sábado, 19 de dezembro de 2009

Mulheres de Pescadores


Mais dois pescadores morreram no mar, desta vez na Foz do Neiva.
Dois irmãos, uma Mãe a quem o mar roubou dois filhos.
Nunca é demais, falar da vida triste, pobre e arriscada, destes verdadeiros “Heróis do Mar”. Nunca é demais, falar destas mulheres, que além da dor de perder filhos, maridos e pais, ficam sem amparo.
Por isso, é delas que vos falo hoje, com a tristeza de quem as conheceu bem e sente com elas essa mágoa enorme.

Morrer no Mar

O Mar lhes deu o pão e lho tirou.
O Mar foi sua vida e sua morte.
Foi berço de embalar e foi caixão.
Traçou-lhes toda a vida e toda a sorte.

Foi nele que cresceram, que viveram.
Foi dele que tiraram pão e abrigo.
Foi seu patrão, seu dono, seu amigo.
Foi nele que sonharam e nele que morreram.

Alguns, o Mar não quis e deitou fora,
Mortos ou vivos, voltaram para a praia.
Aos outros qui-los seus e, os guardou.

Em terra, uma mulher seu homem chora.
É negro o lenço, a blusa, o xaile, a saia,
Porque o pescador partiu e, não voltou.

Maria


Até um dia destes.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Maria Chorona


Maria Chorona lhe chamou alguém,
Por tudo e por nada, Maria chorava.
Chorava por mal, chorava por bem.
Seu choro era fonte que nada secava.

E às vezes a mãe, experiente da vida,
Dizia entre afagos: não chores Maria,
As lágrimas secam e um dia, querida
Tu vais-te lembrar do que eu te dizia.

E tonta a Maria chorava, chorava,
Chorava por tudo, chorava por nada,
Pensando que a fonte nunca mais secava.

Maria Chorona já não chora agora.
Dos olhos não vem a lágrima esperada
E sofre a Maria, mas chorar, não chora.

Maria 2009


Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Desterrada




Com os olhos de criança é que te vejo
Minha terra, meu berço de embalar,
Minha infância feliz, minha esperança,
Meu desejo constante de voltar.

Meu convento de sonho, meu rio verde
Correndo, como eu no teu jardim,
Minha lembrança que jamais se perde,
Meus sonhos de menina sem ter fim.

No dia que eu morrer irei lembrar
Todos os que amei e já perdi
E aqueles que ainda cá estão.

E, se virem, no meu rosto correr água,
Não pensem que são lágrimas de mágoa
São salpicos da Roda do Mouchão.

Hoje faço 65 anos. Tive a alegria de ver de novo o meu irmão. Foi um momento apenas, mas que me fez ganhar o dia.
Depois, lembrei-me da minha (nossa) terra, do rio, de duas figuras incontornáveis, nascidas em Tomar, como eu.
Nas margens do mesmo rio fomos meninos. Eles, foram grandes homens. Eu, a Maria pequenina, frágil de corpo e alma, ao pé dos dois mestres, mas com o mesmo amor pela terra que nos foi berço.

Eles que me perdoem, a singela homenagem, aos dois e ao nosso Nabão.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes. Eu hoje fui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

1640


Faz hoje 369 anos, “40 conjurados portugueses, juntaram-se ao povo e proclamaram a Restauração do Reino de Portugal, durante 60 anos sob o jugo espanhol”. Era assim que rezavam os manuais escolares no meu tempo.
Em Tomar, mal a madrugada raiava, os foguetes estalavam, as duas bandas tocavam pela cidade o Hino da Restauração. Havia comemorações oficiais e festas populares. Em casa, havia lições de história, que meu pai, acérrimo inimigo dos espanhóis, nos contava. Belas cenas e frases do dito dia. Era bonito e romântico. D. Filipa de Vilhena armando os imberbes filhos, para lutarem pela restauração da Pátria cativa. D. Luisa de Gusmão, duquesa de Bragança, espanhola de nascimento, incitando o seu hesitante marido a ser Rei, com duas frases que lhe atribuem: “Antes morrer reinando, do que viver servindo” e, “Mais vale ser Rainha uma hora, que Duquesa toda a vida”. Tudo isto era muito bonito e dizia muito à cabecinha louca da Maria.
Hoje pergunto muitas vezes, se valeu a pena.
Mas não era de política que ia falar.
Um ano, por via das deslocações de meu pai, encontravamo-nos no Carregal. Investiguei se havia festejos. Não havia. Então, passaria a haver. Reuni toda a miudagem conhecida, munimo-nos de capas improvisadas, espadas de lata, panelas, colheres de pau, cornetas e, no dia 1 de Dezembro, às 6 e pouco, fomos para baixo da janela do quarto dos meus pais, cantando, em altos gritos, o hino da Restauração acompanhado de um grande alarido. Ele gostava de dormir até tarde. Veio à janela, primeiro com ar zangado, depois, encarou comigo, à frente dos novos restauradores, a cara abriu-se num sorriso enorme e orgulhoso. Eu, fui rainha por um dia.
E hoje? Quem sabe para aí por que é feriado?
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

domingo, 29 de novembro de 2009

É de Noite


É de noite que o passado me procura,
Com as lembranças boas e as más.
É na noite sem estrelas, fria e escura,
Que sonho os sonhos, que o dia me desfaz.

É na noite que busco a mocidade.
É na noite que penso no futuro.
É na noite que sinto mais saudade
Do que não vivi e em vão procuro.

É de noite que o fumo do cigarro,
Me mostra a inconsistência desta vida.
Do mundo que não quero, mas agarro
Porque não sei viver noutra medida.

É de noite que penso: vou morrer!
Vou perder tudo o que tenho e sou.
E é então que mais quero viver
Sem saber como, nem para onde vou.


Maria

É também à noite que fumo o último cigarro do dia. O que mais prazer me dá, talvez por ser de noite.


Para não ter o blogue parado, vai mais uma repetição.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Hoje era dia de escrever


Mas, como me falta a inspiração, a vontade e, ainda por cima, estou com uma neura daquelas, deixo-vos com fotografias variadas da minha linda terra, onde me apetecia estar.
É um lugar lindo, para um Bom Fim de Semana.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aniversários



É assim: Esta cabeça, já teve boa memória.
Agora, já está cansada e baralha data e mês.
Fiz confusão e da grossa, meti as mãos pelos pés
E assim começa a história.

Ontem, dei os parabéns, à minha querida Estrela
Que afinal só faz anos, no décimo nono dia.
Desculpa lá, pequenina, esta falha da Maria
E no dia certo lê, o que para ti eu queria.

Hoje quem trouxe a cegonha, para terras de Tabuaço
Foi o nosso querido Osvaldo, um jovem de sessenta anos,
Bem vividos, sempre em paz, com a vida e os desenganos.
Com a sua Anita ao lado, parabéns, beijo e abraço.

E quem mais trouxe a cegonha neste dia abençoado?
A nossa Pascoalita, linda e boa rapariga
Parabéns, dia feliz, um beijo para ti amiga
Que a vida te dê tudo, o que tiveres desejado.

E pronto. Se me esqueci de alguém por distracção
Não levem a mal por favor. A Maria está velhota
São quase sessenta e cinco. E agora tomem nota:
Falta pouco, muito pouco. E mais não vos digo, não.

Escrito em cima do joelho, desculpem a brincadeira.
Parabéns Osvaldo e Pascoalita. Um abraço, beijinhos e desejos de tudo de bom para vós.

Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.