segunda-feira, 26 de abril de 2010

26 de Abril


Ontem seria dia de dizer alguma coisa. É costume, todos falam na maravilha que viveram nesse dia, ou no medo. Fui das primeiras. Disse várias vezes, que foi um dos dias mais felizes da minha vida. O meu País livre, sem mordaças, sem guerra, sem censura, livre enfim. Julguei que todos seriam mais felizes. Enganei-me. Os cravos murcharam, os cravas continuaram a cravar, os ricos voltaram mais ricos e os pobres cada vez estão mais pobres.
E ontem, dia 25 de Abril, eu só lembrava o “Triunfo dos porcos” de Orwell.
Os animais libertaram-se, e fizeram o seu código de conduta que aqui está:


1 .Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais

Tempos depois o código foi modificado e saiu isto:


2. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros


Sem querer tirar ao Seve o papel de conselheiro de leituras, recomendo vivamente o livro. É pequeno e lê-se de um fôlego.
Tenho pena, mas não me ocorre mais nada.
Ontem não houve cravos para mim, nem sorrisos, nem alegria. Vi o Salgueiro Maia e não tive pena da sua morte prematura. Talvez fosse o mais feliz.
Sem alegria, sem cravos, até um dia destes.

27 comentários:

Estrela d'Alva disse...

Olá Maria,

Entendo-te.
É um forma de ver as coisas!
Eu não vivi nesse tempo, nada posso dizer, apenas sentir.

Foi esse meu sentimento que tentei expôr no meu blogue...

Beijinhos,
A Estrela d'Alva gosta muito de ti! :)

e... até um dia destes

Osvaldo disse...

Maria;

Eu costumo dizer que só gosto de Abril em Maio... Porque já passou e evito de escutar politicos hipócritas a levantarem o punho em honra do Abril que eles abacalharam e descaracterizaram em proveito próprio.
Também senti como tu o verdadeiro Abril mas hoje esse Abril dissipou-se como D. Sebastião no intenso nevoeiro.
Conto-te uma pequena história (verdadeira). No dia 24 de Abril de 1974 uma das minhas irmãs deu à luz o seu terceiro filho e era um menino. O meu cunhado dois dias depois foi fazer o registo na Conservatória (estavamos no Rio de Janeiro)e quando soube da Revolução dos Cravos e escutou através do rádio do carro que o lider era um tal de Spínola, não quiz nem saber quem era esse tal senhor mas se ele fêz a Revolução era um herói e vai daí, toca a juntar o nome de Spínola ao nome previamente decidido para a criança. Claro que para a vida, esse meu sobrinho chama-se Cristiano de Spínola R.... M......
Já adolescente, o meu sobrinho perguntou ao pai porque é que ele se chama Spínola se não há nenhum familiar com esse nome?;
O meu cunhado, anti-Salazarista de sete costados, respondeu;
"Esquece, filho. Foi a embrieguês da liberdade que me levou a delirar... Hoje sóbrio, lamento te ter ligado a um momento que deveria ser histórico mas que não passou de uma utopía!...

Maria, também eu lamento que os jovens capitães não tenho dado seguimento ao grande gesto de coragem que tiveram e tenham entregue o país aos "Velhos do Restelo" que vieram de todas "as bandas" e se diziam defensores da liberdade do povo...
Ontem, como hoje,... só mentiras.

bjs, Maria e abraços para o João e o Vasco.

Zé do Cão disse...

Minha boa amiga.
Vou ali e já volto, cheira-me a por um tempo não contem comigo.
Deste 25 de Abril vi ontem um pouco da TV, foi desilusão tal como foi o outro.
A cuchinilha está bem agarrada aos troncos e nem os produtos quimicos a fazem cair.
Esperança? Não não tenho. Penso é que dias muito piores estão para chegar. Estes abutres, estes assassinos da patria fazem isto em cacos e nada se aproveitará.
Antes a morte que tal sorte.
jinho

Andre Moa disse...

