Nunca aqui falei em política. É um tema controverso, que não se enquadra no espírito do meu Blog e de que não gosto. Política, futebol e religião, cada um tem a sua e o meu respeito por todas as ideias, leva-me a não falar disso. Além de tudo, não entendo nada de política e sinceramente, enoja-me cada vez mais. Por isso vou ser breve.
De há muitos anos, tenho um respeito muito grande pelo Doutor. A sua vida e obra, que tenho seguido, transformou-o num ser de outro Planeta para mim.
Ontem fiquei estupefacta. O meu Doutor ia anunciar a candidatura à Presidência da República.
Da Wikipédia copiei esta Biografia dele.
“A Vida
Nasceu em Angola, em 1951. Aos 12 foi viver para o Congo. No total foram 16 anos em África. Estudou na Bélgica, onde acabou por passar cerca de 20 anos na capital Bruxelas
Desde que se recorda sempre quis ser médico. Fez primeiro toda a especialidade em cirurgia geral e urologia. Dezasseis anos de formação especifica, para optar pela medicina humanitária e desistir da ideia de ser professor na Faculdade de Medicina.
A 19 de Fevereiro de 2010 , no Padrão dos Descobrimentos em Lisboa, apresentou a sua candidatura à Presidência da República Portuguesa.
Participou nos Médicos Sem Fronteiras entre 1977 e 1983. É actualmente o Presidente Assistência Médica Internacional. Já participou em mais de 100 missões de ajuda humanitária
Fernando Nobre está sempre pronto a partir em missões de emergência médica, ou para 'visitar os projectos permanentes da AMI. É sempre em Portugal o primeiro a mandar ajuda em caso de catástrofe natural.
Fernando Nobre chegou ao 25º lugar da lista de "Os Grandes Portugueses", programa da RTP1.
Wikipédia
Doutor:
Que aconteceu, para depois de ter dedicado toda uma vida, a ajudar os mais necessitados, depois de ter patinhado entre os escombros de terras destruídas, de ter patinhado no “sangue, suor e lágrimas” desses povos, que tanto precisam de si, ir agora meter-se no pântano nojento e mal cheiroso da política?
Depois de um poeta, um Humanista? Que desilusão, Doutor.
Desista. Pois não vê, que vai perder todo o prestígio de uma vida inteira?
Já meti demais a foice em seara alheia. É claro, que o Doutor tem todo o direito de querer ser candidato. Mas também é claro, que eu tenho o direito de não concordar e me sentir desiludida.
Com todo o respeito e admiração que ainda me merece.
Maria
Nós, até um dia destes.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Sem Abrigo encontrado morto
Eu sei que a minha volta, deveria ser um agradecimento aos meus queridos amigos, pela ternura e ajuda que me deram. Foram todos amorosos, tentaram dar-me força numa altura muito má da minha vida. Sei também, que deveria contar o que se passou. Depois de médicos, exames, análises, parece que tudo se resolverá, com medicamentos, calma e um pouco de paciência. Feitas as explicações, vamos à história de hoje, que não é alegre, como poderão ver pelo nome. Não tem fotos. A miséria, todos a conhecem e, não tem rosto, nem nacionalidade.
No Jornal “O Templário”, semanário da minha terra, vem este título na primeira página. Eu sei que isto acontece todos os dias, em qualquer lugar. Mas em Tomar, na Tomar que conheci, não acontecia. O “meu capitão Oliveira”, de quem já falei várias vezes, por várias razões, não deixaria que isto acontecesse. Era Salazarista sim. Tinha uma relação de amizade com o meu pai, que odiava o Salazar e isso fazia-me uma certa confusão. É que, mais que Salazarista, “o meu capitão” era tomarense. Fez daquela terra um jardim, mas não só. Uma das suas obras foi a casa dos pobres, onde homens e mulheres encontravam abrigo, num ambiente acolhedor e simples, com horta e criação, que além de lhes dar trabalho, era uma ajuda para a manutenção da casa. Os que viviam cá fora, iam lá buscar o alimento de que necessitavam. Havia pobres em Tomar. Talvez os mais velhos se recordem de alguns: O Martinho, que lá vivia, o Troca a Nota, o D. Inês, o Jeitoso e a irmã, sei lá. Nunca me lembro de nenhum ter morrido assim.
