quarta-feira, 5 de setembro de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
"Viejos Tangos de mi flor"

Minha Margarida:
Lembras-te ainda?
Aquele velho quarto do sótão, ouvia-nos cantar, via-nos
chorar, rir, fumar uns cigarritos.
“Volver” eu queria. Sinto “Nostalgia” desse tempo. Era à
“Média luz” e “Fumando espero”, que sonhávamos aquele “Uno”, que nos mostraria
o “Camiñito” da felicidade. Seria alguém que nos diria:” El dia que me quieras”
e, “Mano a mano” seguiríamos, até nos dizerem: “Lo han visto con otra”. Cantaríamos então, entre lágrimas “Esta
noche me emborracho”, sentindo a dor da “Soledad”.
Mas o mundo “Yira Yira”
e, depois de um último “Adios Muchachos”, Mudariamos um momento de
estilo e guardaríamos em “El Relicário” as lágrimas e os suspiros.
Já cá não estás. Como me fazes falta!
Quem atura esta “Milonga” que me ataca?
Até um dia, minha sempre querida.
Beijo
Maria
Até um dia destes
Maria
domingo, 19 de agosto de 2012
Impaciência
Sempre a pressa, a correria,
A vontade de chegar.
Nunca chega onde queria,
Quando chega, quer voltar.
Sonham-se sonhos de fumo,
Sem asas para voar,
Sem nunca encontrar o rumo
Do que se quer alcançar.
Alma errante, fugidia,
Que não para de sonhar,
Se está bem aqui, um dia
No outro, já quer zarpar.
Se está só, quer companhia,
Se a tem, quer ver-se só.
Chora se sente alegria
E ri quando mete dó.
E assim se vai vivendo
A ver o tempo passar.
sempre buscando e não vendo,
Um porto para ancorar.
Maria
Até um dia destes.
Maria
domingo, 12 de agosto de 2012
Carta a meu Avô, “João Semana”
Querido Avô:
Não te conheci, mas sei a tua história.
Chamavas-te António e eras médico. Tinhas um consultório
onde recebias toda a gente. Os que tinham dinheiro pagavam, os outros não.
Contaram-me, que chegavas a dar remédios e dinheiro, aos mais carenciados. Nunca te negaste a visitar um doente, de
dia ou de noite. Eras adorado pelos moradores do bairro onde moravas. Quando
morreste, eles quiseram fazer-te uma estátua. A Avó não quis. Achou que não
gostarias.
Quando te formaste, fizeste o ”Juramento de Hipocrates”, que
cumpriste na totalidade.
Lembrei-me de ti, das histórias que ouvi contar, de médicos
irrepreensíveis que conheci e conheço, porque se passou um caso comigo, que me
deixou espantada, revoltada.
Tu não sabes, mas existe há uns anos, uma coisa chamada
Serviço Nacional de Saúde, que segundo as tuas ideias, serviria para acudir a
todos, sobretudo aos pobres. Todos temos um cartão, que em princípio, nos daria
acesso a tratamento médico, incluindo assistência de médico de família. Há
quatro anos, o meu doutor, reformou-se e, nunca o substituíram. Tenho uma
médica particular óptima, mas não dá jeito nenhum pagar uma consulta, de cada
vez que tenho necessidade de medicamentos. Aqui há um mês, atribuíram-me um médico.
Marquei consulta e lá fui, conhecer o senhor. Logo de entrada assustei-me, com
o aspecto dele. Mal encarado, bruto. Tentei mostrar-lhe as análises feitas dias
antes. Avisou-me que não estava ali para dar consultas, mas sim, para passar
receitas e às vezes análises. Consultas, só no consultório.
Agradeci, disse que já tinha médica particular, passou-me
duas receitas e, saí.
Entendes, Avô? Eu não. Só quem tem alguns tostões pode estar
doente? E os outros? Morrem? Não têm dinheiro para o médico, não podem pagar os
medicamentos, sofrem e morrem.
Que me perdoem os médicos, que felizmente ainda existem, mas alguns doutores, não fizeram o tal juramento. Ou fizeram e esqueceram?
