terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Há catorze anos, passei aqui, a meia noite.



Foi uma noite muito fria, mas senti-me muito feliz.
Parabéns Rafael.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Para ti, minha Margarida

No dia do teu aniversário, com toda a saudade e carinho, a nossa "Carmen"



Até um dia destes
Maria

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Papoilas






Um campo de papoilas sob o brilho,
Da luz dum sol de Primavera,
Lembrava colchas de retalhos muito antigas.
Cada folha cosida a outra folha,
Com ponto pequenino, feito à mão,
Parecia um pequeno coração
Ligado a outros, a muitos mais de mil.
Eram as colchas ricas de noivado,
Tecidas de ternura e ilusão,
Quase mantos de sedas e de brocados.
Agora, o tempo é escuro. Só lembram sangue,
O sangue, que cobre a terra de amargura
E deixa sobre ela, tanto corpo exangue.
Já ninguém faz as colchas de noivado.
Os corações, não batem já de amor.
As bombas caem, não há campo em flor,
Restam só corpos mortos, chacinados.
E é assim, que eu vou entristecendo,
Já não há alegria, nem beleza
Nos campos de papoilas sobre o mundo.
Já não consigo ver as colchas de noivado.
Só dor e um desespero, bem profundo.

Hoje estou como o tempo
Até um dia destes
Maria 

sábado, 8 de dezembro de 2012

A minha tábua de engomar





Ia fazer seis anos. Queria um ferro e uma tábua de passar, iguais aos da mãe.O ferro, em tudo igual ao da mãe, menos no tamanho, estava guardado desde a feira de Santa Iria, sem eu saber. Faltava a tábua. Comprá-la era díficil. As poucas que havia, eram caras demais, para a magra bolsa do meu pai. Ele resolveu fazê-la. Com muito trabalho, alguma arte e muito amor, fez a pequena tábua. Era de noite, quando eu dormia, que ele metia mãos ao trabalho.Quando acordei no dia dos meus anos, aos pés da cama, estava a tábua de engomar, forrada a flanela às florinhas azuis e o ferro, com algumas brazas dentro.Passei lenços, panos da loiça, guardanapos...Da tábua resta apenas a doce recordação. O ferro está aqui acima. Guardei-o todos estes anos.
Até um dia destes
Maria 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Basílica da Estrela, Zimbório e... Rock’n’roll



Em Julho de 1956 eu estava, como sempre, em Lisboa. À tristeza de saber que não voltaria mais a Tomar, contrapunha-se o prazer de nesse ano ter cá o meu irmão. Pela mão dele conheci a Lisboa dos Monumentos, dos Miradouros, dos Bairros Populares, dos jardins.
Uma manhã fomos à Basílica da Estrela. Passámos pelo bonito jardim, atravessámos, e no adro da Igreja estava um grupo de miúdos de alpergatas ( nesse tempo não havia ténis Nike), calças americanas (também não havia jeans Levis), um rádio de pilhas de onde saía o barulho de uma música estranha e um senhor aos gritos. Os rapazinhos torciam-se, atiravam-se ao chão, davam gritos, como se estivessem a ter algum ataque estranho. A provinciana pata brava, que vivia em mim, ficou pasmada com aquilo. Logo o mano mais velho e citadino, se apressou a explicar que era um estilo de música e dança vindas da América. Fiquei mais calma e elucidada, embora um pouco espantada. É que em Tomar tirando os fados, a música popular, os tangos e as valsas, aquela música ainda não era conhecida.
Entrámos na Basílica e fiquei deslumbrada. Já por fora a achara linda, equilibrada, com uma torre de cada lado e aquela cúpula enorme lá em cima. Dentro rendi-me à beleza dela. Foi-me explicado que D. Maria I, a mandara erigir como promessa pelo nascimento de um filho. Os arquitectos e pintores, alguns tinham trabalhado em Mafra. A harmonia e delicadeza das colunas é maravilhosa. A primeira pedra foi lançada em 1776 e a Basílica foi inaugurada em 1789. É de estilo Neoclássico, com três naves. Na do centro destaca-se o túmulo da sua Fundadora. Morta no Brasil, foi o seu corpo trazido para Portugal e ali repousa.
A parte mais aventurosa da visita foi a subida ao Zimbório, que pouco depois foi encerrado ao público. Subimos a escada e no alto eu tive Lisboa aos pés. E Lisboa é tão linda! Os telhados, as trapeiras com sardinheiras, as torres de outras Igrejas, o verde dos jardins, tudo me parecia novo e diferente. O céu azul estava tão perto, que por instantes, julguei lá chegar. O Tejo brilhava ao fundo, sulcado de Cacilheiros e outros barcos, os sons chegavam lá acima esbatidos. Com os olhos cheios de luz, desta luz de Lisboa que não é igual a mais nenhuma, desci com pena.
Foi assim, meu irmão, pela tua mão, pela tua voz, com o teu carinho, que passei amar Lisboa de outra maneira mais profunda, mais íntima.
Até um dia destes.
Maria
  