Agora, um pobre paquistanês, que vivia em Tomar há muito tempo, apareceu morto numa lixeira, meio roído pelos ratos. Vivia numa casa sem portas nem janelas, davam-lhe de comer e dinheiro, que gastava em vinho. Desapareceu, e ninguém se preocupou muito. Apareceu, no estado que eu já disse: morto, numa lixeira e roído pelos ratos. Será que isto acontecia no tempo do “Capitão”? Deixem-me duvidar. Já nada é o que era dantes. Onde está a minha terra? Onde os seus jardins, as pedras do chão, a janela do Convento suja, mas inteira? Onde os homens como o Salazarista “Capitão Oliveira”, que por acaso, foi general e Director Geral da Polícia?
Na última vez que fui ao cemitério, não tinha uma flor. O mini-monumento, que lhe fizeram, é mais pequeno do que o bebedouro de pássaros que tem à frente.
O “meu Capitão” merecia mais, gente da minha terra. Perdoem-lhe o Salazarismo e, lembrem-se do Tomarense que ele foi.
E pronto. Voltei. Com uma história triste, mas que me fez lembrar alguém, que merecia mais dos seus conterrâneos.
Beijinhos e obrigada a todos.
Até um dia destes.
No Jornal “O Templário”, semanário da minha terra, vem este título na primeira página. Eu sei que isto acontece todos os dias, em qualquer lugar. Mas em Tomar, na Tomar que conheci, não acontecia. O “meu capitão Oliveira”, de quem já falei várias vezes, por várias razões, não deixaria que isto acontecesse. Era Salazarista sim. Tinha uma relação de amizade com o meu pai, que odiava o Salazar e isso fazia-me uma certa confusão. É que, mais que Salazarista, “o meu capitão” era tomarense. Fez daquela terra um jardim, mas não só. Uma das suas obras foi a casa dos pobres, onde homens e mulheres encontravam abrigo, num ambiente acolhedor e simples, com horta e criação, que além de lhes dar trabalho, era uma ajuda para a manutenção da casa. Os que viviam cá fora, iam lá buscar o alimento de que necessitavam. Havia pobres em Tomar. Talvez os mais velhos se recordem de alguns: O Martinho, que lá vivia, o Troca a Nota, o D. Inês, o Jeitoso e a irmã, sei lá. Nunca me lembro de nenhum ter morrido assim.
Agora, um pobre paquistanês, que vivia em Tomar há muito tempo, apareceu morto numa lixeira, meio roído pelos ratos. Vivia numa casa sem portas nem janelas, davam-lhe de comer e dinheiro, que gastava em vinho. Desapareceu, e ninguém se preocupou muito. Apareceu, no estado que eu já disse: morto, numa lixeira e roído pelos ratos. Será que isto acontecia no tempo do “Capitão”? Deixem-me duvidar. Já nada é o que era dantes. Onde está a minha terra? Onde os seus jardins, as pedras do chão, a janela do Convento suja, mas inteira? Onde os homens como o Salazarista “Capitão Oliveira”, que por acaso, foi general e Director Geral da Polícia?
Na última vez que fui ao cemitério, não tinha uma flor. O mini-monumento, que lhe fizeram, é mais pequeno do que o bebedouro de pássaros que tem à frente.
O “meu Capitão” merecia mais, gente da minha terra. Perdoem-lhe o Salazarismo e, lembrem-se do Tomarense que ele foi.
E pronto. Voltei. Com uma história triste, mas que me fez lembrar alguém, que merecia mais dos seus conterrâneos.
Beijinhos e obrigada a todos.
Até um dia destes.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Até um dia destes
Vou encostar a porta de mansinho, parar por algum tempo.
Vou voltar, prometo, mas não sei quando.
Como se costuma dizer, não tenho dia, nem mês marcado. Pode ser daqui por quinze dias, um mês, não sei.
Razões de saúde, a isso me levam.
Continuarei a vir aos vossos blogs, farei comentários, lerei os mails.
