Chamaram os romanos, quando por lá andaram, Nabância ou talvez Sellium, à minha terra. Um rio por lá passava e tinha o nome de Tamarara ou Nava. Se foi o rio que deu o nome à terra, ou a terra que deu o nome ao rio, não sei, não tenho certezas a esse respeito. O facto é que a Terra se chama Tomar (de Tamarara?), o Rio se chama Nabão (de Nava ou de Nabância?).
Nasce em Ansião, pequeno regatinho, vai recebendo água pelo caminho, chega ao Agroal e recebe todo o caudal da nascente que lá existe. Aí, sim, torna-se Nabão e deixa de ser Nabinho. Corre até Tomar, ora manso e sereno, apertado entre fragas, ora saltando rápidos, ora espraiando-se pelos campos, onde se encontra a melhor hortaliça e fruta do País. Já moveu fábricas, noras, já lavou toda a roupa suja de Tomar e arredores. É lindo em todo o seu curso. Mas ao chegar a Tomar, torna-se mais bonito ainda. Ele é o espelho dos salgueiros, reflecte partes do Castelo, move a Roda, símbolo de Tomar e meu.
É este o Meu Rio. Bem perto dele nasci. Talvez porque era inverno, se ouvisse o sussurro das suas águas. Era meio-dia em ponto quando vi a luz do dia. O sino de São João batia as horas, a Nabantina tocava em frente à minha casa. Foram os primeiros sons que ouvi. Maior, corri pelas suas margens, molhei os pés no rio, andei de barco, passei vezes sem conta a velhinha ponte de madeira, só montada no verão. Sim. A mesma que alguém de mau gosto, substituiu por aquela coisa que ocupa metade do Mouchão e que é horrível. Por acaso a mesma pessoa que cortou árvores onde não devia, que substituiu as velhas pedras roladas da minha e outras ruas, por um pavimento feio e piroso. Por acaso a mesma pessoa que deixou os lindos jardins ao abandono, por acaso a mesma pessoa, que pouco se importa que a Janela da Sala do Capítulo esteja em perigo, que a Rua pé da Costa de Cima corra o risco de desabar, etc. etc. etc.
Bem. Eu só ia dizer como é lindo o meu rio. Cliquem na foto.
Se não quiserem ler o que escrevi, não leiam. Foi só a revolta da Pata Brava da Maria que me obrigou a mostrar a minha raiva. As patas bravas quando chegam a velhas, ficam rezingonas, dizem mal de tudo.
Até um dia deste e façam o favor de ser felizes.
Nasce em Ansião, pequeno regatinho, vai recebendo água pelo caminho, chega ao Agroal e recebe todo o caudal da nascente que lá existe. Aí, sim, torna-se Nabão e deixa de ser Nabinho. Corre até Tomar, ora manso e sereno, apertado entre fragas, ora saltando rápidos, ora espraiando-se pelos campos, onde se encontra a melhor hortaliça e fruta do País. Já moveu fábricas, noras, já lavou toda a roupa suja de Tomar e arredores. É lindo em todo o seu curso. Mas ao chegar a Tomar, torna-se mais bonito ainda. Ele é o espelho dos salgueiros, reflecte partes do Castelo, move a Roda, símbolo de Tomar e meu.
É este o Meu Rio. Bem perto dele nasci. Talvez porque era inverno, se ouvisse o sussurro das suas águas. Era meio-dia em ponto quando vi a luz do dia. O sino de São João batia as horas, a Nabantina tocava em frente à minha casa. Foram os primeiros sons que ouvi. Maior, corri pelas suas margens, molhei os pés no rio, andei de barco, passei vezes sem conta a velhinha ponte de madeira, só montada no verão. Sim. A mesma que alguém de mau gosto, substituiu por aquela coisa que ocupa metade do Mouchão e que é horrível. Por acaso a mesma pessoa que cortou árvores onde não devia, que substituiu as velhas pedras roladas da minha e outras ruas, por um pavimento feio e piroso. Por acaso a mesma pessoa que deixou os lindos jardins ao abandono, por acaso a mesma pessoa, que pouco se importa que a Janela da Sala do Capítulo esteja em perigo, que a Rua pé da Costa de Cima corra o risco de desabar, etc. etc. etc.
Bem. Eu só ia dizer como é lindo o meu rio. Cliquem na foto.
Se não quiserem ler o que escrevi, não leiam. Foi só a revolta da Pata Brava da Maria que me obrigou a mostrar a minha raiva. As patas bravas quando chegam a velhas, ficam rezingonas, dizem mal de tudo.
Até um dia deste e façam o favor de ser felizes.