Ai tanto pessimismo e derrotismo que para aqui vai! Não me dou bem com estes climas. Antes a morte que tal sorte, ó amigo Zé do Cão? Não será derrotismo e exagero a mais?
Abreijos
André Moa

Kim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kim disse...

Petite Marie!
Às vezes a gente tem destes desabafos, mesmo que não sejam muito sentidos. Mas hoje, acredita que estou mesmo curioso em ler o comentário que o Ferreira aqui irá fazer, (da Travessa do Ferreira) já que as suas ideias não são exactamente as tuas. É que há poucos dias provocou-me um ataque de riso aquando dum comentário seu (dele) no Blog TOMAR A CIDADE. O post era sobre Salazar e o comentário do Ferreira foi no mínimo hilariante. Vale a pena passar por lá, o que não é nada difícil porque é um dos teus blogues amigos.
Vou ficar à espera
Beijinho

Maria Soledade disse...

Kida Maria, não vou perder-me em palavras, pois como tão bem sabes a minha opinião está bem expressa no trabalho que postei e tu comentaste. Palavras para quê? Abril(25)não nego,foi a esperança de um novo país para nós.Hoje,desiludidos(pelo menos eu),vejo que tudo não passou de uma enorme desilusão!...

Estou como diz o nosso Osvaldo:"Eu só gosto de Abril em Maio"...

Beijinhos Grandes

MUUUUAAAAAAAAHHHHHH*******************

Laura disse...

Maria, na altura estava em Luanda feliz a viver a minha vida, um emprego, a familia junta era tudo o que mais queria, e nesse dia e noutros dias, toca a fazer malas,desfazer a casa, empacotar tralha e ala arriba, para longe...ali ficou a saudade permanente no meu coração, e ali ficaram as minhas lágrimas para sempre... escrevi esta poesia em 2007 continuo a mantê-la porque, o que vejo não corresponde a nada do que se viu e falou e sentiu... vejo tudo a descambar, os pobres a ter de roubar para comer e em breve começam a matar,a ssim tão simples... mas, não acredito em mudanças..o D. Afonso henriques se pudesse voltar, mesmo de novo como se diz, seria uma utopia..
beijinho da laura



Nunca cantei ao som dos cravos...


25 de Abril de cravos ao peito
Tantas vozes na multidão
A gritar de qualquer jeito
E a maioria grita sem saber
Que o 25 de Abril
Foi para muitos, fonte de sofrer.


Sofrer ao ter que abandonar
A terra do nosso doce viver
A terra que aprendemos a amar
E a conhecer.
Mas tivemos que partir
Ao som da cançaõ dos cravos…


25 de Abril para quê?
Liberdade para quê?
O que é que se vê nas ruas
O que mudou assim tanto
Que nos faça querer
Cantar o dia de hoje?

Onde estão os que cantavam a alegria?
Onde os maiorais que tudo orquestraram?
Onde andas povo meu que sofres e já não cantas?

Que enquanto te davam esmolas
Enriqueciam eles…

E agora em vez de cravos nas lapelas
Pendurais bandeiras pretas, nas janelas !

Je Vois la Vie en Vert disse...

O 25 de Abril não foi uma alegria para mim : tinha casada há 1 mês e meio, tinha 20 anos, não percebia nada, não tinha telefone, o meu marido saí todas as manhãs e eu não sabia se ele ia voltar.
Entrei num país calmo, ao meu ver, para quem não se metia na política, não fui para Angola como estava previsto.
Já conhecia as manifestações e greves do meu país, as politiquices, a corrupção e não achei graça nenhuma ser revistada por civis e ser chamada de "FACISTA" por ter um carro desportivo....
Afinal, eu não estava enganada, por não estar satisfeita....no entanto sou democrata...

Beijinhos

Maria disse...