Se foi esse o caso, aqui vai a cópia:
“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas,
cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar,
tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e,
se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus
próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de
aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos
preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu
mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém,
só a estes.
Aplicarei os regimes
para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano
ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um
conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma
substância abortiva.
Conservarei imaculada
minha vida e minha arte.
Não praticarei a
talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos
que disso cuidam.
Em toda a casa, aí
entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e
de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com
os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no
exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu
tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei
inteiramente secreto.
Se eu cumprir este
juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha
profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou
infringir, o contrário aconteça.
Minha Doutora, meus Doutores, Avô, perdoem a minha revolta.
Acho que para vós, também deve ser triste. Dantes, a
medicina era um sacerdócio. Hoje, para alguns, é um negócio.
Fico por aqui, Avô. Deves estar espantado. O mundo, as
pessoas, mudaram muito, desde o teu tempo.
Beijinhos à Avó, aos meus Pais e Tios e, para ti, da neta
Maria
Até um dia destes e não adoeçam, se não tiverem dinheiro.
Maria
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Mágoa
Mágoa!
Mágoa e dor
Com os olhos rasos de água
E o peito cheio de amor.
Finjo!
Finjo tanto,
Que dos meus olhos o pranto
Cai no meu peito que cinjo.
Ardem!
Ardem as gotas de
água
Que no meu rosto não caem
E me causam maior mágoa.
Maria
Até um dia destes.
Maria
terça-feira, 31 de julho de 2012
Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi
meus fantásticos castelos
Como
névoa distante que se esfuma...
Quis
vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei
as minhas lanças uma a uma!
Perdi
minhas galeras entre os gelos
Que
se afundaram sobre um mar de bruma...
-
Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me
ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi
a minha taça, o meu anel,
A
minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi
meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me
aos lábios súplicas estranhas...
Sobre
o meu coração pesam montanhas...
Olho
assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela
Espanca
Até
um dia destes
Maria
quinta-feira, 26 de julho de 2012
"O Príncipe Perfeito" de Miguel Torga
Porquê de novo o poema de Torga? Porque me apetece. Talvez porque sei que não existem Príncipes Perfeitos. Ninguém é perfeito.
E assim, para que ninguém o esqueça, cá vai de novo "O Príncipe Perfeito" de Miguel Torga.
E assim, para que ninguém o esqueça, cá vai de novo "O Príncipe Perfeito" de Miguel Torga.
Um Príncipe Perfeito em Portugal,
Terra da imperfeição!
Que excessivo perdão
Pode ter quem é rei!
Na bainha do tempo, até o punhal
É uma arma leal!
Assim nela coubesse a alma que sujei…
Perfeito, eu! Perfeito
Um rei que desposava no seu leito
O luto incestuoso da rainha!
Perfeito, eu, que tinha
Um herdeiro da esfera adivinhada,
E o vi morrer, humano,
Com asas de exaurido pelicano,
Às portas da aventura começada!
Perfeito, eu! Perfeito
Quem viu agonizar dentro do peito
A grandeza da vida e quanto fez por ela!
Incapaz, a cobarde caravela
Que mandei ao seu último destino,
Desatado o nó cego, masculino,
Que no sonho enlaçava
A soberba cintura de Castela,
Que perfeição no mundo me ficava?
Pensei, lutei, matei – fiz quanto pude,
Mas em vão.
A quem Deus não ajude,
Tudo são Índias de desilusão.
Miguel Torga
Um bom fim de semana.
Maria
Posted by Maria in 16:59:07
Comments
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Olá Amigos:
Não fugi, não fui presa, não tenho nada com o Relvas, nem
com outras coisas...
Tenho tido ,mais que fazer.
Problemas, (quem os não tem?), obras, ainda posso fazê-las,
limpezas, com ajuda ainda lá vou, apesar dos 67!
Hoje achei, que vocês mereciam uma explicação, para a
ausência da Maria. É só esta: trabalho, velhice, problemas, nada mais.
Vou voltar um dia destes. Entretanto, vou recomeçar a
visitá-los.
Bicho, meu padrinho, por onde andas? Temos que nos ver.
