segunda-feira, 19 de março de 2012

Filho mais velho


Com tanto chinês e tanta chinesice, é bom que nos vamos acostumando a usar os seus termos e usos.
Ora, os chineses classificam os filhos assim: Filho mais velho, 2º filho e por aí fora.
Tu foste o primeiro, logo és o Filho mais velho. Não me atrevi a chamar-te “meu boneco”, como chamei à tua irmã. Primeiro, porque a tua mulher era capaz de não gostar de eu estar aqui, a fazer reclame ao marido dela. Segundo, porque tu, senhor respeitável de 45 anos, talvez também não gostasses.
Depois disto tudo, sinto que para mim, foste mesmo um boneco.
Quando olhei para ti e vi, um ser tão pequenino, com menos de 2quilos, grande trunfa, quase sem unhas, débil, gelando cada vez que te tirava do berço, sem forças para mamar, jurei a mim mesma, que irias crescer e ser forte. Um mês depois, tinhas o peso normal, já sorrias para mim, comias como um leãozinho esfomeado.
Continuavas com problemas, não te querias sentar, os dentes romperam tarde. Com um ano, quando nasceu a tua irmã, já eras um bebé alegre, irrequieto, brincalhão, mandando em toda a gente.
No dia que foste ver a mana a primeira vez, não gostaste nada, de me ver com ela ao colo. Tive que a deitar e pegar-te. Resmungaste qualquer coisa, para ela e adormeceste ao meu colo. Depois, foste-te habituando a ela. Ralhavas com ela, porque fazia xixi na fralda, como se tu não o fizesses e querias que ela fosse brincar contigo.
Fui tão feliz nesse tempo, filho!
O tempo passou, o Vasco nasceu, foste o protector dele, o professor paciente de brincadeiras, fazendo tudo o que ele queria.
Agora, és o homem de quem me orgulho, o marido da minha Sílvia, o pai do último bebé que criei e já tem 13 anos, o meu Rafael inteligente, brincalhão, teimoso como tu e, aqui para nós, como eu.
Parabéns, meu querido filho.
Tu sabes bem, o amor que tenho por ti e pela família que formaste.
Sabes, que se vos vir felizes, eu sou feliz.
Nasceste no dia do pai. O teu avô dizia, que tinhas sido a melhor prenda desse dia, que eu lhe dera.
Beijinhos para os três e um, muito especial, para aquele que foi o meu primeiro boneco e hoje é um homem lindo (desculpa Sílvia, saiu) e que eu admiro muito.
Mãe

Até um dia destes
Maria

segunda-feira, 12 de março de 2012

A minha boneca sonhada


Sempre gostei de bonecas. Tive algumas bonitas, que tratava como filhas. Dava-lhes de comer, falava com elas, cantava para dormirem.
Mas por trás do amor às bonecas, havia o sonho de ter filhos, muitos filhos. Queria meninos e meninas. Tinha que ter, pelo menos uma menina. Uma boneca que falasse, risse, desse beijinhos.
Quando engravidei a primeira vez, toda a família queria um rapaz. Ele nasceu pequenino, lindo, alegre, brincalhão. Mas o sonho da menina, continuava na minha cabeça. No ano seguinte, chegaste tu, minha linda boneca de carne e osso, bonita, meiga, querendo ter-me sempre por perto. Os teus olhinhos de longas pestanas, seguiam-me para todo o lado. Os teus bracinhos roliços prendiam-me o pescoço, quando alguém te queria pegar. A tua cabecinha fazia do meu peito almofada. Eras um bebé de sonho, a boneca que eu tanto tinha querido.
A vida separou-nos. Custou-me muito, mas eu também deixei os meus pais. Para me consolar, tinha ainda o boneco mais velho e, aquele que foi o teu primeiro boneco vivo: o nosso Vasco, que tu adoravas e de quem foste quase mãe. Depois, deste-me a prenda mais linda que me podias dar. Outra boneca de carne, linda como tu.
Hoje, posso dizer, que apesar de tudo, tive os cinco bonecos mais lindos da minha vida. Dois filhos rapazes, uma filha linda e, ainda por cima, a segunda boneca, minha neta e o meu último bebé, hoje um rapagão de 13 anos. Todos têm lugar igual no meu coração, um lugar muito grande.
Há 44 anos, o sonho da menina-boneca cumpriu-se.
Estamos longe, minha filha. Os anos passaram e somos duas mulheres. A vida não está fácil.
A prenda que te quero dar hoje, é dizer-te que gosto muito de ti, que te admiro e te quero ver feliz.
Não sei se vais gostar desta história verdadeira. É parte de nós todos, que aqui te mando.
Beijinhos, minha filha querida. Gosto de ti, daqui até ao céu, como diz a Ana.
Mãe

