domingo, 8 de novembro de 2009

Para Ti







Quase sem palavras, deixo-te um ramo de lírios brancos e a saudade imensa que por ti sinto.

Um beijo, minha querida.






Até um dia destes e façam o favor de ser felizes

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Cãoprimidos


Estranho título, é verdade. Depois de verem a história, saberão porquê.
Logo de manhã, antes, durante e depois do pequeno almoço, tomo cinco comprimidos de várias qualidades. O meu cão toma um, para as artroses. Até os cães velhotes as têm. Ora acontece que os comprimidos do cão, estão próximos dos meus e, são parecidos com umas vitaminas minhas. Já há dias que andava a gozar, dizendo que, “Um dia destes, troco os comprimidos, tenho que os separar”.
Hoje, tomados os que são para tomar em jejum, pus em cima da mesa do pequeno almoço, os outros e os do cão. Distraída e ensonada, tirei o meu comprimido e o do cão, das respectivas pallettes. Peguei no copo de água e tomei o do cão. Achei um bocado estranho, porque o meu tem aquele cheirinho próprio das vitaminas, de que não gosto, mas cheguei à conclusão que, ou tinha o nariz tapado, ou já estava habituada ao cheiro. O pior foi quando reparei que o meu comprimido, ainda estava no mesmo sítio. Fiquei completamente baralhada. Primeiro: o que me iria fazer o medicamento do cão? Segundo: deveria dar o meu comprimido ao cão ou tomá-lo? Terceiro: iria começar a ladrar, ganir, comer porcarias da rua, alçar a perna para fazer chi-chi, pôr-me a lamber as mãos às pessoas?
Já passaram umas horas e nada disto aconteceu. Agora, que as artroses estão melhores, estão. Pelo menos as dores não têm sido muito fortes.
Distraída, eu? Que ideia! Isto já é da idade.
Bom fim de semana.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.
PS: Se notar alguns efeitos secundários, aviso.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Concurso


Fui desafiada pelo meu amigo Antunes Ferreira, para esta brincadeira. É fácil, é barato e... Não dá milhões.
É divertido. Não quebrem a corrente. O único fim é divertir-nos
Beijinhos.
Maria

a) Eu já ........Cheguei à conclusão que a vida é feita de altos e baixos e é nisso que reside a sua graça.

b) Eu nunca..... Fui desleal com um amigo.

c) Eu sei.....Que a a minha vida está a mais de meio, mas quero viver o que me falta o melhor possível.

d) Eu quero.....Ver toda as pessoas sejam felizes.

e) Eu sonho..... Com um mundo sem violência e em que as oportunidades sejam iguais para todos.

Depois de completar o pontilho com as suas resposta indique cinco bloggers para
Dar sequência à brincadeira.


Eles aqui vão:

Corvo http://bloguedocorvo.blogspot.com/

Ana http://claustrodaana.blogspot.com/

Luís Ribeiro http://tomaracidade.blogspot.com/

Girassol http://mariabesuga.blogspot.com/

Zé do cão http://zedocao.blogspot.com/

Divirtam-se. Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.