Quim, amigo, onde paras?
Henriquamigo, como estás? Sem a “Travessa”, sinto-me só.
Arriba Hombre! Preciso de ti.
Amigos meus, que me continuam a mandar comentários, mails, etc, obrigada.
A Maria vai voltar. Cuidado!
Até um dia destes.
Beijinhos
Maria
domingo, 24 de junho de 2012
Adeus minha querida Madrinha
Nada que eu não esperasse. Tinhas 99 anos, estavas muito
velhinha e cansada. Chegou o teu dia.
Foste, uma das mulheres mais admiraveis que conheci.
Criaste 4 filhos, um dos quais, com o sindroma de Down.
Conseguiste, que lêsse, escrevêsse, fizesse contas. O nosso Henrique, um
cavalheiro muito educado, ainda vive, apesar da esperança de vida deles ser
curta, chegou aos 61 anos. Está mal, não conhece ninguém, mas teve uma vida
feliz. Tu partiste descansada, sabendo que a irmã, continuará a tratar dele.
Dedicaste a tua vida, a pessoas como ele, primeiro em
África, depois em Cascais.
Em África a vida foi dura, com o meu Padrinho doente, mas tu
eras uma lutadora, uma mãe coragem. Aqui, conseguiste comprar a tua casinha,
trabalhaste até conseguires. Os anos passaram, um AVC diminuiu-te muito e,
foste para casa da filha, a minha querida prima, tão valente, tão sofrida, que
te devolveu todo o amor e carinho, que lhe deste.
Dizer que te amei é pouco. Desde pequenina, tinha por ti uma
admiração sem medida, sentia-me orgulhosa de ser tua sobrinha e afilhada,
adorava quando me achavam parecida contigo.
Esta foto, tirada na última vez que te vi, lembra-me que
falámos, rimos, até cantarolámos as
duas. As nossas mãos estiveram sempre apertadas, as nossas mãos tão parecidas.
Sabes? Foste a irmã querida do meu Pai, eras um pedaço dele,
que ainda vivia.
Não sou capaz de escrever mais.
Vera, Zé Manel, Nica, meu querido Quico, a vossa prima é
muito vossa amiga. Um abraço grande e beijinhos para vós, maridos, mulher e
filhos, da vossa Maga.
Madrinha, adeus. Um último beijo, um último pedido: A tua
benção.
Da tua sobrinha e afilhada que nunca te esquecerá e vai
sempre amar-te.
Maga
Amigos: Até qualquer dia.
Maria
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Dei-te o nome do meu Rio...
Eu dei-te o nome do Rio
Que banha a minha cidade
Dei-te comida, guardei-te do frio
Em troca recebi felicidade.
Dei-te ternura, amor, o meu carinho
Em troca recebi, o dobro do que dei
Catorze anos, Nabão. Ó meu cãozinho!
Eu não te esquecerei.
Não mais o teu calor nos meus joelhos,
Não mais o teu rabito a dar a dar
E esses olhos, meu cão, o teu olhar,
Olhando com amor, os donos velhos.
Quem vai lamber agora as gotas de água,
Que caem dos meus olhos, quem Nabão?
Eu deixei-te partir, não queria, não!
Não sabia o tamanho desta mágoa.
Faz hoje um mês, meu bicho, que partiste. Nessa noite, fiz
isto, para ti.
Fazes tanta falta!
Saudades dos donos.
Até um dia destes.
Maria
terça-feira, 5 de junho de 2012
Para duas pessoas, a quem desejo toda a felicidade
Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Para os dois, um dos mais bonitos sonetos de Amor, da língua Portuguesa.
Mil beijinhos.
Maria
terça-feira, 29 de maio de 2012
Dia dos teus anos
Não nos retratos!
No espelho é que te vejo,
Um velho espelho fosco
Posto em lugar sombrio.
Um sorriso, um olhar
Uma expressão mais doce
E és tu, não eu quem está ali
O som da minha voz cantando
Velhas canções perdidas que te ouvi
É o som da tua voz , não o da minha.
Não nos retratos
No espelho é que te vejo,
Um sorriso, um olhar
Uma expressão mais doce...
