O norte tem belas praias. Entre a Foz do Douro e Caminha são muitas e algumas muito belas. Têm grandes areais, sol, mas as águas são frias. Daí, a fuga para as praias do Alentejo e Algarve.
Nunca gostei de ir à praia, mas há algumas que me encantam no Norte: Póvoa do Varzim, Ofir, Moledo, Vila Praia de Ancora. Não é, no entanto de nenhuma delas que vou falar. Nem de Verão. Nem de férias. Vou falar de trabalho, um trabalho duro, perigoso, mas que me prendeu a vista e a admiração, por um povo diferente, que vivendo do mar não é pescador, correndo riscos, gelando dentro de água, de Inverno ou de Verão, para retirar do mar o sargaço que lhes irá adubar a terra e torná-la fértil e rica. A Apúlia, que tem um património arqueológico notável, nunca foi terra de pescadores. É terra de lavradores e apanhadores de algas, os Sargaceiros. São homens admiráveis. Vestidos de forma tradicional, o seu traje consiste num longo casaco de abas, que o cobre até meio das coxas, sendo apertado na cintura por um cinturão negro de cabedal. É feito de pura lã de cor natural, tem mangas justas, punhos altos bordados tal como a gola, com carreiras de pespontos. É todo cosido à mão e tem o nome de branqueta.
O chapéu, feito do mesmo material, tem dois bicos, um para trás, outro para a frente. Chama-se Sueste. Assim equipados, com o Galhapão, espécie de camaroeiro gigante, entram dentro de água, mergulham a rede no mar, para a retirarem cheia de sargaço, a alga que irá adubar a terra. Geralmente, aí têm a ajuda das mulheres que os auxiliam a puxar o galhapão. Estas, vestem saia do mesmo material da branqueta, blusa branca e corpete bordado. Mais frágeis, não entram no mar.
É bela a Apúlia. Tem prados verdes, campos de cultivo de cereais, batata, legumes.
A bem da verdade, esta era a Apúlia de há quarenta e tal anos, quando a conheci. Ao que sei, ainda há sargaceiros, mas vestem de
oleado e provavelmente tirarão o sargaço de outra forma.
Mas a Maria, que devia chamar-se Saudade, continua a vê-los assim.
Adeus Apúlia, terra bonita da minha juventude. Adeus sargaceiros, meus heróis de um dia. Talvez um dia volte, não sei. Tudo deve estar diferente. Não quero saber. Desejo todo o progresso possível para a terra e os homens do sargaço, mas deixem-me com as minhas lembranças.
Até um dia destes.
Nunca gostei de ir à praia, mas há algumas que me encantam no Norte: Póvoa do Varzim, Ofir, Moledo, Vila Praia de Ancora. Não é, no entanto de nenhuma delas que vou falar. Nem de Verão. Nem de férias. Vou falar de trabalho, um trabalho duro, perigoso, mas que me prendeu a vista e a admiração, por um povo diferente, que vivendo do mar não é pescador, correndo riscos, gelando dentro de água, de Inverno ou de Verão, para retirar do mar o sargaço que lhes irá adubar a terra e torná-la fértil e rica. A Apúlia, que tem um património arqueológico notável, nunca foi terra de pescadores. É terra de lavradores e apanhadores de algas, os Sargaceiros. São homens admiráveis. Vestidos de forma tradicional, o seu traje consiste num longo casaco de abas, que o cobre até meio das coxas, sendo apertado na cintura por um cinturão negro de cabedal. É feito de pura lã de cor natural, tem mangas justas, punhos altos bordados tal como a gola, com carreiras de pespontos. É todo cosido à mão e tem o nome de branqueta.
O chapéu, feito do mesmo material, tem dois bicos, um para trás, outro para a frente. Chama-se Sueste. Assim equipados, com o Galhapão, espécie de camaroeiro gigante, entram dentro de água, mergulham a rede no mar, para a retirarem cheia de sargaço, a alga que irá adubar a terra. Geralmente, aí têm a ajuda das mulheres que os auxiliam a puxar o galhapão. Estas, vestem saia do mesmo material da branqueta, blusa branca e corpete bordado. Mais frágeis, não entram no mar.
É bela a Apúlia. Tem prados verdes, campos de cultivo de cereais, batata, legumes.
A bem da verdade, esta era a Apúlia de há quarenta e tal anos, quando a conheci. Ao que sei, ainda há sargaceiros, mas vestem de
oleado e provavelmente tirarão o sargaço de outra forma.
Mas a Maria, que devia chamar-se Saudade, continua a vê-los assim.
Adeus Apúlia, terra bonita da minha juventude. Adeus sargaceiros, meus heróis de um dia. Talvez um dia volte, não sei. Tudo deve estar diferente. Não quero saber. Desejo todo o progresso possível para a terra e os homens do sargaço, mas deixem-me com as minhas lembranças.
Até um dia destes.

