segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Parabéns Estrela de Alva


Para ti, um poema de Florbela Espanca e um milhão de Estrelas.

A Uma Rapariga

Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!

Florbela Espanca - Charneca Em Flor

Beijinhos, minha Estrelinha pequenina e muitos dias felizes.

Até um dia destes e façam o favor de felizes.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Mala de Porão


Havia em casa de meus pais quatro malas dessas, chamadas de Porão. Eram enormes. Tinham servido para o enxoval da minha mãe, serviam na altura para guardar roupas antigas, cobertores, velhos jornais, que meu pai se negava a deitar fora. Uma, estava quase sempre vazia. Só nas férias grandes, quando íamos para a Quinta do Carregal, por três meses, ela servia. Era lá que ia toda a roupa da família.
Ora, nesses tempos, a viagem de Tomar para Ovar era complicada.
Ou apanhávamos o comboio em Tomar, descíamos em Chão de Maçãs (hoje Fátima) e apanhávamos o comboio da linha do Norte, ou íamos de carro, ou charrette até ao Entroncamento, onde apanhávamos o dito combóio. Quase sempre era esta última a viagem escolhida. Viagem longa, chata, cansativa, a desse tempo.
Do Entroncamento a Ovar levava quase um dia, com farnel a meio do caminho, arrufadas em Coimbra e vários sonos embalados pelo andar do combóio e interrompidos pelo som estridente do apito. Enfim, viagens à moda antiga.
Mas não é de viagens que vou falar hoje.
No meu tempo de menina, ainda havia escassez de alguns bens de primeira necessidade. O azeite, por exemplo. Ora, o meu pai sempre teve azeite com fartura. Tinha amigos produtores do mesmo, que lho arranjavam. Já na Quinta, era coisa rara e cara. O meu pai resolveu levar uma enorme lata, para as cunhadas. Havia um problema. No Entrocamento estavam os fiscais. Um deles era terrível. Nada lhe escapava, dizia ele.
A lata foi metida na mala da roupa, a roupa distribuída por outras malas e, toca para o Entroncamento. A minha mãe estava pálida e trémula. O meu pai, como sempre, contava histórias e falava com toda a gente, calmo e sereno. Chega a hora de carregar as bagagens, e o dito fiscal, muito amável, ajudou a carregar a mala para a carruagem das mercadorias e malas grandes. Deita-lhe a mão e pergunta: “Que é que você leva hoje na mala, que pesa tanto?” O meu pai respondeu-lhe calmamente: “Azeite”. O outro fartou-se de rir, comentando que o meu pai estava sempre a brincar.
Passados anos, em pleno Café Paraíso, gabava-se de nunca ter sido enganado. “Nem um chouriço me escapava”. O meu pai perguntou-lhe: “Tem a certeza?” “Claro que tenho a certeza, ninguém me enganou.” Agora imaginem lá, a cara do tipo, quando o meu pai lhe perguntou: “Lembra-se de um dia me ter ajudado a carregar uma mala e me ter perguntado o que era?” “Claro. Você até me disse que era azeite! Está sempre a brincar!” “Pois olhe que nesse dia não estava. Era mesmo azeite.” O homem mudou de cor.
Todo o café se ria. Ele, o que nunca tinha sido enganado, até pegara na asa da mala.
Histórias de meu pai, histórias da minha Tomar velhinha, histórias da minha saudade.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Hoje é com os Patos Bravos




Fui descobrir esta velha revista no baú das coisas velhas.
Será que algum tomarense se lembra dela?
Ao que sei, só saíram três números. Tenho o nº 2.
Chamou-se “Tomar Cultural”. Faziam parte dos seus colaboradores e eram coordenadores, Carlos Carvalheiro, director, fundador e alma, do grupo “Fatias de Cá” e Alfredo Caiano Silvestre, do blog “Notas”, que muitos de vós conhecerão e colaborador de vários outros. Este maroto, abandonou todos os blogs, não responde a mensagens da Maria, que tem saudades das lindas fotos da nossa Tomar velhinha.
Então, alguém se lembra da Revistinha? É de Julho de 81. Vá lá, façam um esforço. Silvestre, responde lá, ao menos hoje.
Os que não são Patos Bravos, podem sempre tentar descobrir, o “Segredo do Gualdim Pais”. Não, não tem nada a ver com esoterismo e está bem à vista.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

domingo, 8 de novembro de 2009

Para Ti







Quase sem palavras, deixo-te um ramo de lírios brancos e a saudade imensa que por ti sinto.

Um beijo, minha querida.