Não quero perder-vos, daí esta curta explicação. A Maria continua aqui, mas está doente. Logo que esteja bem, volto. É uma promessa.
Por isso, abraços grandes e beijinhos para todos e...
Até um dia destes.
Vou voltar, prometo, mas não sei quando.
Como se costuma dizer, não tenho dia, nem mês marcado. Pode ser daqui por quinze dias, um mês, não sei.
Razões de saúde, a isso me levam.
Continuarei a vir aos vossos blogs, farei comentários, lerei os mails.
Não quero perder-vos, daí esta curta explicação. A Maria continua aqui, mas está doente. Logo que esteja bem, volto. É uma promessa.
Por isso, abraços grandes e beijinhos para todos e...
Até um dia destes.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O galo que não queria morrer

O nosso amigo Zé do Cão, levou-me tão longe com a história do peru, que não resisto a contar uma passada com um galo, que não queria morrer.
Foi há muitos anos. Eu teria 5, talvez. Morávamos ainda, na velha casa onde nasci. A cozinha era grande, com soalho de tábuas corridas e alguns ladrilhos junto da lareira. Um dia, deram ao meu pai um belo galo, crista vermelha, boas goelas. O bicho, metido num caixote, asas presas, olhava para nós com ar sobranceiro, como se interroga-se o que fazia ali, tão longe do seu galinheiro natal e das suas galinhas. De vez em quando, abria as goelas e lançava para o ar um grito de protesto.
A minha mãe, tal como eu, nunca foi capaz de matar um animal. A mocinha, que ajudava lá em casa, negava-se a cortar o pescoço ao galo, porque tinha medo dos olhos dele. A minha mãe pediu ao meu pai para antes de sair, tratar da saúde ao bicho. Ele disse que sim, mas esqueceu-se. A mãe, tinha o nariz arrebitado e era orgulhosa, não pediu segunda vez. Mandou a moça pôr o panelão de água ao lume, para dar o banho póstumo ao galo, muniu-se do maior facão que tinha, pôs o dito dentro de um alguidar de barro e, vá de cortar o pescoço. Aí começou a tragédia. Só cortou metade. O desgraçado, cabeça pendurada, sangue a espirrar por todo o lado, esvoaçou pela cozinha, deixando sangue e dejectos por onde passava. Em desespero, a mãe mandou a moça chamar o meu pai ao emprego, ali ao virar da esquina. Entretanto havia loiça partida, a cozinha metia nojo e, ele continuava no seu esvoaçar de adeus sem se deixar agarrar. Por fim, o pai chegou, agarrou o galo e, de um golpe, cortou o pescoço todo.
Galo morto, metido no alguidar e escaldado, o resto do dia foi passado a reparar os estragos. Os móveis e o chão de madeira, foram esfregados, vezes sem conta, com sabão amarelo, potassa, muitas águas e uma escova de barbas rijas. Levou tempo até tudo ficar em ordem.
O galo era velho. Não havia panelas de pressão. Quando à noite o fomos comer, estava rijo como pedras. Foi a vingança dele, acho.
Vês Zé, o que as tuas histórias fizeram?
De alguidares, falaremos noutro dia.
Até um dia destes.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Mariana

Não conheço, pessoalmente, a Mariana Palavra, mas conheço bem a família dela.
Vareira, jornalista, 31 anos. No Haiti durante o terrível sismo, a sua voz e imagem, aparecem em todos os noticiários.
As nossas famílias foram sempre íntimas. A tia é uma das minhas melhores amigas. Há dias, tínhamos falado da Mariana. Quando ouvi a notícia do sinistro, foi a primeira pessoa que me veio à ideia.
Apressei-me a telefonar à tia e, esta disse-me que ela estava viva e bem fisicamente. Deveria voltar breve.
Depois, vi a Mariana e ouvi-lhe a voz. Uma voz aparentemente calma. Falava dos amigos que perdeu, daqueles de que não sabia o paradeiro, do horror que presenciava.
Hoje, ao ler as notícias, vi que a Mariana vai ficar lá, onde precisam dela, diz.