Até um dia destes.
Maria

quinta-feira, 8 de março de 2012

Canção de Alcipe

Alcipe, a Condessa de Alorna, bisneta dos Távoras, foi poetisa. A letra desta canção é dela, com uns toques de Vasco Graça Moura, a música de Carlos Paredes. Foi uma mulher muito avançada para a sua época.
Gostei desta interpretação de Mísia.
Apesar de não gostar de dias de... aqui vai para todas as mulheres.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Prelúdio

Estou neura. Sem pachorra para nada. Farta de frio.
E aí, lembro-me que qualquer dia, será Primavera.
Por isso, como um Prelúdio dela, o Prelúdio de Vinicius e Jobim.
Até um dia destes.
Maria

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Parabéns meu amor

Há quanto tempo não escrevo uma carta de amor?
Escrevi-te muitas, recebi respostas tuas. Tantas!
Agora, sempre juntos, acabaram. Às vezes mando-te um E-mail e tu respondes.
Tenho saudades das cartas, sabes? Do tempo das cartas. Esperava o correio à janela e, ela chegava. Abria-a e, era um pouco de ti, que tinha nas mãos. Estão todas guardadas, as tuas e as minhas. Às vezes, volto a lê-las. Recupero um pouco da nossa juventude. Foi um namoro curto. Cinco meses depois, estávamos casados.
Durante todo este tempo, houve coisas boas e más. O nascimento dos filhos, o casamento do mais velho, a vinda dos netos. Tudo coisas boas. A perda dos nossos pais, foi a parte pior destes anos.
Tudo isto, foi vivido a meias, horas boas e horas más.
Estamos velhotes, meu amor. Mas o nosso amor continua igual.
Nem sempre nos entendemos. Somos muito diferentes. No fim, tudo encaixa. O amor que nos une é maior que pequenas zangas.
Parabéns, meu amor de ontem, de hoje, de amanhã, de sempre.
Amo-te.
Mil beijos da tua
Mulher.

Até um dia destes
Maria

sábado, 4 de fevereiro de 2012

75 anos, Amizade e Pão de Ló

Há amizades que duram vidas. Nascem na infância e, só desaparecem quando os dois desaparecem.
Temos em Ovar, alguém que nos acompanha, quase sempre de longe, com quem temos uma amizade dessas. Mais da idade do meu irmão, é natural que haja entre os dois, uma afeição mais profunda, visto ser mais antiga. Ele fez ontem 75 anos. Ela faz hoje 76.
Como não se fazem 75 anos todos os dias, houve festa ontem.
O aniversariante estava feliz. Tinha com ele, a mulher, o filho e a nora, uma irmã, um cunhado, uma cunhada, três sobrinhos e... um Pão de Ló fresquinho, chegado via CCT de manhã.
A amiga de sempre, não o deixou sem o mimo de um dos seus doces de eleição. Ficamos todos comovidos, velhos e novos, com uma atitude tão bonita, tão amiga. Para ele, deve ter sido o presente mais doce. A mim, lembrou-me outros tempos, outras amizades fortes como esta, que desapareceram da nossa vida.
De Ovar a Lisboa, são duzentos e muitos quilómetros. Aquele Pão de Ló andou esta distância, trazendo, além do seu gosto incomparável, o sabor da amizade, a visão da Ria e do Furadouro, outros tempos, outras gentes. Não foi, mano?
Como pagar uma amizade assim? Retribuindo-a, só.
Linda, minha querida Linda, parabéns pelos teus anos. Obrigada pela alegria que deste ao meu irmão. Obrigada por seres assim.
Falámos há pouco pelo telefone. A tua voz, é igual sempre. As nossas conversas, longas e sempre iguais. Falamos de coisas e gentes que, infelizmente, já partiram.
Restamos nós. Amigos para sempre.
Tu não vais ler isto. Ainda não vais ao computador. Logo será.
Um abraço e mil beijos da tua
Maga

Até um dia destes.
Maria


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hospital Beatriz Ângelo

Abriu há dias, um novo Hospital. Deram-lhe o nome da 1ª médica, 1ª cirurgiã, 1ª ginecologista, portuguesa: Carolina Beatriz Ângelo. Nome merecido mas, sabendo bem que, neste País, poucos são os que sabem alguma coisa acerca dela, será conhecido como Hospital de Loures.

