Entre estas duas fotografias medeiam 89 anos. Na primeira és um bebé com um ano, na segunda um velhinho com 90.
Em ambas a mesma expressão feliz. Foste, ou tentaste sê-lo sempre.
A vida não foi fácil. Perdeste o teu Pai muito novinho, tiveste que trabalhar cedo, perdeste dois irmãos novos, ficaste sem a nossa mãe, o teu grande amor, uma filha, a Avó e mais irmãos, mas sempre reagiste a tudo.
Nascido em Alcobaça faz hoje cem anos, foi Óbidos a terra da tua infância feliz. Depois as Caldas, de onde vieste para Lisboa, após a morte do Avô. Um dia, em visita a umas primas em Ovar, encontraste aquela que foi o teu grande amor, a nossa Mãe.
Após um namoro longo e quase sempre por carta, veio o casamento, a ida para Tomar, os filhos. Foste muito feliz lá, não foste, Pai? Éramos muito felizes então. A saída de Tomar para o Porto custou-te muito. Deixavas para trás os teus amigos, as paródias, anos de vida. Mas chegaste ao Porto e em pouco tempo, tinhas novos amigos e eras feliz de novo.
Depois os filhos foram vindo para Lisboa e nasceram netos. E tu vieste atrás de nós. Afinal estava cá toda a família. A morte da Mãe desesperou-te, mas mais uma vez, conseguiste refazer a tua vida.
Tínhamos pensado, ou melhor, a ideia foi do meu irmão, fazer hoje uma grande reunião de filhos, netos e bisnetos. Ele adoeceu e ficámos sem pernas para andar.
A tua prenda, Pai, é que o teu filho, o teu orgulho, está a recuperar.
A reunião há-de fazer-se qualquer dia.
Todos beberemos um copo no sítio em que estivermos. Darei aos meus irmãos aquele último beijo que me deste, porque eu estava ao pé de ti, mas que era para os três. Lembraremos as tuas historias, o teu carinho, as tuas fúrias horríveis. Falaremos do amor lindo entre ti e a nossa Mãe. Talvez uma lagriminha teimosa caia dos nossos olhos. Mas faremos os possíveis para nos sentirmos felizes, porque era isso que tu querias, meu Pai, minha Saudade imensa.
Tinha muita coisa para te contar. Mas há coisas tristes que não te direi hoje. Fica para outro dia.
Um beijo da tua “fila”, que te irá amar até ao fim.
Nós, até um dia destes e façam o favor de ser felizes. Ele foi, enquanto pode.
Em ambas a mesma expressão feliz. Foste, ou tentaste sê-lo sempre.
A vida não foi fácil. Perdeste o teu Pai muito novinho, tiveste que trabalhar cedo, perdeste dois irmãos novos, ficaste sem a nossa mãe, o teu grande amor, uma filha, a Avó e mais irmãos, mas sempre reagiste a tudo.
Nascido em Alcobaça faz hoje cem anos, foi Óbidos a terra da tua infância feliz. Depois as Caldas, de onde vieste para Lisboa, após a morte do Avô. Um dia, em visita a umas primas em Ovar, encontraste aquela que foi o teu grande amor, a nossa Mãe.
Após um namoro longo e quase sempre por carta, veio o casamento, a ida para Tomar, os filhos. Foste muito feliz lá, não foste, Pai? Éramos muito felizes então. A saída de Tomar para o Porto custou-te muito. Deixavas para trás os teus amigos, as paródias, anos de vida. Mas chegaste ao Porto e em pouco tempo, tinhas novos amigos e eras feliz de novo.
Depois os filhos foram vindo para Lisboa e nasceram netos. E tu vieste atrás de nós. Afinal estava cá toda a família. A morte da Mãe desesperou-te, mas mais uma vez, conseguiste refazer a tua vida.
Tínhamos pensado, ou melhor, a ideia foi do meu irmão, fazer hoje uma grande reunião de filhos, netos e bisnetos. Ele adoeceu e ficámos sem pernas para andar.
A tua prenda, Pai, é que o teu filho, o teu orgulho, está a recuperar.
A reunião há-de fazer-se qualquer dia.
Todos beberemos um copo no sítio em que estivermos. Darei aos meus irmãos aquele último beijo que me deste, porque eu estava ao pé de ti, mas que era para os três. Lembraremos as tuas historias, o teu carinho, as tuas fúrias horríveis. Falaremos do amor lindo entre ti e a nossa Mãe. Talvez uma lagriminha teimosa caia dos nossos olhos. Mas faremos os possíveis para nos sentirmos felizes, porque era isso que tu querias, meu Pai, minha Saudade imensa.
Tinha muita coisa para te contar. Mas há coisas tristes que não te direi hoje. Fica para outro dia.
Um beijo da tua “fila”, que te irá amar até ao fim.
Nós, até um dia destes e façam o favor de ser felizes. Ele foi, enquanto pode.