sábado, 31 de outubro de 2009

Quentes e Boas, Frescas e Perfumadas


Lembrei-me hoje, que no dia um de Novembro, em casa dos meus pais se comiam as primeiras castanhas assadas, ou cozidas com erva doce. Era dia de Pão por Deus. A campainha da porta tocava o dia todo. Eram os meninos a pedir o Pão por Deus. Nós não sabíamos o que era “o dia das bruxas”, não gastávamos dinheiro em mascaradas, não éramos “civilizados”. Bastava-nos um saquitel de pano, ou um pequeno cesto e ala moços e moças que se faz tarde, lá íamos bater às portas amigas e conhecidas, levantar o nosso quinhão. Era marmelada, frutos secos, bolinhos, rebuçados e castanhas. Voltávamos à noitinha, cansados e contentes.
Os que nos batiam à porta, também iam bem servidos. Eram dias de festa, sem grandes gastos.
Mas falando em castanhas, as lembranças vão para Lisboa, para o Rossio, a Rua do Carmo, o Chiado. Nas nossas andanças por essas paragens, eu e a minha prima, a minha Margarida, habituámo-nos a sentir o cheiro da Lisboa Outonal. Cheirava a castanha assada e violetas, duas coisas que ambas adorávamos.
Três raminhos de violetas, um em cada casaco, o terceiro para levar à avózinha, uma dúzia de castanhas, embrulhadas em papel de jornal e, felizes como passarinhos livres, subíamos e descíamos o Chiado, empoleiradas em saltos de agulha, olhando as montras lindas e sonhando um dia, comprar aquelas roupas, as jóias, os perfumes. Eram tardes felizes. Quando conseguíamos ter algum dinheiro, entrávamos na Bénard ou na Versailles, pedíamos um chá e duas chávenas e uma torrada douradinha, que se derretia na boca. Esses, eram os dias de luxo. Os outros, os das castanhas, também eram bons. Cada uma pegava no cartucho à vez, para aquecermos as mãos mal protegidas pelas luvas. Ficávamos quentinhas, consoladas. O passeio acabava à noitinha, voltávamos a casa e a avózinha nem ralhava, porque lhe levávamos violetas, a sua flor querida.
Agora, as castanhas são poucas, caras, metidas em sacos de plástico e das violeteiras, nem sombra. Ficou tudo no passado. A avózinha, a minha Margarida, a juventude. Só ficaram alguns sonhos de que não abro mão. Quais? Não digo, são sonhos meus.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Meu Rio


Chamaram os romanos, quando por lá andaram, Nabância ou talvez Sellium, à minha terra. Um rio por lá passava e tinha o nome de Tamarara ou Nava. Se foi o rio que deu o nome à terra, ou a terra que deu o nome ao rio, não sei, não tenho certezas a esse respeito. O facto é que a Terra se chama Tomar (de Tamarara?), o Rio se chama Nabão (de Nava ou de Nabância?).
Nasce em Ansião, pequeno regatinho, vai recebendo água pelo caminho, chega ao Agroal e recebe todo o caudal da nascente que lá existe. Aí, sim, torna-se Nabão e deixa de ser Nabinho. Corre até Tomar, ora manso e sereno, apertado entre fragas, ora saltando rápidos, ora espraiando-se pelos campos, onde se encontra a melhor hortaliça e fruta do País. Já moveu fábricas, noras, já lavou toda a roupa suja de Tomar e arredores. É lindo em todo o seu curso. Mas ao chegar a Tomar, torna-se mais bonito ainda. Ele é o espelho dos salgueiros, reflecte partes do Castelo, move a Roda, símbolo de Tomar e meu.
É este o Meu Rio. Bem perto dele nasci. Talvez porque era inverno, se ouvisse o sussurro das suas águas. Era meio-dia em ponto quando vi a luz do dia. O sino de São João batia as horas, a Nabantina tocava em frente à minha casa. Foram os primeiros sons que ouvi. Maior, corri pelas suas margens, molhei os pés no rio, andei de barco, passei vezes sem conta a velhinha ponte de madeira, só montada no verão. Sim. A mesma que alguém de mau gosto, substituiu por aquela coisa que ocupa metade do Mouchão e que é horrível. Por acaso a mesma pessoa que cortou árvores onde não devia, que substituiu as velhas pedras roladas da minha e outras ruas, por um pavimento feio e piroso. Por acaso a mesma pessoa que deixou os lindos jardins ao abandono, por acaso a mesma pessoa, que pouco se importa que a Janela da Sala do Capítulo esteja em perigo, que a Rua pé da Costa de Cima corra o risco de desabar, etc. etc. etc.
Bem. Eu só ia dizer como é lindo o meu rio. Cliquem na foto.
Se não quiserem ler o que escrevi, não leiam. Foi só a revolta da Pata Brava da Maria que me obrigou a mostrar a minha raiva. As patas bravas quando chegam a velhas, ficam rezingonas, dizem mal de tudo.
Até um dia deste e façam o favor de ser felizes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Regresso


