terça-feira, 5 de julho de 2011

Madalena, minha irmã Madalena


Relendo um livro da Alice Vieira, lembrei-me de nós.
Claro que há diferenças. Ela tinha 10 anos quando a irmã nasceu, eu tinha 2 quando nasceste. Esperava pelo “meu bebé” com ansiedade. Já tinha um mano que adorava, tinha tido uma irmã que não conheci. Aquele bebé que me tinham prometido, era um sonho.
Mexia, chorava, comia, chuchava no dedo polegar e, era linda! Olhos grandes e lindos, nariz arrebitado, careca ( depois vieram os caracóis que te faziam parecer uma bonequinha). Eu, do alto dos meus 2 anos, tomei-te sob a minha protecção e, não gostava que te tocassem. O bebé era meu. Conhecias-me bem. Mais tarde, chamavas-me “mãesinha pequenina”.
Crescemos os três. Eras esperta, ladina, alegre e senhora do teu nariz.
Às vezes, eu e o mano, armávamos a casinha das bonecas debaixo da mesa e, pedíamos a Deus que dormisses uma grande sesta. Quando acordavas, começava a revolução. Enquanto nós te tentávamos convencer a ser a filha, tu decretavas que eras a “criada” e, tomavas conta de tudo.
Crescemos lado a lado, dormimos no mesmo quarto, partilhámos brincadeiras e bulhas. Sempre juntas, sempre irmãs.
Depois, a vida levou uma para cada lado, estamos separadas pelo mar mas, eu continuo a ver-te da mesma forma: o meu bebé, a minha irmã, a minha companheira de menina.
Estamos velhotas, filhos criados, cada uma para seu lado mas, irmãs.
Madalena, minha irmã Madalena, como tenho saudades de nós antigamente!
Madalena, minha irmã Madalena, como tenho saudades tuas!
Beijos, muitos beijos da tua irmã.
Maria

Até um dia destes.
Maria

18 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiga

Eu também tenho uma Madalena: 11 anos; é a minha neta.

3abçs & qjs para tu

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Maria, querida, que enternecedora
esta tão mimosa carta-mensagem...
Quero crer que, minhas irmãs e irmãos mais velhos, tenham sentimentos semelhantes aos seus, quando relembram momentos da primeiríssima infância: sou a caçula, de 6 irmãos.Tenho acompanhado algumas "Marias", com irmãs, "Madalenas", mas tenho certeza que nenhuma das Marias nutriram tão imensa e intensa ternura por suas "filhinhas".
Madalena, a essa altura, deve estar radiante com tão bela declaração de amor.

Minha irmã,antes de mim, chama-se Margarida...agora lembro-me de uma cantiga de roda e lhe pregunto: Onde está,a Madalena?...

Linda, a sua crônica-carta, Maria!
Beijinhos
Lúcia

Alva disse...

Olá Maria,

Nem imaginas como te entendo!

Conheço tão bem esse amor incondicional que existe entre duas irmãs.
Quase como se uma dependesse exclusivamente da outra e vice-versa.
São pensamentos, sentimentos, vivências e até simples olhares que só entre irmãs são compreendidos.

Entendo tudo isto sem, no entanto, ter alguma irmã biológica (ou irmão).
Sabes... aprendi certo dia que existem amigas tão próximas de nós que podemos utilizar o termo "Irmã" para as denominar.
Aconteceu comigo! =)

Muitos beijinhos para ti,
Estrela d'Alva

P.S - Na minha opinião, um dos melhores posts que já li teu... pela sensibilidade que acarreta e pelo seu significado na minha vida. Parabéns!

Ritinha disse...

Recordar a infância é tão bonito. Eu era bem mais velha quando a minha irmã nasceu. Tinha 9 anos e estava mesmo ansiosa. Também partilhamos brincadeiras e essas são recordações que eu nunca vou esquecer.

beijinho

Corvo disse...

Isto deve ser uma espécie de transmissão de pensamentos, que ainda há umas horas me deu vontade de lhe telefonar para saber como está. Mas já não era cedo.

Compreendo o que sentes, apesar da grande diferença de idades para com os meus irmãos, pois também sinto saudades de quando os três vivíamos na mesma casa, mesmo com as bulhas de vez em quando. Cada um para seu lado; Há mais de dois anos que não estamos todos.

Beijinho

Maria disse...

Henriquamigo
Madalena é um nome frequente na minha família. A minha Madalena é esta. Eu e o meu irmão chamamos-lhe muitas vezes "a miúda", porque é a mais nova.
É uma mulher cheia de garra, já passou por muita coisa mas, continua a ter uma força enorme. Aqui há anos, atravessou a América de camionete, sozinha. Nós cá à rasca e, ela na boa, feliz e sem medos. Aliás, medo é palavra que não faz parte do vocabulário dela. É a mais valente dos três.
Felicidades para a tua Madalena.
Abraços do João, beijinhos para a Raquel e queijinhos para tu
Maria

Maria disse...

