segunda-feira, 22 de agosto de 2011

David Mourão Ferreira e de novo Amália

Parece que todos os poetas vão dar a Amália. Quem melhor, para transmitir os seus sentimentos?
Com música de Alan Oulman, o francês que deu volta ao fado e poema de David Mourão Ferreira, o "Abandono" ou "Fado de Peniche", na Voz do Fado.



Como podem ver, trata-se de um ensaio onde há pequenos enganos. Para que leiam o poema em toda a sua beleza, cá vai ele:


Abandono

Amália
(David Mourão-Ferreira / Alan Oulman)

Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar
Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.

Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.

Apreciem, vale a pena.

Até um dia destes

Maria



sábado, 20 de agosto de 2011

Retrato de Amália feito por Ary dos Santos

Mais um poeta. Gravação feita em casa da nossa Fadista.


Bom fim de Semana e... Até um dia destes.
Maria

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Manuel Alegre em Nambuangongo

Gosto deste poema. Fala de coisas que todos nós, os do meu tempo, gostaríamos de não ter vivido mas, vivemos. Uns lá, outros aqui, a todos nos marcou. Quem não perdeu alguém, amigo ou familiar? Quem os não viu, voltar marcados no corpo e no espírito? É triste. Também vós, os mais novos, tiveram lá pais ou tios.
Mas é para os que passaram pelas guerras de África, de um ou outro lado, como Alegre diz, que segue esta postagem. Dito pelo poeta, no local onde tudo se passou.



Até um dia destes
Maria

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mãezinha

Mais um poeta. Hoje elegi António Gedeão. Porque gosto especialmente deste poema, porque os meus pais fariam hoje anos de casados, porque quero partilhar convosco, algo que me diz muito. Queria publicar o video do Mário Viegas mas, não encontrei. Dos que vi, escolhi este, dito por Vitor D`Andrade, de que gostei muito.
Deixo-vos com ele e Gedeão.
Eu vou almoçar com o meu irmão. Vamos festejar uma data que nos diz muito, apesar da ausência dos nossos pais.

Até um dia destes
Maria

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não tenho tempo

Não sou eu que não tenho tempo. É o titulo de um poema do poeta brasileiro, Neymar Barros, adaptado para português de Portugal, antes do acordo ortográfico. Dito por Victor de Sousa.


Às vezes, não temos tempo.
Até um dia destes
Maria

sábado, 6 de agosto de 2011

Um Poeta Esquecido

José Régio dito por João Villaret.
Quem se lembra deles?
Até um dia destes

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Hoje Avó, sou eu que conto a história


Minha Avó
Quando era pequena, gostava que tu me contasses histórias. As das princesas que casavam com príncipes, tinham muitos meninos, moravam em belos palácios e, viviam felizes para sempre.
Quando já mais crescida te pedia histórias, a resposta era, às vezes: “Minha neta, queria que casasses com um homem bom, que tivesses meninos, que tivesses a tua casinha e, fosses feliz.”
A vida deu-me um marido bom (tu sabes), três meninos, dos quais tu ainda conheceste dois, uma casa alugada e quase vazia. Fui feliz mesmo assim. Agora, Avó querida, outra parte do teu desejo realizou-se: a casa é minha. Paguei-a ontem.
Já tenho a casa cheia, mais dois meninos, os meus lindos netos, só falta “ser feliz para sempre”. Ninguém é inteiramente feliz, nem feliz para sempre. Mas estou contente Avó.
Olha Avó, tudo o que me desejaste se cumpriu. Esta é a tua prenda de anos.
A tua benção, minha Avó.
Tua
Neta.

Kim, amigo
Beijinho pelo dia.
Até um dia destes
Maria