Perto daqui, vivi todas as férias da minha infância e adolescência. A Ria de Ovar, é uma lembrança doce e triste.
Hoje, vi este quadro de Catherine Labey e, tudo me veio à memória: cores, cheiros, ruídos, imagens. Lembrei-me, de pessoas, de bichos, de dias de outono, em que tudo se aquietava, lentamente, até a noite cair. Da Ria, subia uma neblina ténue, das casas pequeninas subia um fuminho, havia no ar um cheiro a resina e lenha a arder. Os homens, as mulheres e as crianças, recolhiam a casa, depois de um dia inteiro nos campos. O gado, já dormia. Os carros de bois, já não chiavam, como durante o dia. O rumor leve, dos Moliceiros, quase não se ouvia.
Dentro de casa, o calor da lareira, o aroma da comida e novamente o cheiro acre da resina, das pinhas, da lenha.
E da janela do meu quarto, olhava a Ria, tranquila, prateada, varada pelos saltos das tainhas. De longe em longe, umas palavras soltas, o som metálico dos tachos no fogão. Depois, uma voz alta que dizia: “a ceia está na mesa!”.
Parava de sonhar e olhar a Ria. Descia a escada escura e, entrava na sala iluminada e quente da lareira.
Foi tudo isto que voltei a ver, olhando este quadro. Hoje tudo é diferente. Mas para mim, é tudo sempre igual. Guardo tudo avidamente, na memória e na saudade imensa, de um tempo em que era fácil ser feliz.
Por mais que faça, é sempre o passado que, volta a dominar-me o pensamento.
Obrigada, Catherine Labey. O seu quadro, deu-me hoje uns momentos felizes.
Não sei viver neste mundo que não entendo.
Este post já foi publicado no meu primeiro Blogue.
Hoje andei todo o dia a pensar na minha Ria.
Como a inspiração não me ajudou, resolvi repeti-lo.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Peregrinação


Isto hoje vai em estilo tragicomédia, ainda não sei em quantos actos.
1º Acto
Marido a caminho do posto do Posto de Saúde, várias sextas feiras às oito da manhã, para conseguir marcar uma consulta para a mulher. A semana passada conseguiu uma, com o nº 1.
2º Acto
Mulher levanta-se às 7 horas, para estar pontualmente no dito posto às oito horas.
3º Acto
Fila que dá volta ao quarteirão, formada por pessoas a bater os dentes com frio.
4º Acto
Afinal o nº1 era de uma lista nº não sei quantos.
5º Acto
Cento e tal pessoas dentro de um corredor e uma sala pequena dividida ao meio por um balcão, atrás do qual estão três amáveis funcionárias que explicam que tem que ser devagarinho, porque o Sistema Informático pifou.
A fila anda lentamente enquanto as pessoas começam a refilar com tudo e todos, a mulher incluída.
6º Acto
10 horas, lá entra a criatura, pede os medicamentos e sai.

Ora agora, que já brinquei com coisas sérias vem o resto.
O dito Posto há anos que não tem condições nem para um quinto dos doentes. Possui uma única casa de banho para homens e mulheres, em condições de higiene mais que lamentáveis. Suja, sem sabão para lavar as mãos, nem papel higiénico, nada.
O engraçado, é que na sala e corredores, as paredes estão decoradas com belos cartazes sobre os cuidados a ter com a famigerada gripe A e outros que explicam minuciosamente com imagens, como lavar as mãos. Pedido sabão, não há. Livro de reclamações, está em parte incerta.
Onde é este Posto? Não vale a pena dizer. Todos conhecem algum igual.
Só vos dou um conselho: se puderem, façam um Seguro de Saúde. Porque se estão à espera do médico da Caixa, é melhor não se darem ao luxo de estar doentes. Garanto que lá não se tratam e ainda trazem de brinde mais doenças e os nervos feitos num feixe.
Se querem animar-se vão ver os nossos belíssimos, caríssimos e cheíssimos, Estádios de futebol. Aí sim, há saúde, alegria, boas acomodações. É outro asseio. E claro, eram a prioridade máxima para o nosso povo. Bem empregados impostos.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.