terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um ano de Saudade





Foto do nosso Kim

Faz hoje um ano que partiste, meu amigo.
Outros falarão de ti.
Eu limito-me a olhar esta foto e a lembrar a amizade que ela mostra.
Abreijos, André. Saudades.
Maria  

domingo, 14 de outubro de 2012

Yves Montand


Fazia ontem, 13 de Outubro, 91 anos, Yves Montand, actor, cantor, “Partisan”.
Para ele, para todos os que ainda o lembram, “Chanson des Partisans”.




Até um dia destes
Maria

sábado, 6 de outubro de 2012

Lembras-te ainda?







Era nas noites ventosas de Junho em Cascais, há tantos anos!
Eu tinha frio (fingia que o sentia?) e os teus braços envolviam-me num abraço doce e quente. Andávamos pelas ruas quase desertas e mal iluminadas, acertando o passo um pelo outro, como se estivéssemos a  treinar-nos para a longa caminhada da nossa vida.
Por vezes, um candeeiro apagava. Lembras-te? Era quando nos beijávamos. Parecia que os candeeiros nos queriam esconder de olhos estranhos. Havia muito vento. O meu cabelo longo, batia nos nossos rostos unidos, fazendo de cortina. Ninguém via? Nessa altura não nos preocupávamos com isso. Sentíamos-nos    os únicos à face da terra. O mar, as estrelas, a praia, o mundo, eram só nossos.
As horas passavam. Chegava ao fim o sonho. Tínhamos de nos separar. Levavas-me a casa. Não, não havia beijos à despedida. A minha tia espreitava entre as cortinas. Uma carícia nos cabelos, uma troca de olhares, duas mãos que levavam tempo a soltar-se e... Até amanhã, meu Amor.
Lembras-te ainda?

Até um dia destes.
Maria 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tenho Saudades, Pai


                         














O tempo passa e a Saudade aumenta
Fazes-me falta Pai, fazes-me falta.
Falo contigo, chamo-te em voz alta
Nada adormece a dor que me atormenta.

Quero lembrar momentos de alegria
Doces tempos de infância e felicidade
E apenas acordo mais esta Saudade
Apenas acordo mais dor e Nostalgia.

E já não sei chorar, só sei sofrer.
Leio as tuas cartas não te ouço,
Olho os teus retratos não te vejo.

O tempo que me resta para viver
Será de luto, pois nem mesmo posso
No dia dos teus anos dar-te um beijo.

Até um dia destes
Maria 












sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Mãos Vazias

















Levei a vida inteira a tudo dar.
Amor, ternura, sem troca nem razão.
Sofri tudo, sem muito me queixar
Amei o mundo, a todos dei a mão.

Agora, a saudade, a solidão
São a minha grande companhia,
Aqueles a quem dei a minha mão,
Nada põem na minha mão vazia.

Nem um carinho, nem uma lembrança
Eu sinto já, da parte de alguém
Nem sequer um riso de criança
Eu ouço nesta terra de ninguém.

E olho então as minhas mãos vazias,
Roço-as uma na outra para sentir
Algum calor nas tristes mãos tão frias
Que não têm outras mãos para as cobrir.

Maria

Até um dia destes
Maria

sábado, 15 de setembro de 2012

Era uma vez... em 1800


A história começa em 18... e vem até aos dias de hoje. Vou resumir por várias razões:
                              1ª Não sou o Camilo Castelo Branco.
                              2ª Era uma grande estopada.
                              3ª Ou eu ficava maluca ou alguém ficava, tal é o emaranhado da história toda.
Em 18... vieram de Colares dois irmãos em busca de uma melhor vida. Um emigrou para o Brasil à procura da árvore das patacas. O outro ficou em Lisboa e encontrou a dita árvore. Casou com uma menina filha de um agiota, herdou o negócio e fê-lo prosperar. Camilo fala dele num dos seus livros. Foi ele quem liquidou a herança do pai do escritor. Tiveram duas filhas, belas moças. Chamavam-se respectivamente: Bonifácia Dinis e Adelaide Olímpia. Só ponho os nomes para que a história fique clara.
Um belo dia chegou do Brasil o tio emigrado. Vinha rico e solteiro. Os dois irmãos logo resolveram juntar as duas fortunas. Foi dito à pobre da Bonifácia que iria ser esposa amantíssima do tio. Claro que a menina nem teve tempo para pensar, quanto mais para dar a sua opinião. Casou, teve três meninos e morreu. Entretanto o agiota tinha morrido e a Adelaide foi morar com a mana e o tio-cunhado-tutor. Ela criava e tomava conta dos sobrinhos, ele tomou conta dela. Tomou tão bem, que ao fim de uns meses nasceu uma menina. A pobre Adelaide viu-se com uma filha, bastante dinheiro e uma quinta no termo do Lumiar. Já doente, por lá foi ficando com a filha e duas velhas criadas. Os sobrinhos visitavam-na, ajudando-a a suportar a solidão, o abandono do tio-cunhado-tutor-amante, que entretanto já casara de novo e tinha outra filha. Ela morreu, a menina foi entregue à irmã mais velha. 
Pensam que acabou? Não. Agora é que vem o melhor.
Há tempos, o meu Filho comprou uma casa. Sabem aonde? Precisamente no sítio onde a minha bisavó escondeu a sua vergonha e mágoa de abandonada. Como sei? Possuo ainda a escritura dessa quinta em nome da minha avó. Mas é só a escritura, a quinta é hoje um aglomerado de casas. Quer dizer: o meu filho comprou uma ínfima parte, daquilo que um dia foi da minha família.
E diz a outra que não há coincidências!
Estão a ver que eu não sou o Camilo? Se fosse, esta história teria dois volumes, pelo menos.
Até um dia destes
Maria         




domingo, 9 de setembro de 2012

Resto


















Paula Rego


Sou resto de trapo
De um vestido velho
Deitado no lixo.
Sou caco de espelho
Que reflecte a luz
Duma forma estranha.
Sou resto de nada
Pois nada vivi
Sou resto que resta
Da vida que teima
Em viver em mim.

Maria

Até um dia destes
Maria