Pequenina
Espero que quando chegares à minha idade, não sintas o travo de desilusão que sinto. Sempre sonhei com aquele dia. Ele veio e foi cheia de esperança e alegria que o vi chegar. Livres, enfim, de um regime caduco, brutal, que me levou amigos e familiares para combater numa guerra sem sentido. Ao principio vibrei, participei, quis ajudar a refazer este país tão lindo, que é o nosso. Achava que tudo tinha valido a pena para viver aquele dia.
Hoje, vejo tudo pior, as injustiças, as dificuldades aumentarem, um país à beira da falência, gente que só pensa em criticar e nada fazer.
É isso que me entristece. A triste herança que tu, os meus netos e os outros da vossa idade, vão receber.
Tu que ainda tens idade para sonhar, continua a cantar a "Gaivota voava voava". Talvez um dia, volte mesmo.
Beijinhos
Maria

Maria disse...

Osvaldo
Naquele dia, vi o sonho de meu pai e o meu realizados. Era o fim da ditadura, da guerra, que tantos amigos me roubou.
Fui a manifestações, comícios, estive debaixo de fogo, no Terreiro do Paço, assinei manifestos e petições, colei cartazes pela noite dentro.
Olho para trás e sinto mágoa. Olho para o futuro e não sinto esperan eça.
É sempre tudo tão diferente nos sonhos! Foi um sonho que morreu.
As minhas ideias continuam iguais, os politicos mudaram (mudam todos os dias) as deles.
Achei graça à história do teu sobrinho. Pobre moço que vai levar toda a vida o estigma de um nome e nem sabe porquê!
Beijinhos para os dois
Maria

Maria disse...

Zé amigo
Deste 25 de Abril, só vi uma pequena entrevista antiga, a Salgueiro Maia, o meu capitão de Abril. Morreu cedo, mas já morreu desiludido.
Espera-se muito dos homens e eles nada valem, nada fazem.
Quem sabe, um dia seja diferente?
Eu é que já não devo ver.
Escreve uma história das tuas. Preciso urgentemente de dar umas boas gargalhadas.
Beijinho amigo
Maria

Maria disse...

Querido André
Tens razão. Anda tudo desiludido, macambúzio. Isto passa. Quando receber a minha bela reforma de 38euros e o acerto do IRS, vou almoçar fora. Deve dar para as entradas.
Beijinhos, amigo
Maria

Maria disse...

Kim
Já tinha visto.
O Luís é muito novo e cheio de ideais.
O comentário do Henrique só podia ser aquele.
Desiludida estou. Sem sair de casa,
dou a volta ao mundo, e só o vejo cada vez mais escuro.
Como sou sonhadora de nascença, um dia destes volto a sonhar com um mundo côr de rosa.
Beijinho amigo, da
Maria

Maria disse...

Querida Soledade
Como podes ver, também não era este o meu 25 de Abril.
"Já murcharam tua festa, pá", como diz o Chico Buarque. Foi pena.
Beijinhos
Maria

Maria disse...

Querida Laura
O teu 25 foi diferente do nosso. Noutro continente, noutra maneira de viver. A poesia está boa, embora não concorde com muitas coisas. Mas alguma coisa ficou de Abril, a liberdade de discordar.
Beijinhos nina.
Maria

Maria disse...

Querida Verdinha
Calculo o que terás passado. Tão nova, num país estranho, com uma língua estranha, deve ter sido díficil para ti. Tens razão, houve excessos. Em todas as revoluções os há. Em França cortaram cabeças.
Aqui, usavam como supremo insulto a palavra "Fascista", que alguns nem sabiam o que queria dizer.
Abraço grande, amiga
Maria

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiga (& Kimzinho & outrozinhos)

Enquanto há vida, há esperança; a esperança é a última coisa a morrer, diz outra versão. Recuso-me a perder a esperança, não seria a caminho de fazer 69 - anos, claro! - que ia alterar o que pensei, penso e pensarei.

Mas, tal como o crocodilo que, na anedota em tempos de URSS, voava, mas muito baixinho, as coisas estão de tal sorte que por vezes penso que ela ainda existe, mas...

