domingo, 9 de setembro de 2012

Resto


















Paula Rego


Sou resto de trapo
De um vestido velho
Deitado no lixo.
Sou caco de espelho
Que reflecte a luz
Duma forma estranha.
Sou resto de nada
Pois nada vivi
Sou resto que resta
Da vida que teima
Em viver em mim.

Maria

Até um dia destes
Maria

24 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Como poesia, é perfeita!

Mas,parece-me um "retrato". Caso seja você, a "retratada", não quero aceitar. Minha irmã portuguesa, minha querida Maria, comparo a um belo vestido de seda pura, rica em belos sentimentos de amizade que, mesmo sem conhecer pessoalmente, tenho, por você,um imenso amor fraternal...

Beijinhos,
da Lúcia



Um Jeito Manso disse...

Mary,

Estava a ler o poema a pensar na tristeza de quem o tinha escrito e a ver se deduzia quem teria sido. Mas, afinal, o poema é seu... Gosto e estou a pensar que nem tudo o que se escreve é autobiográfico, tantas vezes a a gente ficciona. Por isso, espero mesmo que seja uma inspiração que lhe ocorreu e que trazia tristeza, que nada disto seja mesmo o que sente.

É que uma Mary pronta para a guerra como a que se manifestou no outro dia lá no meu canto, é uma Mary transbordante de vida por viver e de genica para lutar por dias melhores.

Um abraço, Mary! (e parabéns pelo poema e... fico contente por ver a imagem que escolheu)

Vasco disse...

A casinha já está arrumada; agora precisas é descansar. Qual resto de nada! Não sejas tão modesta, que não és assim!
Sabes bem o que vales. Por que te maltratas tanto a ti própria. Sabes (e eu sei) o que tens passado nos últimos tempos. Não és resto de nada; e digo-te mais:
- O tecido é linho;
- O espelho é de cristal sobre prata, com uma moldura de Pau-Santo;

Sinceramente, não gostei deste post; parece descrever algo podre, já com uns cogumelos a viver no meio da porcaria.

Podias ter escrito um Post à Senhora da Piedade e a sua festa que se realizou neste dia 9 de Setembro.

Beijinhos do filho.

Maria disse...

Lucinha irmã:
Se você me conhecesse bem, saberia que, eu posso ser alegre uns dias, e sem razão aparente, um dia cair na fossa. Ontem, foi isso. Tudo de mau me veio à cabeça. Depois, fui arrumar e limpar a varanda e, fiquei melhor.
Este calor deprime-me. Eu que nem gosto de chuva, estou doida por uma boa chuvada, que apague os fogos, limpe o ar, refresque as cabeças perturbadas dos nossos governantes e, já agora, a minha.
Eu estou bem, por enquanto. Ainda está fresquinho.
Beijinho da
Maria

Maria disse...

Amiga:
A Mary não é sempre igual. Tem dias tristes. Ontem acordei assim. O estado a que o país chegou, o discurso estúpido do animal coelho, lembranças de outros tempos, puseram-me de rastos.
Preciso de ver chover, preciso do outono de que tanto gosto. Estou cansada de tanto verão. O calor sufoca-me, cansa-me.
Hoje penso que já voltou a Mary revolucionária, com vontade de mudar tudo e por os Passos todos, no lugar.
Abraço grande
Mary

Maria disse...

Filho:
Fizeste-me rir, com aquela dos cogumelos.
Este ano não fizeram festa à Senhora da Piedade. Só o Sírio. Já arranjaram as escadas?
Ontem limpei a varanda, tratei do cacto da avó e, passou o mau tempo.
Tu sabes que eu tenho dias assim.
Beijinhos
Mãe

Kim disse...

Não sei de quem é o poema, mas se for teu, não aceito nada do que aqui se diz.
A Maria que eu aceito é a mulher lutadora e forte que conheci. Nada de desabafos de Florbela, tão desencorajadores eles são!
Um beijinho minha petite Marie

Maria disse...

Amigo Kim:
É amigo, a Maria tem dias. Estes dias têm sido difíceis.O estado em que este país está, não ajuda. Tive noticias do Antunes Ferreira e, não são boas. Sabes como gosto dele.
Tenho tido problemas, sinto-me em baixo. Ontem senti-me assim.
Já passou. Hoje já sou de novo a Petite Marie.
Beijinhos, meu querido amigo
Petite Marie

Alva disse...

Maria

Que ânimo é esse?
Que vestido velho é esse?
O teu vestido ou é de seda ou é de linho, como diz o Vasco.
Apesar do país estar cada vez mais negro há que pensar positivo, senão todos nós é que ficamos bem "negros"...

Beijinhos e pensa positivo!
Da tua Pequenina

Maria disse...

