sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Florbela e Eunice-Duas Mulheres Alentejanas

Este tempo cinzento, já começa a dar-me vontade de um chá e biscoitos, à tarde.

Convidei hoje, Duas Senhoras que muito admiro.

Por coincidência, as duas nasceram no Alentejo. Florbela em Vila Viçosa, corria o ano de 1894, Eunice na Amareleja, em 1928.

Florbela morreu nova, Eunice, felizmente vive e, é a grande Senhora do Teatro e da Televisão. Também declama, como vão ver.

Eu vou beber o meu chá e, perder-me a ouvir Eunice dizer alguns poemas de Florbela.

Laurinha amiga:

Hoje deixo-te apenas o nome dos poemas. São vários e levava muito tempo a passá-los

  1. 1Amiga
    2. De joelhos
    3. Sem remédio
    4. Fanatismo
    5. O meu orgulho
    6. Saudades
    7. Ódio?
    8. Versos de orgulho
    9. Rústica
    A um moribundo

Procura-os no livro, sim?

Eis o duo imbatível.




Bom Fim de Semana.
Até um dia destes.
Maria

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Fim" de Mário Sá Carneiro por Luís Represas

Outro poeta meio esquecido e pouco divulgado. Hoje é Luís Represas quem o apresenta.
Em baixo segue o poema por escrito.




Fim
Quando eu morrer batam em latas
Rompam aos saltos e aos pinotes
façam estalar no ar chicotes
Chamem palhaços e acrobatas
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à Andalusa
a um morto nada se recusa,
eu quero por força ir de burro. 
  Mário de Sá Carneiro
Até um dia destes
Maria

domingo, 28 de agosto de 2011

Cesário Verde dito por Mário Viegas

Cesário Verde, o poeta de Lisboa, anda muito esquecido. Morreu novo e foi pena, pois muito havia a esperar dele.
"De tarde", um belo poema com certa malícia, conta a história de um piquenique de burguesas. Com este calor, será bastante refrescante ouvi-lo.



De tarde

Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.


Até um dia destes

Maria





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Não sei Ama onde era" Fernando Pessoa dito por Mário Viegas

Esta Poesia lembra-me a infância. O tempo em que a menina sonhadora que eu era, pedia à Avó: "Conta uma história Vó" e, a Avó contava.
Fernando Pessoa dispensa palavras. Mário Viegas também. Poesia pouco conhecida do poeta, acho-a linda.



Segue o poema por escrito.

Fernando Pessoa

Não sei, ama, onde era,

Não sei, ama, onde era,

Nunca o saberei...

Sei que era Primavera

E o jardim do rei...

(Filha, quem o soubera!...).

Que azul tão azul tinha

Ali o azul do céu!

Se eu não era a rainha,

Porque era tudo meu?

(Filha, quem o adivinha?).

E o jardim tinha flores

De que não me sei lembrar...

Flores de tantas cores...

Penso e fico a chorar...

(Filha, os sonhos são dores...).

Qualquer dia viria

Qualquer coisa a fazer

Toda aquela alegria

Mais alegria nascer

(Filha, o resto é morrer...).

Conta-me contos, ama...

Todos os contos são

Esse dia, e jardim e a dama

Que eu fui nessa solidão.


Até um dia destes

Maria



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Natália Correia em casa de Amália

Esta é a primeira poetisa a aparecer. Admiro-a como mulher, poetisa, lutadora. De novo em casa de Amália, Natália Correia e "A defesa do poeta". Gosto muito deste poema. Espero que gostem, também.



Até um dia destes
Maria


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

David Mourão Ferreira e de novo Amália

Parece que todos os poetas vão dar a Amália. Quem melhor, para transmitir os seus sentimentos?
Com música de Alan Oulman, o francês que deu volta ao fado e poema de David Mourão Ferreira, o "Abandono" ou "Fado de Peniche", na Voz do Fado.



Como podem ver, trata-se de um ensaio onde há pequenos enganos. Para que leiam o poema em toda a sua beleza, cá vai ele:


Abandono

Amália
(David Mourão-Ferreira / Alan Oulman)

Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar
Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.

Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.

Apreciem, vale a pena.

Até um dia destes

Maria



sábado, 20 de agosto de 2011

Retrato de Amália feito por Ary dos Santos

Mais um poeta. Gravação feita em casa da nossa Fadista.


Bom fim de Semana e... Até um dia destes.
Maria