a azulejos (azuis, à moda antiga), nas paredes há recortes de jornais, que falam dela, poemas, lembranças da antigos e actuais clientes da casa.
Por lá passaram escritores, jornalistas, aspirantes a ambas as coisas. Não tem luxos de mobiliário ou de comida, mas é tudo honesto, limpo, saboroso. Não tem um batalhão de empregados a atender, tem um senhor simpático, amável, sem subserviência. Apetece ficar a conversar depois de concluída a refeição, pois ninguém nos olha, como que a perguntar, porque é que ainda lá estamos. É bom olhar os artigos dos jornais e pensar que estamos no mesmo sítio em que quem os escreveu esteve e onde alguns ainda voltarão.
Como vêm ainda há uma “Varina na Madragoa”. Vão lá e vejam.
O peixe é bom, os diversos bacalhaus são óptimos, a açorda de gambas, posso garanti-la, porque foi o que comi, desta vez.
Parece que fecha aos Sábados ao almoço e às segundas.
Até um dia destes.
Sei pouco da Madragoa. Sei que o nome lhe vem das “Madres de Goa”, (daí, Rua das Madres); sei que a “Travessa das Isabéis” assim se chama devido a um Convento fundado por Santa Isabel da Hungria, sendo as freiras chamadas de “Isabéis”. Para saberem mais sobre o bairro, consultem os olissipografos: Pastor de Macedo, Matos Sequeira, Norberto de Araújo, Leitão de Barros, Marina Tavares Dias, Appio SottoMayor, etc. Eu só sei falar da minha Madragoa. Está diferente. Ruas desertas, sujas, com mais cheiro de xixi de gato, do que gatos, sem o barulho das chinelas e dos pregões das varinas, mas ainda bonita, ainda com pessoas que passam e dizem: “Boa tarde”, ainda com o Tejo ali ao pé. Ah! E a “Varina da Madragoa”, igual ao que sempre conheci. Restaurante de bairro, não muito grande, sem grandes letreiros. Não precisa. Quem lá vai, sabe onde é. Do tamanho que eu gosto: nem grande nem pequeno, forrado a azulejos (azuis, à moda antiga), nas paredes há recortes de jornais, que falam dela, poemas, lembranças da antigos e actuais clientes da casa.
Por lá passaram escritores, jornalistas, aspirantes a ambas as coisas. Não tem luxos de mobiliário ou de comida, mas é tudo honesto, limpo, saboroso. Não tem um batalhão de empregados a atender, tem um senhor simpático, amável, sem subserviência. Apetece ficar a conversar depois de concluída a refeição, pois ninguém nos olha, como que a perguntar, porque é que ainda lá estamos. É bom olhar os artigos dos jornais e pensar que estamos no mesmo sítio em que quem os escreveu esteve e onde alguns ainda voltarão.
Como vêm ainda há uma “Varina na Madragoa”. Vão lá e vejam.
O peixe é bom, os diversos bacalhaus são óptimos, a açorda de gambas, posso garanti-la, porque foi o que comi, desta vez.
Parece que fecha aos Sábados ao almoço e às segundas.
Até um dia destes.

