sábado, 6 de agosto de 2011

Um Poeta Esquecido

José Régio dito por João Villaret.
Quem se lembra deles?
Até um dia destes

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Hoje Avó, sou eu que conto a história


Minha Avó
Quando era pequena, gostava que tu me contasses histórias. As das princesas que casavam com príncipes, tinham muitos meninos, moravam em belos palácios e, viviam felizes para sempre.
Quando já mais crescida te pedia histórias, a resposta era, às vezes: “Minha neta, queria que casasses com um homem bom, que tivesses meninos, que tivesses a tua casinha e, fosses feliz.”
A vida deu-me um marido bom (tu sabes), três meninos, dos quais tu ainda conheceste dois, uma casa alugada e quase vazia. Fui feliz mesmo assim. Agora, Avó querida, outra parte do teu desejo realizou-se: a casa é minha. Paguei-a ontem.
Já tenho a casa cheia, mais dois meninos, os meus lindos netos, só falta “ser feliz para sempre”. Ninguém é inteiramente feliz, nem feliz para sempre. Mas estou contente Avó.
Olha Avó, tudo o que me desejaste se cumpriu. Esta é a tua prenda de anos.
A tua benção, minha Avó.
Tua
Neta.

Kim, amigo
Beijinho pelo dia.
Até um dia destes
Maria

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A minha Pátria é a língua portuguesa


“Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje ia relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico.- a minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio minhaque sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem nãosabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.”
(Transcrito da Wikipédia )

Fernando Pessoa

Isto disse Fernando Pessoa. Eu concordo.
Que diria o poeta agora, vendo a língua portuguesa tratada da maneira que é? Talvez o estudioso do ocultismo, tivesse a premonição de que Pátria ia ficar no estado da língua. Isto é: Um verdadeiro caos.
Mantive de propósito a escrita de Pessoa, sem correcção.
Até um dia destes.
Maria

terça-feira, 5 de julho de 2011

Madalena, minha irmã Madalena


Relendo um livro da Alice Vieira, lembrei-me de nós.
Claro que há diferenças. Ela tinha 10 anos quando a irmã nasceu, eu tinha 2 quando nasceste. Esperava pelo “meu bebé” com ansiedade. Já tinha um mano que adorava, tinha tido uma irmã que não conheci. Aquele bebé que me tinham prometido, era um sonho.
Mexia, chorava, comia, chuchava no dedo polegar e, era linda! Olhos grandes e lindos, nariz arrebitado, careca ( depois vieram os caracóis que te faziam parecer uma bonequinha). Eu, do alto dos meus 2 anos, tomei-te sob a minha protecção e, não gostava que te tocassem. O bebé era meu. Conhecias-me bem. Mais tarde, chamavas-me “mãesinha pequenina”.
Crescemos os três. Eras esperta, ladina, alegre e senhora do teu nariz.
Às vezes, eu e o mano, armávamos a casinha das bonecas debaixo da mesa e, pedíamos a Deus que dormisses uma grande sesta. Quando acordavas, começava a revolução. Enquanto nós te tentávamos convencer a ser a filha, tu decretavas que eras a “criada” e, tomavas conta de tudo.
Crescemos lado a lado, dormimos no mesmo quarto, partilhámos brincadeiras e bulhas. Sempre juntas, sempre irmãs.
Depois, a vida levou uma para cada lado, estamos separadas pelo mar mas, eu continuo a ver-te da mesma forma: o meu bebé, a minha irmã, a minha companheira de menina.
Estamos velhotas, filhos criados, cada uma para seu lado mas, irmãs.
Madalena, minha irmã Madalena, como tenho saudades de nós antigamente!
Madalena, minha irmã Madalena, como tenho saudades tuas!
Beijos, muitos beijos da tua irmã.
Maria

Até um dia destes.
Maria

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aznavour et nous

Há 45 anos que nos conhecemos. Esta canção de Aznavour foi durante anos, uma das "Nossas canções". Ainda é.
Por isso, com todo o meu amor:
Bon anniversaire



Charles Aznavour

Até sempre, meu amor.
Até um dia destes, amigos.

domingo, 29 de maio de 2011

Elegia


Hoje dia 29, seria o teu dia de anos. Já te falei tanto, já te disse tanta coisa que, não sabia do que falar. Vi uma fotografia minhas de tranças e, lembrei-me das horas que passavas a fazê-las. Levantavamo-nos, as duas cedo. As tranças de noite soltavam-se, ficando uma massa de cabelo longo e embaraçado. Cheio de ninhos, dizias tu. Com a cabeça pousada nos teus joelhos, as tuas mãos brandas e macias tentavam desenlear, aquela meada embaraçada de cabelo longo, fino e basto. Quando acabava esta operação, pontuada aqui e ali, por um grito de dor e uma festa tua, era altura de dividir ao meio e, fazer as tranças. Um laçarote branco ou de cor, rematava-as. Era longo, doloroso, o trabalho. Mas quando me via ao espelho, gostava de ver o meu rosto emoldurado por elas. O pai só dava ordem para as cortar aos 15 anos.
Eram as minhas companheiras predilectas. Saltavam, voavam, batiam-me na cara, quando estava vento. Quando me lavavas o cabelo, com chá de camomila, para não escurecer, adorava dormir com aquele cheirinho na cabeça. Chamavam-me a “Trancinhas”.
Quando fomos para o Porto, as aulas eram mais cedo, o liceu mais longe. Tantas voltas deste ao pai que ele acabou por dar ordem para as cortar. Foi um dia triste, mãe. Quando aparaste as minhas tranças, já cortadas nas mãos, tinhas os olhos rasos de água. Eu chorava, olhando o rosto desconhecido, no espelho. Guardaste-as na mala e, voltámos a casa. Quando o pai chegou, deste-lhe as tranças que, ele guardou até ao dia em que as deu ao João. Olhou para mim triste. Para os três fora o início do meu crescimento. A trancinhas morrera. Nascera a adolescente, a pré-mulher. Acho que nesse dia, se convenceram que eu estava a crescer. Eu convenci-me. Foi um fim de infância triste. Faziam-me falta as tranças, as tuas mãos nos meus cabelos, os laçarotes que pareciam borboletas.
Hoje sinto mais ainda a tua falta. Dói cada vez mais a tua ausência.
Adeus mãe.
Beijos e saudades da tua trancinhas.
Nós amigos, até um dia destes.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sérgio Godinho – Sempre actual


Sérgio Godinho – Sempre actual

Tu precisas tanto de amor e de sossego
- Eu preciso dum emprego
Se mo arranjares eu dou-te o que é preciso
- Por exemplo o Paraíso
Ando ao Deus-dará, perdido nestas ruas
Vou ser mais sincero, sinto que ando às arrecuas
Preciso de galgar as escadas do sucesso
E por isso é que eu te peço

Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego

Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido
Assim, digo-te ao ouvido

Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego

Sabendo que as minhas intenções são das mais sérias
Partamos para férias
Mas para ter férias é preciso ter emprego
- Espera aí que eu já lá chego
Agora pensa numa casa com o mar ali ao pé
E nós os dois a brindarmos com rosé
Esqueço-me de tudo com um por-do-sol assim
- Chega aqui ao pé de mim

Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego

Se eu mandasse neles, os teus trabalhadores
Seriam uns amores
Greves era só das seis e meia às sete
Em frente ao cacetete
Primeiro de Maio só de quinze em quinze anos
Feriado em Abril só no dia dos enganos
Reivindicações quanto baste mas non tropo
- Anda beber mais um copo

Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego