quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Alexandre O'Neill, Alain Oulman e...Amália

Um dos meus poetas preferidos, um dos meus compositores preferidos e Amália.


Segue o Poema:

Gaivota

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

Até um dia destes
Maria


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Agostinho Neto dito por Mário Viegas

Sem procurar, por mero acaso, descobri este poema.
Achei-o tão bonito que tive de o partilhar convosco.



"Não me peçam sorrisos" de Agostinho Neto, dito por Mário Viegas.
Até um dia destes
Maria

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Florbela e Eunice-Duas Mulheres Alentejanas

Este tempo cinzento, já começa a dar-me vontade de um chá e biscoitos, à tarde.

Convidei hoje, Duas Senhoras que muito admiro.

Por coincidência, as duas nasceram no Alentejo. Florbela em Vila Viçosa, corria o ano de 1894, Eunice na Amareleja, em 1928.

Florbela morreu nova, Eunice, felizmente vive e, é a grande Senhora do Teatro e da Televisão. Também declama, como vão ver.

Eu vou beber o meu chá e, perder-me a ouvir Eunice dizer alguns poemas de Florbela.

Laurinha amiga:

Hoje deixo-te apenas o nome dos poemas. São vários e levava muito tempo a passá-los

  1. 1Amiga
    2. De joelhos
    3. Sem remédio
    4. Fanatismo
    5. O meu orgulho
    6. Saudades
    7. Ódio?
    8. Versos de orgulho
    9. Rústica
    A um moribundo

Procura-os no livro, sim?

Eis o duo imbatível.




Bom Fim de Semana.
Até um dia destes.
Maria

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Fim" de Mário Sá Carneiro por Luís Represas

Outro poeta meio esquecido e pouco divulgado. Hoje é Luís Represas quem o apresenta.
Em baixo segue o poema por escrito.




Fim
Quando eu morrer batam em latas
Rompam aos saltos e aos pinotes
façam estalar no ar chicotes
Chamem palhaços e acrobatas
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à Andalusa
a um morto nada se recusa,
eu quero por força ir de burro. 
  Mário de Sá Carneiro
Até um dia destes
Maria

domingo, 28 de agosto de 2011

Cesário Verde dito por Mário Viegas

Cesário Verde, o poeta de Lisboa, anda muito esquecido. Morreu novo e foi pena, pois muito havia a esperar dele.
"De tarde", um belo poema com certa malícia, conta a história de um piquenique de burguesas. Com este calor, será bastante refrescante ouvi-lo.



De tarde

Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.


Até um dia destes

Maria





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Não sei Ama onde era" Fernando Pessoa dito por Mário Viegas

Esta Poesia lembra-me a infância. O tempo em que a menina sonhadora que eu era, pedia à Avó: "Conta uma história Vó" e, a Avó contava.
Fernando Pessoa dispensa palavras. Mário Viegas também. Poesia pouco conhecida do poeta, acho-a linda.



Segue o poema por escrito.

Fernando Pessoa

Não sei, ama, onde era,

Não sei, ama, onde era,

Nunca o saberei...

Sei que era Primavera

E o jardim do rei...

(Filha, quem o soubera!...).

Que azul tão azul tinha

Ali o azul do céu!

Se eu não era a rainha,

Porque era tudo meu?

(Filha, quem o adivinha?).

E o jardim tinha flores

De que não me sei lembrar...

Flores de tantas cores...

Penso e fico a chorar...

(Filha, os sonhos são dores...).

Qualquer dia viria

Qualquer coisa a fazer

Toda aquela alegria

Mais alegria nascer

(Filha, o resto é morrer...).

Conta-me contos, ama...

Todos os contos são

Esse dia, e jardim e a dama

Que eu fui nessa solidão.


Até um dia destes

Maria



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Natália Correia em casa de Amália

Esta é a primeira poetisa a aparecer. Admiro-a como mulher, poetisa, lutadora. De novo em casa de Amália, Natália Correia e "A defesa do poeta". Gosto muito deste poema. Espero que gostem, também.



Até um dia destes
Maria