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Férias, uma garrafa de porto, 3 cálices e muita juventude



Há cerca de 52 anos, passei um mês de férias com um casal amigo dos meus pais, numa pequena aldeia, chamada São Bartolomeu do Mar, a uns quilómetros de Esposende. Lá conheci, uma prima da amiga com quem fora, uns anos mais velha do que eu, casada e com uma filha pequenina. Tornámo-nos muito amigas. Eles tinham alugado uma barraca de pescadores, que ficava numa ponta do vasto areal. De manhã íamos à praia, mas à tarde, geralmente a ventania era tanta, que não saíamos de casa. A menina dormia a sesta e nós abancávamos à mesa, perto da janela, com a garrafa, os cálices, bolacha Maria, às vezes os dados e conversa para a tarde toda. Todos gostávamos de falar e contar histórias. Ele, mais velho do que a mulher, sobrinho de um conhecido escritor, inteligente, professor de surdos-mudos, tinha uma enorme cultura e grande conhecimento do Porto de outras eras; Ela, pertencia a uma das boas famílias do Porto. Tiveram um romance atribulado, tinham uma vida apertada, mas eram felizes. Discutíamos História, Literatura, até política. O nível da garrafa descia e, para falar verdade o da conversa também. Vinham as anedotas, a má língua, as aventuras e desventuras dos conhecidos. No dia seguinte, um de nós ia à ti’ Albina, misto de tasca, mercearia, retrosaria, talho, buscar outra garrafa, a mais barata claro, e as bolachas.
Às vezes à noite, esvaziado o estábulo das vacas da ti’Albina, ligado o gerador, ligada a televisão, quem queria ver o programa, levava a cadeira ou o banco de casa, pagava 1$00 e via, mais ou menos às riscas, “A Dama das Camélias”, “As duas Órfãs”, “Os três Mosqueteiros”, com direito a leitura das legendas em voz alta e ao agradável e saudável, cheiro a estrume de vaca.
Porque me veio tudo isto hoje à memória? Porque bebi um cálice de Porto à saúde de um familiar que faz anos.
Mais uma vez, a saudade bateu à porta da minha alma. A maioria dos meus companheiros dessas férias, ou morreram, ou nada sei deles.
Dos meus dois companheiros dessas tardes, sei que ele morreu. Dela e da filha nada sei e tenho pena.
Comecei a brincar, acabo triste. Saudades Tony, onde estiveres. Saudades Lai. Por onde andas?
E São ”Bartolonosso”, ainda terá o “banho santo”, no fim de Agosto?
Ai meus 15, aonde vocês vão!
Até um dia destes.
Maria

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Lírio branco




Se te lembro eu vejo um lírio branco.
Era alva a tua pele, a tua alma
Davas a sensação de meiga calma
Com um olhar sereno e um sorriso franco.

Havia nos teus gestos  a doçura
Que as abelhas dão ao doce mel.
Eras meu branco lírio de Israel
A imagem do amor e da ternura.

Tudo em ti era belo e era puro
Tinhas no sorriso sempre aberto
A lealdade do crente bem seguro.

A fé, a esperança, a santa caridade.
Contigo era sempre tudo certo.
E o que sentias era só verdade.

Maria

Até um dia destes.
Maria