Ia fazer seis anos. Queria um ferro e uma tábua de passar,
iguais aos da mãe.O ferro, em tudo igual ao da mãe, menos no tamanho, estava
guardado desde a feira de Santa Iria, sem eu saber. Faltava a tábua. Comprá-la
era díficil. As poucas que havia, eram caras demais, para a magra bolsa do meu
pai. Ele resolveu fazê-la. Com muito trabalho, alguma arte e muito amor, fez a
pequena tábua. Era de noite, quando eu dormia, que ele metia mãos ao
trabalho.Quando acordei no dia dos meus anos, aos pés da cama, estava a tábua
de engomar, forrada a flanela às florinhas azuis e o ferro, com algumas brazas
dentro.Passei lenços, panos da loiça, guardanapos...Da tábua resta apenas a
doce recordação. O ferro está aqui acima. Guardei-o todos estes anos.
Até um dia destes
Maria