Sabe-se lá porquê, não fiquei admirada. Talvez porque sei de que fibra é aquela família feita. Apreensiva, sim. A mãe, a tia, os irmãos, devem estar em pânico. Esperavam a volta dela, para a acarinhar e, fazer esquecer um pouco, o pavor que viveu e continua a viver. Mas devem estar muito orgulhosos também. Eu estou.
Mariana, não nos conhecemos, mas de agora em diante, entraste na minha galeria de heróis e heroínas.
Talvez um dia, os nossos caminhos se cruzem. Gostava de te abraçar, de te dizer tudo o que em mim provocaste.
Obrigada Mariana Palavra. Tu és a prova de que afinal, a tua geração não é a “Geração Rasca”. Ainda há muita gente boa e muita mulher valente.
Até um dia destes.
Vareira, jornalista, 31 anos. No Haiti durante o terrível sismo, a sua voz e imagem, aparecem em todos os noticiários.
As nossas famílias foram sempre íntimas. A tia é uma das minhas melhores amigas. Há dias, tínhamos falado da Mariana. Quando ouvi a notícia do sinistro, foi a primeira pessoa que me veio à ideia.
Apressei-me a telefonar à tia e, esta disse-me que ela estava viva e bem fisicamente. Deveria voltar breve.
Depois, vi a Mariana e ouvi-lhe a voz. Uma voz aparentemente calma. Falava dos amigos que perdeu, daqueles de que não sabia o paradeiro, do horror que presenciava.
Hoje, ao ler as notícias, vi que a Mariana vai ficar lá, onde precisam dela, diz.
Sabe-se lá porquê, não fiquei admirada. Talvez porque sei de que fibra é aquela família feita. Apreensiva, sim. A mãe, a tia, os irmãos, devem estar em pânico. Esperavam a volta dela, para a acarinhar e, fazer esquecer um pouco, o pavor que viveu e continua a viver. Mas devem estar muito orgulhosos também. Eu estou.
Mariana, não nos conhecemos, mas de agora em diante, entraste na minha galeria de heróis e heroínas.
Talvez um dia, os nossos caminhos se cruzem. Gostava de te abraçar, de te dizer tudo o que em mim provocaste.
Obrigada Mariana Palavra. Tu és a prova de que afinal, a tua geração não é a “Geração Rasca”. Ainda há muita gente boa e muita mulher valente.
Até um dia destes.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Miúdos em dias de chuva

Hoje, falando com o meu filho mais velho, ele queixava-se que, o filho com onze anos se molhava de propósito. Isto transportou-me para muito tempo atrás, quando tinha a mesma idade e até mais anos.
Quando mudamos de casa em Tomar, fomos morar para um prédio acabadinho de fazer, na então parte Nova da Cidade. As ruas ainda não estavam feitas, eram barrentas, cheias de buracos, que com a chuva se tornavam poças de água. Da casa onde morava até à Escola que frequentava, era perto. Tinha, então, um belo impermeável vindo de Espanha, branco, com carapuço e quase até aos pés. Usava botas de carneira com tachas nas solas e, claro, um guarda-chuva, que eu usava para tudo, menos para me abrigar da dita chuva. Os pés, fosse porque razão fosse, entravam em todas as poças. Algumas eram fundas e, a água entrava pelo cano baixo das botas. O capuz, nunca cobria a cabeça. O gozo de sentir a água escorrer cara e tranças abaixo, era imenso. Chegava a casa feita pinto molhado. Claro que ouvia raspanete. Claro que apanhei algumas constipações. Mas o prazer de sentir a chuva na cabeça e na cara, patinhar em tudo quanto era buraco, faziam-me esquecer o resto. As tranças molhadas a bater-me no rosto, a sensação de liberdade de as ver dançar ao vento, como cordas molhadas, são lembranças que não esquecem. Agora, fujo da chuva e do vento e nem me atrevo a enfrentá-los. Mas aquele prazer está na minha memória marcado como uma lembrança muito boa.
Por isso entendo o meu puto. Que importa uma constipação, comparada com a liberdade de apanhar uma valente carga de água?
Afinal, as crianças não mudaram assim tanto. E eu, pelos vistos, continuo, por dentro, a ser a “trancinhas” maluca, garota, que tem uma pena danada de já não ter coragem de se meter debaixo de chuva, com os pés dentro de água e um guarda-chuva fechado na mão.
