
Olho-te sentada, o rosto amargurado,
Miras teu filho exangue, ferido, morto.
Em teu colo de mãe que o embalou
Jaz agora caído, inanimado.
A esponja de fel que lhe foi dada,
Es tu agora quem a sorve toda.
E as outras mulheres à tua roda,
Esperam ver-te cair desanimada.
E tu ali, serena, resignada,
Mas certa que era por nós, que ele morria.
Seria em vão, Maria?
Por ti, por Ele, que nos deu a vida,
Pede-lhe de novo a Paz do mundo inteiro.
Até ao momento derradeiro
Ele pediu ao Pai a paz e o amor.
De que valeu, Senhora
A sua morte, o sofrimento, a dor?
O mundo hoje, é pior que outrora.
Jesus não volta e estamos tão sozinhos,
Sem sabermos escolher novos caminhos.
Páscoa 2012
Maria