quinta-feira, 26 de julho de 2012

"O Príncipe Perfeito" de Miguel Torga

Porquê de novo o poema de Torga? Porque me apetece. Talvez porque sei que não existem Príncipes Perfeitos. Ninguém é perfeito.
E assim, para que ninguém o esqueça, cá vai de novo "O Príncipe Perfeito" de Miguel Torga.


Um Príncipe Perfeito em Portugal,
Terra da imperfeição!
Que excessivo perdão
Pode ter quem é rei!
Na bainha do tempo, até o punhal
É uma arma leal!
Assim nela coubesse a alma que sujei…

Perfeito, eu! Perfeito
Um rei que desposava no seu leito
O luto incestuoso da rainha!
Perfeito, eu, que tinha
Um herdeiro da esfera adivinhada,
E o vi morrer, humano,
Com asas de exaurido pelicano,
Às portas da aventura começada!

Perfeito, eu! Perfeito
Quem viu agonizar dentro do peito
A grandeza da vida e quanto fez por ela!
Incapaz, a cobarde caravela
Que mandei ao seu último destino,
Desatado o nó cego, masculino,
Que no sonho enlaçava
A soberba cintura de Castela,
Que perfeição no mundo me ficava?

Pensei, lutei, matei – fiz quanto pude,
Mas em vão.
A quem Deus não ajude,
Tudo são Índias de desilusão.

Miguel Torga

Um bom fim de semana.
Maria
  
Posted by Maria in 16:59:07
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quinta-feira, 12 de julho de 2012


Olá  Amigos:

Não fugi, não fui presa, não tenho nada com o Relvas, nem com outras coisas...
Tenho tido ,mais que fazer.
Problemas, (quem os não tem?), obras, ainda posso fazê-las, limpezas, com ajuda ainda lá vou, apesar dos 67!
Hoje achei, que vocês mereciam uma explicação, para a ausência da Maria. É só esta: trabalho, velhice, problemas, nada mais.
Vou voltar um dia destes. Entretanto, vou recomeçar a visitá-los.
Bicho, meu padrinho, por onde andas? Temos que nos ver.
Quim, amigo, onde paras?
Henriquamigo, como estás? Sem a “Travessa”, sinto-me só.
Arriba Hombre! Preciso de ti.
Amigos meus, que me continuam a    mandar comentários, mails, etc, obrigada.
A Maria vai voltar. Cuidado!
Até um dia destes.
Beijinhos
Maria

domingo, 24 de junho de 2012

Adeus minha querida Madrinha


Nada que eu não esperasse. Tinhas 99 anos, estavas muito velhinha e cansada. Chegou o teu dia.
Foste, uma das mulheres mais admiraveis que conheci.
Criaste 4 filhos, um dos quais, com o sindroma de Down. Conseguiste, que lêsse, escrevêsse, fizesse contas. O nosso Henrique, um cavalheiro muito educado, ainda vive, apesar da esperança de vida deles ser curta, chegou aos 61 anos. Está mal, não conhece ninguém, mas teve uma vida feliz. Tu partiste descansada, sabendo que a irmã, continuará a tratar dele.
Dedicaste a tua vida, a pessoas como ele, primeiro em África, depois em Cascais.
Em África a vida foi dura, com o meu Padrinho doente, mas tu eras uma lutadora, uma mãe coragem. Aqui, conseguiste comprar a tua casinha, trabalhaste até conseguires. Os anos passaram, um AVC diminuiu-te muito e, foste para casa da filha, a minha querida prima, tão valente, tão sofrida, que te devolveu todo o amor e carinho, que lhe deste.
Dizer que te amei é pouco. Desde pequenina, tinha por ti uma admiração sem medida, sentia-me orgulhosa de ser tua sobrinha e afilhada, adorava quando me achavam parecida contigo.
Esta foto, tirada na última vez que te vi, lembra-me que falámos, rimos, até  cantarolámos as duas. As nossas mãos estiveram sempre apertadas, as nossas mãos tão parecidas.
Sabes? Foste a irmã querida do meu Pai, eras um pedaço dele, que ainda vivia.
Não sou capaz de escrever mais.
Vera, Zé Manel, Nica, meu querido Quico, a vossa prima é muito vossa amiga. Um abraço grande e beijinhos para vós, maridos, mulher e filhos, da vossa Maga.
Madrinha, adeus. Um último beijo, um último pedido: A tua benção.
Da tua sobrinha e afilhada que nunca te esquecerá e vai sempre amar-te.
Maga

Amigos: Até qualquer dia.
Maria     

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dei-te o nome do meu Rio...

Eu dei-te o nome do Rio
Que banha a minha cidade
Dei-te comida, guardei-te do frio
Em troca recebi felicidade.

Dei-te ternura, amor, o meu carinho
Em troca recebi, o dobro do que dei
Catorze anos, Nabão. Ó meu cãozinho!
Eu não te esquecerei.

Não mais o teu calor nos meus joelhos,
Não mais o teu rabito a dar a dar
E esses olhos, meu cão, o teu olhar,
Olhando com amor, os donos velhos.

Quem vai lamber agora as gotas de água,
Que caem dos meus olhos, quem Nabão?
Eu deixei-te partir, não queria, não!
Não sabia o tamanho desta mágoa.

Faz hoje um mês, meu bicho, que partiste. Nessa noite, fiz isto, para ti.
Fazes tanta falta!
Saudades dos donos.
Até um dia destes.
Maria




terça-feira, 5 de junho de 2012

Para duas pessoas, a quem desejo toda a felicidade


Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Para os dois, um dos mais bonitos sonetos de Amor, da língua Portuguesa.
Mil beijinhos. 
Maria

terça-feira, 29 de maio de 2012

Dia dos teus anos

















Não nos retratos!

No espelho é que te vejo,
Um velho espelho fosco
Posto em lugar sombrio.

Um sorriso, um olhar
Uma expressão mais doce
E és tu, não eu quem está ali

O som da minha voz cantando
Velhas canções perdidas que te ouvi
É o som da tua voz , não o da minha.

Não nos retratos
No espelho é que te vejo,
Um sorriso, um olhar
Uma expressão mais doce...

Olho-me Mãe,
E é como se fosse
O teu rosto querido  
Que eu olhasse.

Beijinhos, muitas saudades, mais um poema coxo, da tua
Filha

Até um dia destes 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sonhos


Sonhos

Sonhos tive muitos, deixei-os p’lo caminho.
Uns esquecidos, os outros nados mortos.
Sonhei ter asas, guardei-as num cantinho.
Tudo o que fiz foi por caminhos tortos.

Sonhei chegar a ser ”Soror Saudade”
Cantar lezírias, não charnecas como ela.
Sonhei ser poetisa da Saudade,
Meu Deus, como queria ser Florbela.

Depois  li a Sofia e sonhei ser,
A dona do mar e das estrelas,
A “Menina do Mar” queria ver,
Ser eu a espuma, ser eu as caravelas.

Ser “Príncipe da Dinamarca” quem me dera!
Ser a poetisa eleita por um dia.
E passei a vida toda nesta espera
De ser Florbela, ou de nascer Sofia.

Maria


 Até um dia destes.
Maria