Ela merecia esta homenagem há muito. Por isso, aqui vai a história dela, tirada da Wikipédia. Leiam que vale a pena.

" Frequentou até ao Liceu em sua terra natal, Guarda [3]. Posteriormente ingressou nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica em Lisboa, onde concluiu o curso de Medicina em 1902[4].

Sufragista, destacou-se como militante da Liga Republicana das Mulheres, fundadora e presidente da Associação de Propaganda Feminista [5].

O fato de ser viúva permitiu-lhe invocar em tribunal o direito de ser considerada "chefe de família", tornando-se a assim primeira a votar no país, nas eleições constituintes, a 28 de maiode 1911. Por forma a evitar que tal exemplo pudesse ser repetido, a lei foi alterada no ano seguinte, com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculinopoderiam votar.

Cirurgiã e activista dos direitos femininos, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal. Estava-se em 1911, a República acabara de ser implantada em Outubro de 1910, e Carolina «torceu» a seu favor um dos «buracos» da lei ou, se se quiser, da língua portuguesa [6].

Carolina Beatriz Ângelo nasceu na Guarda em 1877, onde fez os estudos primários e secundários. Em Lisboa, estudou medicina, concluindo o curso em 1902. Nesse mesmo ano, casou-se com Januário Barreto, seu primo e activista republicano. Tornou-se a primeira médica portuguesa a operar no Hospital de São José, dedicando-se mais tarde à especialidade de ginecologia.

A militância cívica iniciou-a em 1906, em conjunto com outras médicas, vindo a aderir a movimentos femininos a favor da paz e da implantação da República e à Maçonaria e tornando-se defensora dos direitos das mulheres, nomeadamente o de votar. Por toda a Europa, e não só, havia anos que as sufragistas reivindicavam ruidosamente este direito para as mulheres e a Nova Zelândia tinha-se tornado o primeiro país a concedê-lo em 1893.

A primeira lei eleitoral da República Portuguesa reconhecia o direito de votar aos «cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família».

Carolina Ângelo viu nesta redacção da lei a oportunidade de a subverter a seu favor, dado que, gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o masculino e o feminino. Viúva e com uma filha menor a cargo, com mais de 21 anos e instruída, dirigiu ao presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa um requerimento no sentido de o seu nome «ser incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se».

A pretensão foi indeferida pela comissão recenseadora, o que a levou a apresentar recurso em tribunal, argumentando que a lei não excluía expressamente as mulheres. A 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro proferia a sentença que ficaria para a História: «Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral».

Assim, a 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, Carolina Beatriz Ângelo tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. Não sem um pequeno incidente, que a mesma relatou ao jornal A Capital: «No final da primeira chamada, o presidente da assembleia [de voto], Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesma não tinha competência para se intrometer no assunto».

O seu gesto teria como consequência imediata um retrocesso na lei: o Código Eleitoral de 1913 determinava que «são eleitores de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino maiores de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português, residam no território da República Portuguesa».

As mulheres portuguesas teriam de esperar por Salazar e pelo ano de 1931 para lhes ser concedido o direito de voto e, ainda assim, com restrições: apenas podiam votar as que tivessem cursos secundários ou superiores, enquanto para os homens continuava a bastar saber ler e escrever.

A lei eleitoral de Maio de 1946 alargou o direito de voto aos homens que, sendo analfabetos, pagassem ao Estado pelo menos 100 escudos de impostos e às mulheres chefes de família e às casadas que, sabendo ler e escrever, tivessem bens próprios e pagassem pelo menos 200 escudos de contribuição predial…

Em Dezembro de 1968 foi reconhecido o direito de voto político às mulheres, mas as Juntas de Freguesia continuaram a ser eleitas apenas pelos chefes de família. Só em 1974, já depois do 25 de Abril, seriam abolidas todas as restrições à capacidade eleitoral dos cidadãos tendo por base o género."

[editar]Wikipédia

Senti-me na obrigação de falar, desta senhora que, admiro de há muito.
O Hospital chama-se "Beatriz Ângelo". Por favor, não lhe chamem "Hospital de Loures"
Até um dia destes.Publicar mensagem
Maria