
Ontem, por razões alheias à minha vontade, não assinalei a data de nascimento do meu escritor mais querido.
Adolfo Correia da Rocha nasceu em São Martinho de Anta, em 12 de Agosto de 1907.
Vindo de família pobre, cursou o Seminário que cedo deixou, rumou ao Brasil, onde viveu alguns anos com um tio, que lhe patrocinou, primeiro no Brasil e depois em Coimbra, parte do curso de Medicina. A certa altura, como ele já publicava livros e colaborava em revistas, retirou-lhe a ajuda e ele viu-se obrigado a pagar estudos e viver com o seu trabalho. Formado, exerceu clínica em vários locais, nomeadamente em Leiria, onde acabaria por ser preso pela Pide. Desafecto ao regime, a sua vida não foi fácil.
Tinha adoptado, como escritor, o nome Miguel, homenagem a Cervantes e Unamuno, Torga, como a urze do seu Douro amado, que uma vez presa à terra não a larga mais.
De Miguel Torga já muita gente falou. Pessoas que o conheceram, que o estudaram.
Eu apenas posso falar do que ele é para mim: O homem que merecia o Nobel e nunca o recebeu. O homem que nunca se enfeudou a nenhum partido político, porque quis ser coerente até ao fim. Para ele, apenas Portugal e a Ibéria contavam.
É com um poema de “Poemas Ibéricos” que termino.
Terra
Quanto a palavra der, e nada mais.
Só assim a resume
Quem a contempla do mais alto cume,
Carregada de sol e de pinhais
Terra-tumor-de-angústia de saber
Se o mar é fundo e ao fim deixa passar...
Uma antena da Europa a receber
A voz do longe que lhe quer falar...
Terra de pão e vinho
(A fome e a sede só virão depois,
Quando a espuma salgada for caminho
Onde um caminha desdobrado em dois).
Terra nua e tamanha
Que nela coube o Velho-Mundo e o Novo...
Que nela cabem Portugal e a Espanha
E a loucura com asas do seu povo
Torga, 1984
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.
Adolfo Correia da Rocha nasceu em São Martinho de Anta, em 12 de Agosto de 1907.
Vindo de família pobre, cursou o Seminário que cedo deixou, rumou ao Brasil, onde viveu alguns anos com um tio, que lhe patrocinou, primeiro no Brasil e depois em Coimbra, parte do curso de Medicina. A certa altura, como ele já publicava livros e colaborava em revistas, retirou-lhe a ajuda e ele viu-se obrigado a pagar estudos e viver com o seu trabalho. Formado, exerceu clínica em vários locais, nomeadamente em Leiria, onde acabaria por ser preso pela Pide. Desafecto ao regime, a sua vida não foi fácil.
Tinha adoptado, como escritor, o nome Miguel, homenagem a Cervantes e Unamuno, Torga, como a urze do seu Douro amado, que uma vez presa à terra não a larga mais.
De Miguel Torga já muita gente falou. Pessoas que o conheceram, que o estudaram.
Eu apenas posso falar do que ele é para mim: O homem que merecia o Nobel e nunca o recebeu. O homem que nunca se enfeudou a nenhum partido político, porque quis ser coerente até ao fim. Para ele, apenas Portugal e a Ibéria contavam.
É com um poema de “Poemas Ibéricos” que termino.
Terra
Quanto a palavra der, e nada mais.
Só assim a resume
Quem a contempla do mais alto cume,
Carregada de sol e de pinhais
Terra-tumor-de-angústia de saber
Se o mar é fundo e ao fim deixa passar...
Uma antena da Europa a receber
A voz do longe que lhe quer falar...
Terra de pão e vinho
(A fome e a sede só virão depois,
Quando a espuma salgada for caminho
Onde um caminha desdobrado em dois).
Terra nua e tamanha
Que nela coube o Velho-Mundo e o Novo...
Que nela cabem Portugal e a Espanha
E a loucura com asas do seu povo
Torga, 1984
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.