Ora bem. Toda a gente que me lê, que me conhece, que me ouviu na rádio, que me viu na televisão, mas, que é habitante da blogosfera, qum é meu Amigo, (chiça que frázia mais longa e chata que nem a espada afonsino-henriquina), enfim, toda a malta sabe que não gosto do Baltazar de Santa Comba. Prontos, sem s. Ponto. Ufffff... Nem pó.

Posto o introito tsunâmico, entro nos consequentes. Que os deuses do Olímpio & Cia Ilimitada - eu não escrevi CIA - me amparem a queda desazada. Desta só se safaria o João Garcia.

Escrevi no meu blogue e no site SEXOFORT.net o que é uma brincalhotice sobre o 25 de Abril ter calhado ao domingo.

Alguns, bastantes, dos que (ainda) me lêem, censuraram-me a «ironia barata» (a expressão é deles) que usei. Uns fizeram-me telefonemas disfarçando a voz; outros, mandaram-me cumentários, com o, «anónimos». Estes, de acordo com o aviso existente no Travessa, foram arquivados na cesta secção.

A ironia que utilizei foi-me muito penosa, doeu-me muito. Não sou masoquista, como julgo que sabem, mas não foi um harakiri porque... não tinha coragem e, principalmente, não tinha sabre.

O 25 de Abril de 1974 é para mim uma das três datas mais importantes da nossa História: a batalha de Ourique (ainda que fosse o filho a bater na mãe...; a implantação da República e a Revolução dos Cravos e, sobretudo, sem sangue.

Foi ela que trouxe a esta nossa terra a Liberdade e a Democracia que andavam dela arredadas de há muito, mas, sobretudo desde o 28 de Maio de 1926. Há quem não goste delas, há quem mesmo as odeie. Eu, não.

Foi ela que permitiu resolver com a dignidade possível o enorme problema que era uma guerra em territórios colonizados. E, como até sou casado com uma Goesa, e como andei por Angola, às vezes com uma canhota na mão, creio que posso dizê-lo.

Foi ela que permitiu que adquirissemos uma posição internacional que era vergonhosa pela estupidez crassa do já citado Prof. Baltazer. Ó diabo, o Botas era com S... Desculpem-me.

Poderia aditar mais, muito mais motivos. São os meus; outros terão os deles muito diferentes. A opinião, hoje, não é crime - e era. A Liberdade tem essa componente que para mim é fulcral: escrever sem censura prévia.

Estou um tanto desiludido - ia escrever bastante mas... escrevo - com a situação a que chegámos. A ideia e a intenção eram explêndidas; a concretização delas continua muito manca.

Jorge Sampaio (de quem sou amigo desde os bancos da Faculdade) disse que a nossa democracia era má. E é. Aquela que temos: Se nós, os Portugueses, não somos bons, somos mesmo uma lástima, como haveriamos de ter uma democracia boa, políticos bons, etc. bons? Felizmente com muito boas excepções.

Winston Churchill escreveu: «qualquer Democracia por mais que seja má, é sempre melhor que uma ditadura, por melhor que esta seja».

Ao fim de 36 anos, há muita gente, sobretudo jovens, que não sabe - ou, pior, não quer saber - o que foi o 25 de Abril e o que ele representa. E também não se tem feito muito para ultrapassar esta situação.

Mas para quem, como é o me(a)u caso... viveu debaixo de uma canga ditaturial-paternalista e que, de repente, se viu liberto dos grilhões, foi uma maravilha. Por aqui me fico, pedindo à minha querida Mariamiga que me releve deste mastodontico escrito.

Abs em Liberdade aos masculinos -incluindo obrigatoriamente o artista - e qjs democráticos para tu

Maria disse...

