domingo, 24 de junho de 2012

Adeus minha querida Madrinha


Nada que eu não esperasse. Tinhas 99 anos, estavas muito velhinha e cansada. Chegou o teu dia.
Foste, uma das mulheres mais admiraveis que conheci.
Criaste 4 filhos, um dos quais, com o sindroma de Down. Conseguiste, que lêsse, escrevêsse, fizesse contas. O nosso Henrique, um cavalheiro muito educado, ainda vive, apesar da esperança de vida deles ser curta, chegou aos 61 anos. Está mal, não conhece ninguém, mas teve uma vida feliz. Tu partiste descansada, sabendo que a irmã, continuará a tratar dele.
Dedicaste a tua vida, a pessoas como ele, primeiro em África, depois em Cascais.
Em África a vida foi dura, com o meu Padrinho doente, mas tu eras uma lutadora, uma mãe coragem. Aqui, conseguiste comprar a tua casinha, trabalhaste até conseguires. Os anos passaram, um AVC diminuiu-te muito e, foste para casa da filha, a minha querida prima, tão valente, tão sofrida, que te devolveu todo o amor e carinho, que lhe deste.
Dizer que te amei é pouco. Desde pequenina, tinha por ti uma admiração sem medida, sentia-me orgulhosa de ser tua sobrinha e afilhada, adorava quando me achavam parecida contigo.
Esta foto, tirada na última vez que te vi, lembra-me que falámos, rimos, até  cantarolámos as duas. As nossas mãos estiveram sempre apertadas, as nossas mãos tão parecidas.
Sabes? Foste a irmã querida do meu Pai, eras um pedaço dele, que ainda vivia.
Não sou capaz de escrever mais.
Vera, Zé Manel, Nica, meu querido Quico, a vossa prima é muito vossa amiga. Um abraço grande e beijinhos para vós, maridos, mulher e filhos, da vossa Maga.
Madrinha, adeus. Um último beijo, um último pedido: A tua benção.
Da tua sobrinha e afilhada que nunca te esquecerá e vai sempre amar-te.
Maga

Amigos: Até qualquer dia.
Maria     

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dei-te o nome do meu Rio...

Eu dei-te o nome do Rio
Que banha a minha cidade
Dei-te comida, guardei-te do frio
Em troca recebi felicidade.

Dei-te ternura, amor, o meu carinho
Em troca recebi, o dobro do que dei
Catorze anos, Nabão. Ó meu cãozinho!
Eu não te esquecerei.

Não mais o teu calor nos meus joelhos,
Não mais o teu rabito a dar a dar
E esses olhos, meu cão, o teu olhar,
Olhando com amor, os donos velhos.

Quem vai lamber agora as gotas de água,
Que caem dos meus olhos, quem Nabão?
Eu deixei-te partir, não queria, não!
Não sabia o tamanho desta mágoa.

Faz hoje um mês, meu bicho, que partiste. Nessa noite, fiz isto, para ti.
Fazes tanta falta!
Saudades dos donos.
Até um dia destes.
Maria




terça-feira, 5 de junho de 2012

Para duas pessoas, a quem desejo toda a felicidade


Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Para os dois, um dos mais bonitos sonetos de Amor, da língua Portuguesa.
Mil beijinhos. 
Maria

terça-feira, 29 de maio de 2012

Dia dos teus anos

















Não nos retratos!

No espelho é que te vejo,
Um velho espelho fosco
Posto em lugar sombrio.

Um sorriso, um olhar
Uma expressão mais doce
E és tu, não eu quem está ali

O som da minha voz cantando
Velhas canções perdidas que te ouvi
É o som da tua voz , não o da minha.

Não nos retratos
No espelho é que te vejo,
Um sorriso, um olhar
Uma expressão mais doce...

Olho-me Mãe,
E é como se fosse
O teu rosto querido  
Que eu olhasse.

Beijinhos, muitas saudades, mais um poema coxo, da tua
Filha

Até um dia destes 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sonhos


Sonhos

Sonhos tive muitos, deixei-os p’lo caminho.
Uns esquecidos, os outros nados mortos.
Sonhei ter asas, guardei-as num cantinho.
Tudo o que fiz foi por caminhos tortos.

Sonhei chegar a ser ”Soror Saudade”
Cantar lezírias, não charnecas como ela.
Sonhei ser poetisa da Saudade,
Meu Deus, como queria ser Florbela.

Depois  li a Sofia e sonhei ser,
A dona do mar e das estrelas,
A “Menina do Mar” queria ver,
Ser eu a espuma, ser eu as caravelas.

Ser “Príncipe da Dinamarca” quem me dera!
Ser a poetisa eleita por um dia.
E passei a vida toda nesta espera
De ser Florbela, ou de nascer Sofia.

Maria


 Até um dia destes.
Maria

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Manuel Marques, obrigada

Poucos programas de televisão vejo. Há um, que raramente perco: "O Estado de Graça". Embora ache graça a todos os actores, há um, que teve ontem, mais uma vez, o condão de me fazer rir.
Ora, ultimamente, tenho-me rido pouco. O Manuel Marques, conseguiu-me arrancar uma ou duas gargalhadas, quase sem querer. A imitação do ministro Gaspar, faz-me esquecer a tristeza, em que ando imersa.
Ele fez-me dar atenção, fez-me sorrir, fez-me rir.
Sem desprimor para os outros actores, é um grande actor. As suas imitações, são inimitáveis (lá estou eu a falar como o ministro das finanças).
Obrigada Manel.
Beijinho.
Maria

 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Adeus meu cão, meu companheiro, meu amigo



Primeiro, quero dizer-te, que me deste muitas horas de alegria. Por elas, obrigada.
Segundo, quero que saibas, que cumpri a promessa que te fiz. Estive contigo até ao fim.
Só mais duas palavras, para agradecer ao teu Doutor.
Ajudou-te a viver, enquanto pôde, ajudou-te a dormir, quando não havia mais nada para ti.
Adeus meu cão, meu companheiro, meu amigo.
Foram 14 anos felizes para ti e para nós.
Obrigada filhos e neto, pelo vosso apoio e companhia, até ao fim.
Adeus Nabão. Os donos não vão esquecer-te nunca.
O último beijo da tua
Dona, que tu julgavas tua mãe.
Até um dia destes.
Maria