
Comecei a tarde triste. O espectáculo que vi, foi triste. Uma moça pouco mais nova do que os meus filhos, que vestiu à nascença roupas deles, que dormiu no berço que fora deles, mais uma vez, drogada ou bêbeda, insultou toda a gente, mesmo quem já tentou ajudá-la. As pessoas riam, eu quase chorei. Lembrei-a pequenina, doce, bonita, estendendo os bracitos para mim. Esses mesmo braços que hoje são um mapa de cicatrizes, de nódoas negras.
Tem um filho, ela. Descobrimos que estava grávida por acaso, eu e outra vizinha. Quem é o pai? Nem ela sabe. O filho foi entregue a um irmão dela. E ela continua a jogar às escondidas com a morte todos os dias. Entretanto faz rir alguns, faz-me sofrer a mim.
Saí da varanda, tentei esquecer, queria ir aos fados feliz.
Foi muito bom. Como eu gosto de Fado ao vivo! Joaquim Campos, Nuno de Aguiar, uma Senhora já entradota, com uma voz linda, um naipe de jovensinhos muito prometedores, belíssimo acompanhamento, fados antigos, boa companhia, foi muito bom.
Saímos e o pesadelo voltou. A caminho do carro, num local bastante frequentado, perto de uma esquadra de polícia, outro jovem tentava desesperadamente, arrombar um parquímetro.
Droga de droga. Eu vinha feliz, muito feliz. A noite tinha sido perfeita. Caldo verde, bacalhau, sangria, arroz doce, fado, boa companhia. Ver o meu puto Vasco, tratado com respeito, com amizade pelos colegas, ouvir dizer bem dele. Que mais quer uma mãe? Estava feliz, orgulhosa da minha cria, contente de ouvir o Fado.
Porquê tiveste que aparecer puto loiro de caracóis? Porque estavas a arrombar o parquímetro? Porque te drogas? Porque existe droga? Porque não acabam com os, passadores de droga?
Porque é que tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é Fado?
Até um dia destes.
Tem um filho, ela. Descobrimos que estava grávida por acaso, eu e outra vizinha. Quem é o pai? Nem ela sabe. O filho foi entregue a um irmão dela. E ela continua a jogar às escondidas com a morte todos os dias. Entretanto faz rir alguns, faz-me sofrer a mim.
Saí da varanda, tentei esquecer, queria ir aos fados feliz.
Foi muito bom. Como eu gosto de Fado ao vivo! Joaquim Campos, Nuno de Aguiar, uma Senhora já entradota, com uma voz linda, um naipe de jovensinhos muito prometedores, belíssimo acompanhamento, fados antigos, boa companhia, foi muito bom.
Saímos e o pesadelo voltou. A caminho do carro, num local bastante frequentado, perto de uma esquadra de polícia, outro jovem tentava desesperadamente, arrombar um parquímetro.
Droga de droga. Eu vinha feliz, muito feliz. A noite tinha sido perfeita. Caldo verde, bacalhau, sangria, arroz doce, fado, boa companhia. Ver o meu puto Vasco, tratado com respeito, com amizade pelos colegas, ouvir dizer bem dele. Que mais quer uma mãe? Estava feliz, orgulhosa da minha cria, contente de ouvir o Fado.
Porquê tiveste que aparecer puto loiro de caracóis? Porque estavas a arrombar o parquímetro? Porque te drogas? Porque existe droga? Porque não acabam com os, passadores de droga?
Porque é que tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é Fado?
Até um dia destes.


