terça-feira, 1 de dezembro de 2009

1640


Faz hoje 369 anos, “40 conjurados portugueses, juntaram-se ao povo e proclamaram a Restauração do Reino de Portugal, durante 60 anos sob o jugo espanhol”. Era assim que rezavam os manuais escolares no meu tempo.
Em Tomar, mal a madrugada raiava, os foguetes estalavam, as duas bandas tocavam pela cidade o Hino da Restauração. Havia comemorações oficiais e festas populares. Em casa, havia lições de história, que meu pai, acérrimo inimigo dos espanhóis, nos contava. Belas cenas e frases do dito dia. Era bonito e romântico. D. Filipa de Vilhena armando os imberbes filhos, para lutarem pela restauração da Pátria cativa. D. Luisa de Gusmão, duquesa de Bragança, espanhola de nascimento, incitando o seu hesitante marido a ser Rei, com duas frases que lhe atribuem: “Antes morrer reinando, do que viver servindo” e, “Mais vale ser Rainha uma hora, que Duquesa toda a vida”. Tudo isto era muito bonito e dizia muito à cabecinha louca da Maria.
Hoje pergunto muitas vezes, se valeu a pena.
Mas não era de política que ia falar.
Um ano, por via das deslocações de meu pai, encontravamo-nos no Carregal. Investiguei se havia festejos. Não havia. Então, passaria a haver. Reuni toda a miudagem conhecida, munimo-nos de capas improvisadas, espadas de lata, panelas, colheres de pau, cornetas e, no dia 1 de Dezembro, às 6 e pouco, fomos para baixo da janela do quarto dos meus pais, cantando, em altos gritos, o hino da Restauração acompanhado de um grande alarido. Ele gostava de dormir até tarde. Veio à janela, primeiro com ar zangado, depois, encarou comigo, à frente dos novos restauradores, a cara abriu-se num sorriso enorme e orgulhoso. Eu, fui rainha por um dia.
E hoje? Quem sabe para aí por que é feriado?
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

domingo, 29 de novembro de 2009

É de Noite


É de noite que o passado me procura,
Com as lembranças boas e as más.
É na noite sem estrelas, fria e escura,
Que sonho os sonhos, que o dia me desfaz.

É na noite que busco a mocidade.
É na noite que penso no futuro.
É na noite que sinto mais saudade
Do que não vivi e em vão procuro.

É de noite que o fumo do cigarro,
Me mostra a inconsistência desta vida.
Do mundo que não quero, mas agarro
Porque não sei viver noutra medida.

É de noite que penso: vou morrer!
Vou perder tudo o que tenho e sou.
E é então que mais quero viver
Sem saber como, nem para onde vou.


Maria

É também à noite que fumo o último cigarro do dia. O que mais prazer me dá, talvez por ser de noite.


Para não ter o blogue parado, vai mais uma repetição.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Hoje era dia de escrever


Mas, como me falta a inspiração, a vontade e, ainda por cima, estou com uma neura daquelas, deixo-vos com fotografias variadas da minha linda terra, onde me apetecia estar.
É um lugar lindo, para um Bom Fim de Semana.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aniversários



É assim: Esta cabeça, já teve boa memória.
Agora, já está cansada e baralha data e mês.
Fiz confusão e da grossa, meti as mãos pelos pés
E assim começa a história.

Ontem, dei os parabéns, à minha querida Estrela
Que afinal só faz anos, no décimo nono dia.
Desculpa lá, pequenina, esta falha da Maria
E no dia certo lê, o que para ti eu queria.

Hoje quem trouxe a cegonha, para terras de Tabuaço
Foi o nosso querido Osvaldo, um jovem de sessenta anos,
Bem vividos, sempre em paz, com a vida e os desenganos.
Com a sua Anita ao lado, parabéns, beijo e abraço.

E quem mais trouxe a cegonha neste dia abençoado?
A nossa Pascoalita, linda e boa rapariga
Parabéns, dia feliz, um beijo para ti amiga
Que a vida te dê tudo, o que tiveres desejado.

E pronto. Se me esqueci de alguém por distracção
Não levem a mal por favor. A Maria está velhota
São quase sessenta e cinco. E agora tomem nota:
Falta pouco, muito pouco. E mais não vos digo, não.

Escrito em cima do joelho, desculpem a brincadeira.
Parabéns Osvaldo e Pascoalita. Um abraço, beijinhos e desejos de tudo de bom para vós.

Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Parabéns Estrela de Alva


Para ti, um poema de Florbela Espanca e um milhão de Estrelas.

A Uma Rapariga

Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!

Florbela Espanca - Charneca Em Flor

Beijinhos, minha Estrelinha pequenina e muitos dias felizes.

Até um dia destes e façam o favor de felizes.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Mala de Porão


Havia em casa de meus pais quatro malas dessas, chamadas de Porão. Eram enormes. Tinham servido para o enxoval da minha mãe, serviam na altura para guardar roupas antigas, cobertores, velhos jornais, que meu pai se negava a deitar fora. Uma, estava quase sempre vazia. Só nas férias grandes, quando íamos para a Quinta do Carregal, por três meses, ela servia. Era lá que ia toda a roupa da família.
Ora, nesses tempos, a viagem de Tomar para Ovar era complicada.
Ou apanhávamos o comboio em Tomar, descíamos em Chão de Maçãs (hoje Fátima) e apanhávamos o comboio da linha do Norte, ou íamos de carro, ou charrette até ao Entroncamento, onde apanhávamos o dito combóio. Quase sempre era esta última a viagem escolhida. Viagem longa, chata, cansativa, a desse tempo.
Do Entroncamento a Ovar levava quase um dia, com farnel a meio do caminho, arrufadas em Coimbra e vários sonos embalados pelo andar do combóio e interrompidos pelo som estridente do apito. Enfim, viagens à moda antiga.
Mas não é de viagens que vou falar hoje.
No meu tempo de menina, ainda havia escassez de alguns bens de primeira necessidade. O azeite, por exemplo. Ora, o meu pai sempre teve azeite com fartura. Tinha amigos produtores do mesmo, que lho arranjavam. Já na Quinta, era coisa rara e cara. O meu pai resolveu levar uma enorme lata, para as cunhadas. Havia um problema. No Entrocamento estavam os fiscais. Um deles era terrível. Nada lhe escapava, dizia ele.
A lata foi metida na mala da roupa, a roupa distribuída por outras malas e, toca para o Entroncamento. A minha mãe estava pálida e trémula. O meu pai, como sempre, contava histórias e falava com toda a gente, calmo e sereno. Chega a hora de carregar as bagagens, e o dito fiscal, muito amável, ajudou a carregar a mala para a carruagem das mercadorias e malas grandes. Deita-lhe a mão e pergunta: “Que é que você leva hoje na mala, que pesa tanto?” O meu pai respondeu-lhe calmamente: “Azeite”. O outro fartou-se de rir, comentando que o meu pai estava sempre a brincar.
Passados anos, em pleno Café Paraíso, gabava-se de nunca ter sido enganado. “Nem um chouriço me escapava”. O meu pai perguntou-lhe: “Tem a certeza?” “Claro que tenho a certeza, ninguém me enganou.” Agora imaginem lá, a cara do tipo, quando o meu pai lhe perguntou: “Lembra-se de um dia me ter ajudado a carregar uma mala e me ter perguntado o que era?” “Claro. Você até me disse que era azeite! Está sempre a brincar!” “Pois olhe que nesse dia não estava. Era mesmo azeite.” O homem mudou de cor.
Todo o café se ria. Ele, o que nunca tinha sido enganado, até pegara na asa da mala.
Histórias de meu pai, histórias da minha Tomar velhinha, histórias da minha saudade.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Hoje é com os Patos Bravos




Fui descobrir esta velha revista no baú das coisas velhas.
Será que algum tomarense se lembra dela?
Ao que sei, só saíram três números. Tenho o nº 2.
Chamou-se “Tomar Cultural”. Faziam parte dos seus colaboradores e eram coordenadores, Carlos Carvalheiro, director, fundador e alma, do grupo “Fatias de Cá” e Alfredo Caiano Silvestre, do blog “Notas”, que muitos de vós conhecerão e colaborador de vários outros. Este maroto, abandonou todos os blogs, não responde a mensagens da Maria, que tem saudades das lindas fotos da nossa Tomar velhinha.
Então, alguém se lembra da Revistinha? É de Julho de 81. Vá lá, façam um esforço. Silvestre, responde lá, ao menos hoje.
Os que não são Patos Bravos, podem sempre tentar descobrir, o “Segredo do Gualdim Pais”. Não, não tem nada a ver com esoterismo e está bem à vista.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.