Querida Pequenina:
É bom que tu e o Vasco pensem positivo. A vossa vida será muito mais longa do que a minha e, é por todos vós, os jovens e crianças, que eu tenho mais medo. Que mundo vai ser o vosso?
Espero que tudo melhore e tenham uma vida mais calma e segura.
Vou tentar pensar positivo.
Beijinhos da
Maria

Olinda Melo disse...


Querida Maria

Como construção poética está um mimo. E eu prefiro ver nas suas palavras um grande momento de inspiração.

A imagem, linda! As mulheres de Paula Rêgo deixam-me perplexa.

Beijinhos

Olinda

Maria disse...

Querida Olinda:
A verdade é que ando triste, mas não a este ponto.
Obrigada pela seu comentário tão doce como sempre.
Beijinho
Maria

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Todos temos dias assim, Maria. O meu hoje não está melhor. Durante 40 dias tive cá os neus Pais e um casal de amigos brasileiros; foi cansativo, mas gostoso; hoje voltaram ao Brasil e um vazio se instalou...a casa está triste e, apesar do sol, não achei graça ao dia. Sei que passa, assim como o teu. A vida tem destas coisas, Amiga! Um beijinho cheio de carinho.
Emília

Maria disse...

Querida Emília:
Estou a atravessar uma fase muito má.
Doenças, desgostos, desilusões, mortes. Estou mesmo um resto.
Sei que vou reagir. Sou mais forte do que pareço.
Um dia destes, acordo e vejo de novo o sol brilhar.
Até lá peço-vos desculpa das poucas visitas e comentários.
Tenho tido muita ternura e amizade de todos os amigos. Isso dá-me força.
Obrigada minha querida.
Abraço graaaande da
Maria

José Rodrigues Dias disse...

Caríssima Maria:

Gostei do poema de caminho triste.
Acaba com a mensagem forte da “vida que teima”. Sempre a vida teima, mesmo num dia triste que já passou!

Respeitosamente,

J. Rodrigues Dias

Maria disse...

Meu Poeta:
O seu comentário está certo, como sempre.
Os dias tristes são muitos. Estou cansada e triste.
Obrigada
Maria

Maria Rodrigues disse...

Maria quanta tristeza e nostálgia neste lindo poema. Também tenho dias em que me sento assim, um pouco de nada.
Beijinhos
Maria

Maria disse...

Maria:
Todas nós temos dias assim.
Paula Rego sabe pintá-las, como ninguém.
Obrigada e beijinho
Maria

MCP disse...

Amiga Maria,
Há dias comentei este seu post, mas o PC foi-se abaixo na altura e deve ter-se perdido o comentário.
Quando li este poema pensei realmente ser alusivo à pintura de Paula Rego, nunca imaginei a minha amiga sentir-se assim.
É certo que todos temos uns dias bons, outros menos bons e outros ainda muito maus...eu que o diga, tenho passado por todos.
Espero que os seus dias maus já tenham passado e tenham voltado os bons, sempre com pensamentos positivos...
Olhe os dias estão mais fresquinhos, sabe bem sair à rua logo pela manhã e respirar o ar fresco.
Beijinho grande
MCP

Maria disse...

MCP amiga:
Os dias continuam maus, mas penso que começo a ficar calejada.
No Domingo fui ao CCB assistir a um concerto. Fez-me bem. Hoje saí um bocadinho de manhã.
Já ultrapassei muitos dias maus. Hoje, mais velha e cansada, torna-se tudo mais difícil. A época que estamos a atravessar não ajuda muito.
Mas sempre fui lutadora e, creio que vou ultrapassar mais este tempo.
Obrigada pela sua preocupação.
Abraço
Maria

MCP disse...

Amiga,
Como tem passado?
Gostei de saber que teve um momento agradável no CCB.
Há tempos fui lá ver uma exposição, é um espaço agradável.
Gosto também muito daquela zona lisboeta.
Força para ultrapassar esses dias maus, melhores hão-de vir.
Bom fim semana,
Um abracinho
MCP

Maria disse...

Amiga MCP:
Vou tentar ultrapassar esta fase.
Obrigada pelo seu interesse.
Bom fim de semana.
Um abraço
Maria

elvira carvalho disse...

Mais uma vez um poema cheio de desespero. A lembrar Florbela.
Que se passa amiga?
Porquê Tanta tristeza, tanto desespero?
Espero e desejo que seja apenas inspiração de poeta, e não um retrato da amiga.
Um abraço

Maria disse...

Elvirinha amiga:
Sou um pouco eu, sim.
Mas só um pouco. Tenho um bom casamento e não me falta nada de material. Faltam-me outras coisas importantes, sem as quais terei de me habituar a viver.
Um dia, talvez lhe conte.
Abraço grande
Maria