Esta é a primeira poetisa a aparecer. Admiro-a como mulher, poetisa, lutadora. De novo em casa de Amália, Natália Correia e "A defesa do poeta". Gosto muito deste poema. Espero que gostem, também.
Parece que todos os poetas vão dar a Amália. Quem melhor, para transmitir os seus sentimentos?
Com música de Alan Oulman, o francês que deu volta ao fado e poema de David Mourão Ferreira, o "Abandono" ou "Fado de Peniche", na Voz do Fado.
Como podem ver, trata-se de um ensaio onde há pequenos enganos. Para que leiam o poema em toda a sua beleza, cá vai ele:
Abandono
Amália (David Mourão-Ferreira / Alan Oulman)
Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar
Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.
Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.
Gosto deste poema. Fala de coisas que todos nós, os do meu tempo, gostaríamos de não ter vivido mas, vivemos. Uns lá, outros aqui, a todos nos marcou. Quem não perdeu alguém, amigo ou familiar? Quem os não viu, voltar marcados no corpo e no espírito? É triste. Também vós, os mais novos, tiveram lá pais ou tios.
Mas é para os que passaram pelas guerras de África, de um ou outro lado, como Alegre diz, que segue esta postagem. Dito pelo poeta, no local onde tudo se passou.