Olho-me Mãe,
E é como se fosse
O teu rosto querido
Que eu olhasse.
Beijinhos, muitas saudades, mais um poema coxo, da tua
Filha
Até um dia destes
terça-feira, 22 de maio de 2012
Sonhos
Sonhos
Sonhos tive muitos,
deixei-os p’lo caminho.
Uns esquecidos, os outros
nados mortos.
Sonhei ter asas, guardei-as
num cantinho.
Tudo o que fiz foi por
caminhos tortos.
Sonhei chegar a ser ”Soror
Saudade”
Cantar lezírias, não
charnecas como ela.
Sonhei ser poetisa da
Saudade,
Meu Deus, como queria ser
Florbela.
Depois li a Sofia e sonhei ser,
A dona do mar e das
estrelas,
A “Menina do Mar” queria
ver,
Ser eu a espuma, ser eu as
caravelas.
Ser “Príncipe da Dinamarca”
quem me dera!
Ser a poetisa eleita por um
dia.
E passei a vida toda nesta
espera
De ser Florbela, ou de
nascer Sofia.
Maria
Até um dia destes.
Maria
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Manuel Marques, obrigada
Poucos programas de televisão vejo. Há um, que raramente perco: "O Estado de Graça". Embora ache graça a todos os actores, há um, que teve ontem, mais uma vez, o condão de me fazer rir.
Ora, ultimamente, tenho-me rido pouco. O Manuel Marques, conseguiu-me arrancar uma ou duas gargalhadas, quase sem querer. A imitação do ministro Gaspar, faz-me esquecer a tristeza, em que ando imersa.
Ele fez-me dar atenção, fez-me sorrir, fez-me rir.
Sem desprimor para os outros actores, é um grande actor. As suas imitações, são inimitáveis (lá estou eu a falar como o ministro das finanças).
Obrigada Manel.
Beijinho.
Maria
Ora, ultimamente, tenho-me rido pouco. O Manuel Marques, conseguiu-me arrancar uma ou duas gargalhadas, quase sem querer. A imitação do ministro Gaspar, faz-me esquecer a tristeza, em que ando imersa.
Ele fez-me dar atenção, fez-me sorrir, fez-me rir.
Sem desprimor para os outros actores, é um grande actor. As suas imitações, são inimitáveis (lá estou eu a falar como o ministro das finanças).
Obrigada Manel.
Beijinho.
Maria
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Adeus meu cão, meu companheiro, meu amigo
Primeiro, quero dizer-te, que me deste muitas horas de alegria. Por elas, obrigada.
Segundo, quero que saibas, que cumpri a promessa que te fiz. Estive contigo até ao fim.
Só mais duas palavras, para agradecer ao teu Doutor.
Ajudou-te a viver, enquanto pôde, ajudou-te a dormir, quando não havia mais nada para ti.
Adeus meu cão, meu companheiro, meu amigo.
Foram 14 anos felizes para ti e para nós.
Obrigada filhos e neto, pelo vosso apoio e companhia, até ao fim.
Adeus Nabão. Os donos não vão esquecer-te nunca.
O último beijo da tua
Dona, que tu julgavas tua mãe.
Até um dia destes.
Maria
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Filho mais novo
Estás aqui à
minha frente e, nem te passa pela ideia, que te estou a escrever.
Olho-te. Vejo um
homem e vejo o meu pequenino.
Pequenino, um calmeirão de 1,80 metros, com 33 anos, casa e vida próprias, de
quem me orgulho.
Todos vocês, foram
meninos lindos. Tu, além de lindo, eras
o mais barraqueiro dos três. Parece mentira, mas não é. Tu, que hoje és o
cavalheiro da família, fizeste-me passar as maiores vergonhas da minha vida.
Descansa! Não vou
contar. Não seria próprio de uma mãe, contar as vergonhas que passei.
Prefiro falar de
outras coisas.
Dizer que tenho
orgulho em ti, que te admiro, que és uma pessoa cheia de força, que te amo? Tu
já sabes isso.
Dizer que és um
homem, que noutro país, merecia chegar longe, que te tens esforçado por ser
alguém, sem ajuda? Também sabes.
