
Passou-se há cerca de 40 anos, tendo como personagens centrais uma tábua avariada, duas mulheres à beira de um ataque de nervos, um homem que não tinha jeito nenhum para arranjar coisas.
A praia dele era mais a contabilidade e a pesca desportiva.
As mulheres eram a minha sogra e eu, o homem o meu sogro. Temos mais uma tábua quase a partir, um monte de roupa de 3 homens, 2 mulheres e 2 crianças, que ainda usavam fraldas de pano.
A cena passa-se numa cozinha, com a tábua a entortar toda, eu sem fraldas passadas para as crancinhas, a minha sogra tentando resolver o caso por aquela noite. Amanhã, dizia ela, vamos comprar uma tábua, isto se o João, o artista claro, não conseguir dar aqui um jeito, até ao fim do mês. Estávamos nesta conversa, vem o meu sogro, o tal com jeito para a pesca, que ferido nos seus brios de macho, nos declarou com ar de troça: Realmente para pregar dois pregos, é preciso esperar o técnico! Foi buscar o martelo, uns pregos enormes, virou a tábua e... a minha sogra ia dizendo para ele ir ver as notícias, ler o jornal, descansar... Nada o demoveu. Tábua de pés para o ar, martelo na mão, pregos na boca e um na outra mão e zás! Primeira martelada no dedo, primeiro irra! (o maior palavrão que alguma vez lhe ouvi). Segunda martelada no dedo, segundo irra! Acompanhado de rais parta a tábua. Respirou fundo, preparou o martelo, apontou o prego e terceira martelada no dedo. Foi o fim. Com uma fúria que nunca lhe vira, saltou em cima da tábua até a partir toda, enquanto repetia a frase destas ocasiões: “Só a mim é que acontecem estas coisas”. Eu e a minha sogra, esquecidas da roupa para passar, riamos a bandeiras despregadas, o que piorava a situação. Por fim, foi-se embora, deitando o fumo do cigarro, que entretanto substituíra os pregos, por todos os lados.
Nós, sempre a rir, arrumámos aquela bagunça toda, ainda passei as fraldas, não me lembro como.
No dia seguinte saiu cedo. Passada meia hora, vieram entregar uma tábua novinha em folha, de metal. Nós estávamos a contar a história ao meu marido. Ao almoço é que foram elas. Ele sério e calado, nós todos a tentar reprimir o riso.
E foi esta a tragédia da tábua de passar, que acabou no lixo, única vitima do ataque de mau génio, do meu querido sogro, que tinha muito jeito para a pesca.
Até um dia destes.
A praia dele era mais a contabilidade e a pesca desportiva.
As mulheres eram a minha sogra e eu, o homem o meu sogro. Temos mais uma tábua quase a partir, um monte de roupa de 3 homens, 2 mulheres e 2 crianças, que ainda usavam fraldas de pano.
A cena passa-se numa cozinha, com a tábua a entortar toda, eu sem fraldas passadas para as crancinhas, a minha sogra tentando resolver o caso por aquela noite. Amanhã, dizia ela, vamos comprar uma tábua, isto se o João, o artista claro, não conseguir dar aqui um jeito, até ao fim do mês. Estávamos nesta conversa, vem o meu sogro, o tal com jeito para a pesca, que ferido nos seus brios de macho, nos declarou com ar de troça: Realmente para pregar dois pregos, é preciso esperar o técnico! Foi buscar o martelo, uns pregos enormes, virou a tábua e... a minha sogra ia dizendo para ele ir ver as notícias, ler o jornal, descansar... Nada o demoveu. Tábua de pés para o ar, martelo na mão, pregos na boca e um na outra mão e zás! Primeira martelada no dedo, primeiro irra! (o maior palavrão que alguma vez lhe ouvi). Segunda martelada no dedo, segundo irra! Acompanhado de rais parta a tábua. Respirou fundo, preparou o martelo, apontou o prego e terceira martelada no dedo. Foi o fim. Com uma fúria que nunca lhe vira, saltou em cima da tábua até a partir toda, enquanto repetia a frase destas ocasiões: “Só a mim é que acontecem estas coisas”. Eu e a minha sogra, esquecidas da roupa para passar, riamos a bandeiras despregadas, o que piorava a situação. Por fim, foi-se embora, deitando o fumo do cigarro, que entretanto substituíra os pregos, por todos os lados.
Nós, sempre a rir, arrumámos aquela bagunça toda, ainda passei as fraldas, não me lembro como.
No dia seguinte saiu cedo. Passada meia hora, vieram entregar uma tábua novinha em folha, de metal. Nós estávamos a contar a história ao meu marido. Ao almoço é que foram elas. Ele sério e calado, nós todos a tentar reprimir o riso.
E foi esta a tragédia da tábua de passar, que acabou no lixo, única vitima do ataque de mau génio, do meu querido sogro, que tinha muito jeito para a pesca.
Até um dia destes.


