
Não vos vou aborrecer com palavras minhas.
É de novo Torga quem vos fala, em dois poemas.
Páscoa
Anho do sacrifício
Que o ritual impõe,
É um balido discreto que lhe pedem
Homens e deuses, feras fraternais:
Que o perfume
Dum lírico queixume
Enterneça os fiéis sentimentais.
Mas o cordeiro agónico protesta.
E a paz familiar da festa
É perturbada.
A violência
Tem de ser friamente consumada.
Junta-se então,
No altar da imolação,
A pura crueldade
À impura liturgia,
E o sangue do poeta assassinado,
A correr como verso derramado,
É um hino rubro à eterna rebeldia.
Miguel Torga “Câmara Ardente”
Hossana!
Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se ao caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza.
Miguel Torga “Cântico do Homem”
Até um dia destes.
É de novo Torga quem vos fala, em dois poemas.
Páscoa
Anho do sacrifício
Que o ritual impõe,
É um balido discreto que lhe pedem
Homens e deuses, feras fraternais:
Que o perfume
Dum lírico queixume
Enterneça os fiéis sentimentais.
Mas o cordeiro agónico protesta.
E a paz familiar da festa
É perturbada.
A violência
Tem de ser friamente consumada.
Junta-se então,
No altar da imolação,
A pura crueldade
À impura liturgia,
E o sangue do poeta assassinado,
A correr como verso derramado,
É um hino rubro à eterna rebeldia.
Miguel Torga “Câmara Ardente”
Hossana!
Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se ao caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza.
Miguel Torga “Cântico do Homem”
Até um dia destes.