Até um dia destes e façam o favor de ser felizes

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Cãoprimidos


Estranho título, é verdade. Depois de verem a história, saberão porquê.
Logo de manhã, antes, durante e depois do pequeno almoço, tomo cinco comprimidos de várias qualidades. O meu cão toma um, para as artroses. Até os cães velhotes as têm. Ora acontece que os comprimidos do cão, estão próximos dos meus e, são parecidos com umas vitaminas minhas. Já há dias que andava a gozar, dizendo que, “Um dia destes, troco os comprimidos, tenho que os separar”.
Hoje, tomados os que são para tomar em jejum, pus em cima da mesa do pequeno almoço, os outros e os do cão. Distraída e ensonada, tirei o meu comprimido e o do cão, das respectivas pallettes. Peguei no copo de água e tomei o do cão. Achei um bocado estranho, porque o meu tem aquele cheirinho próprio das vitaminas, de que não gosto, mas cheguei à conclusão que, ou tinha o nariz tapado, ou já estava habituada ao cheiro. O pior foi quando reparei que o meu comprimido, ainda estava no mesmo sítio. Fiquei completamente baralhada. Primeiro: o que me iria fazer o medicamento do cão? Segundo: deveria dar o meu comprimido ao cão ou tomá-lo? Terceiro: iria começar a ladrar, ganir, comer porcarias da rua, alçar a perna para fazer chi-chi, pôr-me a lamber as mãos às pessoas?
Já passaram umas horas e nada disto aconteceu. Agora, que as artroses estão melhores, estão. Pelo menos as dores não têm sido muito fortes.
Distraída, eu? Que ideia! Isto já é da idade.
Bom fim de semana.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.
PS: Se notar alguns efeitos secundários, aviso.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Concurso


Fui desafiada pelo meu amigo Antunes Ferreira, para esta brincadeira. É fácil, é barato e... Não dá milhões.
É divertido. Não quebrem a corrente. O único fim é divertir-nos
Beijinhos.
Maria

a) Eu já ........Cheguei à conclusão que a vida é feita de altos e baixos e é nisso que reside a sua graça.

b) Eu nunca..... Fui desleal com um amigo.

c) Eu sei.....Que a a minha vida está a mais de meio, mas quero viver o que me falta o melhor possível.

d) Eu quero.....Ver toda as pessoas sejam felizes.

e) Eu sonho..... Com um mundo sem violência e em que as oportunidades sejam iguais para todos.

Depois de completar o pontilho com as suas resposta indique cinco bloggers para
Dar sequência à brincadeira.


Eles aqui vão:

Corvo http://bloguedocorvo.blogspot.com/

Ana http://claustrodaana.blogspot.com/

Luís Ribeiro http://tomaracidade.blogspot.com/

Girassol http://mariabesuga.blogspot.com/

Zé do cão http://zedocao.blogspot.com/

Divirtam-se. Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.



sábado, 31 de outubro de 2009

Quentes e Boas, Frescas e Perfumadas


Lembrei-me hoje, que no dia um de Novembro, em casa dos meus pais se comiam as primeiras castanhas assadas, ou cozidas com erva doce. Era dia de Pão por Deus. A campainha da porta tocava o dia todo. Eram os meninos a pedir o Pão por Deus. Nós não sabíamos o que era “o dia das bruxas”, não gastávamos dinheiro em mascaradas, não éramos “civilizados”. Bastava-nos um saquitel de pano, ou um pequeno cesto e ala moços e moças que se faz tarde, lá íamos bater às portas amigas e conhecidas, levantar o nosso quinhão. Era marmelada, frutos secos, bolinhos, rebuçados e castanhas. Voltávamos à noitinha, cansados e contentes.
Os que nos batiam à porta, também iam bem servidos. Eram dias de festa, sem grandes gastos.
Mas falando em castanhas, as lembranças vão para Lisboa, para o Rossio, a Rua do Carmo, o Chiado. Nas nossas andanças por essas paragens, eu e a minha prima, a minha Margarida, habituámo-nos a sentir o cheiro da Lisboa Outonal. Cheirava a castanha assada e violetas, duas coisas que ambas adorávamos.
Três raminhos de violetas, um em cada casaco, o terceiro para levar à avózinha, uma dúzia de castanhas, embrulhadas em papel de jornal e, felizes como passarinhos livres, subíamos e descíamos o Chiado, empoleiradas em saltos de agulha, olhando as montras lindas e sonhando um dia, comprar aquelas roupas, as jóias, os perfumes. Eram tardes felizes. Quando conseguíamos ter algum dinheiro, entrávamos na Bénard ou na Versailles, pedíamos um chá e duas chávenas e uma torrada douradinha, que se derretia na boca. Esses, eram os dias de luxo. Os outros, os das castanhas, também eram bons. Cada uma pegava no cartucho à vez, para aquecermos as mãos mal protegidas pelas luvas. Ficávamos quentinhas, consoladas. O passeio acabava à noitinha, voltávamos a casa e a avózinha nem ralhava, porque lhe levávamos violetas, a sua flor querida.
Agora, as castanhas são poucas, caras, metidas em sacos de plástico e das violeteiras, nem sombra. Ficou tudo no passado. A avózinha, a minha Margarida, a juventude. Só ficaram alguns sonhos de que não abro mão. Quais? Não digo, são sonhos meus.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.