Henriquamigo
Disseste mais ou menos o que sinto.
Desde que me conheço, sempre ouvi dizer mal do Salazar e de tudo o que ele representava. Era bem garota, quando foram as célebres eleições "livres como na livre Inglaterra". Vi o meu pai esperançado numa mudança que terminou em nada. Lembro-me da grande recepção que ele teve no Porto. Lembro-me de colar nos livros das aulas o retrato dele. Lembro-me de o meu pai chegar a casa de madrugada, louco de alegria, depois de ter seguido por todo o lado o General Sem Medo. Lembro-me do ataque ao quartel de Beja. Um pouco mais tarde, seguia atentamente a Rádio Portugal Livre, em Argel. Lembro-me do assalto ao Santa Maria, ou Santa Liberdade, do avião sequestrado, dos panfletos que nos chegavam às mãos clandestinamente.
Depois, chorei imenso a morte do meu General.
No 16 de Março comecei a acreditar que algo ia acontecer. Falhou. Na madrugada do 25 de Abril, ao ouvir canções proíbidas, frases proíbidas, e por fim o começo dos boletins das F.A., comecei a tremer e só parei quando vi o Marcelo sair dentro da Chaimite.
Não dormi duas noites, porque não queria perder nada.
Filiei-me no PS, trabalhei na secção de Odivelas, fui uma das que no largo do Rato, entregou um documento ao então Iº ministro Mário Soares, em que as mulheres socialistas pediam alguns direitos que lhes eram devidos. Era o "Núcleo da Condição Feminina" com estatutos e tudo. Prometeu-nos que só dependeriamos do 1º ministro. Durou pouco, mas foi bom. Colei cartazes de noite. Passei uma noite a passar à máquina a lista dos candidatos de Odivelas e fui entregá-lo às 7 da manhã a Loures. Isto foi a minha actividade partidária. De nada me arrependo, nada renego. Foi um tempo feliz e cheio de esperança. Comícios de onde saía rouca, Terreiro do Paço com tiros, nada me arrependo.
A pouco e pouco fui-me desiludindo. Havia muita mentira, muita gente interessada apenas num bom tacho. Nunca recebi nada do Partido.
Tenho saudades, sabes? Voltava a fazer tudo de novo.
Este foi o meu 25 de Abril, aquele que recordo com o orgulho de o ter vivido em pleno.
O que resta dele? Será que ainda existe em algum cantinho, uma sementinha dele? Tens ilusões ainda? Eu cada vez o vejo mais longe.
Hoje é só uma recordação muito bonita, mais nada.
Já me alonguei demais.
Abraços dos homens, beijinhos e as melhoras da Raquel e queijinhos para tu.
Maria
PS continuo a ser.
Maria

Kim disse...

Tá bem! Temia que caísse o Carmo e a Trindade, mas esqueci-me que o Carmo já antes havia caído.
Vá lá que o Henrique até foi bastante moderado e o seu costado aguentou bem a provocação.
Quanto ao Luís também temos de perdoar a sua juventude pois está a descobrir a "estória" do Bom, do Mau e do Vilão.
Mas lá que achei piada ao Henrique, isso não nego.
Vá-se suicidar, tinha o tamanho duma folha inteira, cheia de impropérios.
Beijinhos Petite

Laura disse...

Maria, aos 22 anos e ter de deixar a terra onde vivia para vir viver numa terra que nem gostava por causa do frio ehhhhh e das gentes,sei lá, foram anos e anos de África, logo porque iria cantar ao 25 de abril se onde vivia não tinha problemas nenhuns e vivia a vida como qualquer jovem, trabalhando...tendo a praia pertinho o calor tão bom. ah, sabia lá eu que aqui se vivia mal..aos 22 anos não sabemos de nada nem queriamos saber...
Beijinhos,serve de desculpa...laura

Maria disse...