O que gosto mais
em ti, é a ternura que tens pelos mais velhos, pelos abandonados da sorte,
pelos carenciados.
E pronto, filho
mais novo, meu Corvo, não deixes que te cortem as asas. Voa. Voa sempre.
Só tenho uma dúvida:
Como é que de uma Gaivota louca, nasceu um Corvo sensato?
Feliz dia, filho,
meu filho.
Beijinhos da
Mãe
Mãe
Até um dia destes
Maria
terça-feira, 1 de maio de 2012
1º de Maio
Raiz
Canto a raiz do espaço na raizdo tempo. E os passos por andar nos passos
caminhados. Começa o canto onde começo
caminho onde caminhas passo a passo.
E braço a braço meço o espaço dos teus braços:
Oitenta e nove mil quilómetros quadrados.
E um país por achar neste país.
Manuel Alegre
Até um dia destes.
Maria
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Salgueiro Maia
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, tu reuniste os soldados e disseste:
“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui”. Saíram todos e vieram para Lisboa.
E agora, que diria Salgueiro Maia?
Até um dia destes
sábado, 21 de abril de 2012
Carminho e Carlos do Carmo
Amigos:
Deram-me a volta ao Blogger e não sei mexer nisto.
Fiquem com Carminho e com Carlos do Carmo.
Ficam bem servidos.
Eu tenho de reaprender tudo. Depois volto.
Bom Fim de Semana.
Até um dia destes
Maria
Deram-me a volta ao Blogger e não sei mexer nisto.
Fiquem com Carminho e com Carlos do Carmo.
Ficam bem servidos.
Eu tenho de reaprender tudo. Depois volto.
Bom Fim de Semana.
Até um dia destes
Maria
sábado, 14 de abril de 2012
O que eu gosto da minha vizinha!...

Claro que tenho várias. Esta é por acaso, a mais antiga. Por várias razões, sempre embirrei com ela. Primeiro tentou meter-se-me em casa, local onde só entra quem eu gosto. Segundo é cusca e não tem vergonha disso. É a chamada “Cusca Assumida”. Tem a lata de me vir perguntar quem veio na véspera a minha casa. Ela espreita na janela da frente, ela espreita na janela de trás, ela espreita no óculo da porta, tudo sem o menor pudor. Chega ao ponto de abrir a porta e meter conversa com os meus filhos quando cá vêm, tem a lata, quando não conhece alguém que vem cá casa, de me tentar fazer um interrogatório pidesco. Ao princípio eu escorregava. Agora resolvi fazer de conta que não ouço.
A senhora diz que é comunista. Nada contra. Cada um é o que quer.
Só que o comunismo dela é estranho. Eu tenho uma empregada há muitos anos. É o meu braço direito e o braço esquerdo, desde que os meus ossos não me deixam fazer tudo. Além de empregada é amiga.
Ora a vizinha deu-lhe para engalinhar com a senhora e esta paga-lhe na mesma moeda. Não se gramam e estão no seu direito. Quando se cruzam na escada nem os bons-dias trocam. A vizinha resmunga, a outra sensatamente não diz nada.
Hoje a vizinha queixou-se ao meu marido que a outra não lhe falava. O meu marido não respondeu. Então veio a explicação: “Ela é que tem obrigação de me falar porque ela é que é a empregada.”
Deu com o meu marido e foi pena. Se tivesse sido comigo, teria que me explicar, porque é que o facto da outra ser empregada (ainda por cima minha e não dela), a obrigava a cumprimentar a “Camarada”. Eu sei que os comunistas não são todos assim. Tenho grandes amigos do PCP. Também sei, que nos outros partidos, incluindo o meu, há pessoas mais iguais que outras (ver o “Triunfo dos Porcos” de Orwell). Mas estou no meu pleno direito de não gostar deles. Ou não?
O que eu gosto da minha vizinha e de pessoas como ela!..
Até um dia destes
Nota: Esta história já tinha sido publicada na Travessa. Fui hoje buscá-la, porque mais uma vez, a fera voltou a atacar.
A imagem é da Net e está assinada.
Maria
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