Até um dia destes.
Quando mudamos de casa em Tomar, fomos morar para um prédio acabadinho de fazer, na então parte Nova da Cidade. As ruas ainda não estavam feitas, eram barrentas, cheias de buracos, que com a chuva se tornavam poças de água. Da casa onde morava até à Escola que frequentava, era perto. Tinha, então, um belo impermeável vindo de Espanha, branco, com carapuço e quase até aos pés. Usava botas de carneira com tachas nas solas e, claro, um guarda-chuva, que eu usava para tudo, menos para me abrigar da dita chuva. Os pés, fosse porque razão fosse, entravam em todas as poças. Algumas eram fundas e, a água entrava pelo cano baixo das botas. O capuz, nunca cobria a cabeça. O gozo de sentir a água escorrer cara e tranças abaixo, era imenso. Chegava a casa feita pinto molhado. Claro que ouvia raspanete. Claro que apanhei algumas constipações. Mas o prazer de sentir a chuva na cabeça e na cara, patinhar em tudo quanto era buraco, faziam-me esquecer o resto. As tranças molhadas a bater-me no rosto, a sensação de liberdade de as ver dançar ao vento, como cordas molhadas, são lembranças que não esquecem. Agora, fujo da chuva e do vento e nem me atrevo a enfrentá-los. Mas aquele prazer está na minha memória marcado como uma lembrança muito boa.
Por isso entendo o meu puto. Que importa uma constipação, comparada com a liberdade de apanhar uma valente carga de água?
Afinal, as crianças não mudaram assim tanto. E eu, pelos vistos, continuo, por dentro, a ser a “trancinhas” maluca, garota, que tem uma pena danada de já não ter coragem de se meter debaixo de chuva, com os pés dentro de água e um guarda-chuva fechado na mão.
Até um dia destes.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Meu Neto
Há onze anos, à uma hora e um quarto, tive uma prenda das mais lindas que até hoje recebi.
Na noite gelada, depois de umas horas de ansiedade por ti e pela tua mãe, nasceste. Já era a quinta vez, que tinha uma prenda dessas, um bebé. O primeiro, o teu pai, depois a ti-ti e o padrinho, de seguida a minha primeira neta, naquele momento, tu.
Um menino lindo, perfeito, um misto de boneco e anjo.
Passados três meses, novo presente. Os teus pais emprestaram-te à avó. Foram dois anos muito felizes. Voltar a ter um bebé nos braços, acalenta-lo com velhas canções de embalar, que ainda lembras, ver-te crescer, esperto, alegre, meigo, ouvir-te as primeiras palavras. Estas, fazem-me sempre rir. O Nabão, teu companheiro e guarda, ladrava e, eu dizia: “Cala-te cão”. Um dia, ele ladrou e, antes de eu dizer nada, ouvi a tua voz de bebé: “Caa cão”. Chorei e ri ao mesmo tempo.
A vida afastou-nos. Foste para mais longe e, o sonho acabou. Quando cá estás, ainda pedes ao deitar: “Canta a da Estrelinha, avó”. E, de novo baixinho, canto para ti, a “Canção de Embalar” do Zeca Afonso. Até quando vais pedi-la? Hoje fazes 11 anos. E é por isso, que tudo me vem à ideia. Porque me lembro, que foste e és, o último bebé que embalei com ternura e força de mãe. Agora, já não tenho força, mas ainda te posso cantar: “Dorme meu menino, a Estrela d’alva, já a procurei e não a vi, outra que vier de madrugada, outra que eu souber, será para ti.” Queria dar-te, a ti e à tua prima, todas as estrelas do céu e, um mundo onde fosse fácil viver.
Vou mandar-te a “Canção da Estrelinha”, não cantada por mim, mas pelo seu autor.
Beijinhos, coceguinhas na orelhinha, um dia muito feliz, meu neto.
A tua avó continua a adorar-te.
Agradeço aos teus pais, esses dois anos, que nunca esquecerei.
Bom Ano Novo para os três, é o que mais deseja a mãe e avó.
Maria
Subscrever:
Mensagens (Atom)