Querida Laurinha
Desculpa porquê Amiga?
Por teres sentido o 25 de Abril de uma forma diferente?
Tenho muitos familiares que viviam nas colónias e a sua reacção foi igual à tua. Tiveram que vir de lá às pressas e ainda hoje guardam uma grande saudade da sua África tão amada.
Eu consigo entender isso, nina.
Quando me tiraram de Tomar, o choque deve ter sido parecido. Custou-me muito.
Por isso, nada de desculpas entre nós. Usando e abusando de uma frase do filme "Love Story": Ser amigo é nunca ter de pedir perdão".
Ai Balha-me a Santa que me deu hoje para o sentimento!
Beijinho grande
Maria

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiga

Só um pequeno aditamento... Pra grandiburro já bastou o cumentário, com o, que fiz antes.

Quero daqui enviar um abraço ao Kim e dizer-lhe que a «provocação» (o termo é dele...) aceitei-a com paciência, humildade - se eu não disser bem de mim, quem?... - mas, principalmente alegria.

Porque os Amigos são a melhor coisa que escolhemos já que a famelga nos é imposta fatalmente. Os Árabes, que foram os primeiros a dizer isto, ékeaçabiamtoda. E são eles (os Amigos, obviamente) que nos podem dar alegrias.

E eu sou amigo do Kim, que é bué da fixe. E eu penso que ele também é meu Amigo. E digo penso, porque o gajo, perdão, o senhor gajo, lê-me em outros blogues e cumenta, com o, até aqui nos Alcatruzes. No Travessa é pior do que o gato em vinha vindimada...

Afinal, são dois. Também vivi em África, o meu último filho é de Luanda, deixei lá muitíssimos Amigos, pretos, brancos e mulatos, e sempre entendi que os Angolanos, como os outros colonizados, tinham toda a legitimidade e o natural desejo de serem independentes.

Recorreram à luta armada? E o Afonso Henriques - o que fez ele até contra a pobre da mãe Tareja?

Desculpa-me a verborreia. Abs mistos e qjs para tu

Maria disse...

Henriquamigo
É claro que o Kim é teu amigo.
Eu sou amiga dos dois, acho-vos uns gajos bué da fixes. Quando não estamos de acordo com alguém, só quer dizer, que esse alguém representa alguma coisa para nós. Pelo que me toca, é assim. Só dou a categoria de discordar àqueles de quem gosto. Aos outros nem me ralo a responder.
Tu nunca escreves demais. É muito bom ler-te, mesmo quando discordo.
Queijinnhos amigos e espero que as notícas da Raquel sejam melhores.
Maria
PS (tinha que arranjar um pretexto)
Abraços dos homes
Maria

Laura disse...

Maria, levaste-te ao filme do Ryan Oneal e da Ally Mac graw, Love Story, Deus, quantas lágrimas sentidas, soluços recalcados... era um filme, eu sei mas aos 27 anos ah, sabe tudo a romance de amor.

A Neide já é a nossa doutorinha por extenso, assim; que felicidade foi ontem vê-la ali serenamente e decidida a responder a tudo...
Beijinho e claro que temos de dizer a verdade, nem sequer falo da Independência de Angola...(serviu-lhes d emuito...) o povo continua a sofrer e meia dúzia deles enriqueceu cumó caraças .e os portugas foram substituidos por chilenos russos espanhóis, gregos, turcos, enfim, tomaram o lugar d euns e outros e a desgraça continua, a terra está cada vez mais pobre e já me recomendaram que nem pensasse em lá voltar, porque está irreconhecivel, enfim...raiod e 25 de Abril para mim e para tantos..e até aqui vejo os da terra a dizer que foi tudo pra tapar...o que aí vinha, a vida que hoje temos com os filhos a sair do País para ganharem a vida lá fora!...
Beijinho, vou ás ninas tomar a cevadinha..laura

Maria disse...

Flor de linho
Parabéns à mãe e à Doutora Neide. Um grande abraço e felicidades para ela.
Boa cevadinha.
Beijinho grannnnnnnnnnde
Maria

Laura disse...

Olá Mara, a cevadinha estava boa, quentinha, lá fora chovia e nós em amena cavaqueira, é assim aos sábados, têm tudo organizado e doa queles bons momentos para falarmos e rirmos, chorar, o que for..Beijinhos mil e obrigada pelo carinho, laura