terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio


Raiz
Canto a raiz do espaço na raiz
do tempo. E os passos por andar nos passos
caminhados. Começa o canto onde começo
caminho onde caminhas passo a passo.
E braço a braço meço o espaço dos teus braços:
Oitenta e nove mil quilómetros quadrados.
E um país por achar neste país.

Manuel Alegre

Até um dia destes.
Maria

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Salgueiro Maia


Na madrugada de 25 de Abril de 1974, tu reuniste os soldados e disseste:
“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui”. Saíram todos e vieram para Lisboa.
E agora, que diria Salgueiro Maia?
Até um dia destes

sábado, 21 de abril de 2012

Carminho e Carlos do Carmo

Amigos:
Deram-me a volta ao Blogger e não sei mexer nisto.
Fiquem com  Carminho e com Carlos do Carmo.
Ficam bem servidos.
Eu tenho de reaprender tudo. Depois volto.
Bom Fim de Semana.
Até um dia destes
Maria

sábado, 14 de abril de 2012

O que eu gosto da minha vizinha!...


Claro que tenho várias. Esta é por acaso, a mais antiga. Por várias razões, sempre embirrei com ela. Primeiro tentou meter-se-me em casa, local onde só entra quem eu gosto. Segundo é cusca e não tem vergonha disso. É a chamada “Cusca Assumida”. Tem a lata de me vir perguntar quem veio na véspera a minha casa. Ela espreita na janela da frente, ela espreita na janela de trás, ela espreita no óculo da porta, tudo sem o menor pudor. Chega ao ponto de abrir a porta e meter conversa com os meus filhos quando cá vêm, tem a lata, quando não conhece alguém que vem cá casa, de me tentar fazer um interrogatório pidesco. Ao princípio eu escorregava. Agora resolvi fazer de conta que não ouço.
A senhora diz que é comunista. Nada contra. Cada um é o que quer.
Só que o comunismo dela é estranho. Eu tenho uma empregada há muitos anos. É o meu braço direito e o braço esquerdo, desde que os meus ossos não me deixam fazer tudo. Além de empregada é amiga.
Ora a vizinha deu-lhe para engalinhar com a senhora e esta paga-lhe na mesma moeda. Não se gramam e estão no seu direito. Quando se cruzam na escada nem os bons-dias trocam. A vizinha resmunga, a outra sensatamente não diz nada.
Hoje a vizinha queixou-se ao meu marido que a outra não lhe falava. O meu marido não respondeu. Então veio a explicação: “Ela é que tem obrigação de me falar porque ela é que é a empregada.”
Deu com o meu marido e foi pena. Se tivesse sido comigo, teria que me explicar, porque é que o facto da outra ser empregada (ainda por cima minha e não dela), a obrigava a cumprimentar a “Camarada”. Eu sei que os comunistas não são todos assim. Tenho grandes amigos do PCP. Também sei, que nos outros partidos, incluindo o meu, há pessoas mais iguais que outras (ver o “Triunfo dos Porcos” de Orwell). Mas estou no meu pleno direito de não gostar deles. Ou não?
O que eu gosto da minha vizinha e de pessoas como ela!..
Até um dia destes

Nota: Esta história já tinha sido publicada na Travessa. Fui hoje buscá-la, porque mais uma vez, a fera voltou a atacar.
A imagem é da Net e está assinada.
Maria

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Prece


Olho-te sentada, o rosto amargurado,
Miras teu filho exangue, ferido, morto.
Em teu colo de mãe que o embalou
Jaz agora caído, inanimado.
A esponja de fel que lhe foi dada,
Es tu agora quem a sorve toda.
E as outras mulheres à tua roda,
Esperam ver-te cair desanimada.
E tu ali, serena, resignada,
Mas certa que era por nós, que ele morria.
Seria em vão, Maria?
Por ti, por Ele, que nos deu a vida,
Pede-lhe de novo a Paz do mundo inteiro.
Até ao momento derradeiro
Ele pediu ao Pai a paz e o amor.
De que valeu, Senhora
A sua morte, o sofrimento, a dor?
O mundo hoje, é pior que outrora.
Jesus não volta e estamos tão sozinhos,
Sem sabermos escolher novos caminhos.

Páscoa 2012
Maria

sábado, 31 de março de 2012

A André Moa


Por tudo o que contigo aprendi, obrigada.
Pelo abraço trocado, numa tarde de Dezembro, obrigada.
Pelos generosos comentários, que aqui escreveste, obrigada.
Pelos teus belos poemas, obrigada.
Pela tua alegria, pelas tuas canções, obrigada.
Porque continuas a ser o amigo de sempre, mesmo depois da partida, obrigada.
Guardar-te-hei sempre no meu coração.
Abreijos, meu amigo, tão longe e tão perto.
Maria

domingo, 25 de março de 2012

Quarenta anos sem ti


É, Mãe! Passaram quarenta anos e a saudade ainda é maior, a falta que me fazes, às vezes quase impossível de suportar.
Tanta coisa aconteceu, tantos mais perdi, mas é de ti que me lembro nas horas más. Sobretudo nas horas más. Nas outras também, claro. Quando preciso chorar e não consigo, penso que no teu ombro, choraria. As palavras de dor, que já não digo, soltar-se-iam, se olhasse os teus olhos, Mãe.
Como queria que tu me adormecesses! As noites são longas, para quem não dorme. Se tivesse a tua mão no meu cabelo e ouvisse a tua linda voz cantar: “minha filha, dorme bem o teu soninho...”, sei que dormia.
As tuas flores, Mãe. As tuas violetas. E saudades, beijos, o amor eterno da tua
Filha.

Até um dia destes, amigos
Maria