Lúcinha amiga
Já tenho falado da minha irmã aqui mas, nunca tão directamente. É uma das minhas grandes afeições mas, como não consigo dizer cara a cara, o que sinto, foi a forma de lhe dizer quanto gosto dela. Sou muito mais expansiva e sincera, por escrito.
És a mais nova. Eu sou a do meio. Tenho um irmão mais velho e esta mais nova. Gosto muito deles. Fazem parte de mim e, são o que mais me resta dos meus pais.
Obrigada pelo teu comentário e um beijo grande
Maria

Maria disse...

Pequenina
Manuel Alegre escreveu um dia: "Irmã é uma palavra com aldeias dentro".
Como está certo! É das palavras mais bonitas que conheço.
Tive uma prima, a minha Margarida, com quem tinha uma relação mais de irmã, do que de prima. Fomos confidentes, amigas,irmãs. Não havia segredos entre nós. Foi uma das pessoas que mais me custou ver partir.
Esta Madalena, é um pouco minha irmã e minha filha. Gosto muito dela, como do meu irmão. Cresceram comigo e fomos muito felizes juntos.
Obrigada minha Pequenina. Gosto muito de ti.
Beijinhos
Maria

Maria disse...

Ritinha, Ritinha:
Já leste a "Rosa, minha irmã Rosa" da Alice Vieira? Lê, que vais gostar.
É uma história de uma infância linda.
Se gostas destas histórias, lê. È uma escrita leve, real, simples, como todas as historias dela. Já o li muitas vezes e, encontro sempre coisas novas.
Obrigada pelo teu comentário.
Os exames correram bem? Espero que sim.
Beijinho
Maria

Maria disse...

Meu Corvo
Os teus irmãos foram quase teus segundos pais. Já eram grandes quando nasceste e foste uma prenda para eles. Também eles devem sentir saudades desse tempo. Até eu. Temos que a aceitar como é.
Beijinhos
Mãe

alfacinha disse...

Madalena é um nome lindo. Soa tão suave
cumprimentos

Antenor Muralha Filho disse...

Oi Maria

Descobri vc através do blog do Henrique Antunes Ferreira, decidi vir aqui e adorei essa sua história. Ternura demais e vc é muito boa de escrita

Gostei

Laura disse...

Maria, não tive uma irmã, mas o meu mano mais novo que já se foi, a esposa dele a querida Rosa que vive na África do Sul, damo-nos como manas, tão bem, tão bem, ela esta cácom os filhos, estiveram cá uns dias, foram a Espanha Madeira Itália e ainda voltam para a semana, mais uns dias, ah, como os amo, como amo a minha cunhada, como me sinto feliz com eles aqui...
Entendo-te, achei piada a ela querer ser a criada e tomar conta de tudo...

Beijinhos da flor de linho.

Kim disse...

Parece que nas nossas vidas há sempre uma Maria de Magdala.
Está traçado nos céus que alguém tem de encher o nosso olhar tanto quanto o coração.
Bonito este retrato antigo de duas petites envoltas em descoberta e cumplicidade.
Beijinhoa à Petite Marie e à Petite Magda-lena.

Maria disse...

Alfacinha
Obrigada pelo comentário e, volte sempre. A porta está aberta para todos.
Maria

Maria disse...

Antenor
Gosto de escrever. Se escrevo bem, ou mal, depende de quem me ler. Você soube captar os meus sentimentos.
Obrigada amigo. Vindo da Travessa, só pode mesmo ser, amigo.
Volte sempre que queira.
Um abraço
Maria

Maria disse...

Laurinha querida
Só respondo hoje porque esta semana tem sido péssima. Estive 4 dias em Lamego à espera que a lei deste bendito país, leva dias para entregar um corpo. Morreu a sogra do meu filho e, não quis deixar a minha Silvia sem companhia.
Irmão ou irmã é o mesmo. Dou-me bem com os dois e, adoro-os. São o que me resta dos pais que perdemos.
Mesmo longe, sentimo-nos sempre perto e contamos uns com os outros.
Estás bem, minha Flor?
Beijinhos
Maria

Maria disse...

Kim
Lê o que escrevi à Laura. Está lá a explicação desta demora a responder.
Tens razão. A petite Madalena é doce e meiga. Amiga do seu amigo mas, levadinha da breca. A vida tem-a magoado muito mas, recupera a força.
Não é como eu, que me deixo levar pelos desgostos e não sei reagir.
Beijinhos,meu amigo.
Maria