
Faz hoje 369 anos, “40 conjurados portugueses, juntaram-se ao povo e proclamaram a Restauração do Reino de Portugal, durante 60 anos sob o jugo espanhol”. Era assim que rezavam os manuais escolares no meu tempo.
Em Tomar, mal a madrugada raiava, os foguetes estalavam, as duas bandas tocavam pela cidade o Hino da Restauração. Havia comemorações oficiais e festas populares. Em casa, havia lições de história, que meu pai, acérrimo inimigo dos espanhóis, nos contava. Belas cenas e frases do dito dia. Era bonito e romântico. D. Filipa de Vilhena armando os imberbes filhos, para lutarem pela restauração da Pátria cativa. D. Luisa de Gusmão, duquesa de Bragança, espanhola de nascimento, incitando o seu hesitante marido a ser Rei, com duas frases que lhe atribuem: “Antes morrer reinando, do que viver servindo” e, “Mais vale ser Rainha uma hora, que Duquesa toda a vida”. Tudo isto era muito bonito e dizia muito à cabecinha louca da Maria.
Hoje pergunto muitas vezes, se valeu a pena.
Mas não era de política que ia falar.
Um ano, por via das deslocações de meu pai, encontravamo-nos no Carregal. Investiguei se havia festejos. Não havia. Então, passaria a haver. Reuni toda a miudagem conhecida, munimo-nos de capas improvisadas, espadas de lata, panelas, colheres de pau, cornetas e, no dia 1 de Dezembro, às 6 e pouco, fomos para baixo da janela do quarto dos meus pais, cantando, em altos gritos, o hino da Restauração acompanhado de um grande alarido. Ele gostava de dormir até tarde. Veio à janela, primeiro com ar zangado, depois, encarou comigo, à frente dos novos restauradores, a cara abriu-se num sorriso enorme e orgulhoso. Eu, fui rainha por um dia.
E hoje? Quem sabe para aí por que é feriado?
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.