sábado, 9 de maio de 2009

Só uma letra


Só uma letra faz toda a diferença. Neste caso, a falta dela.
Descobri isso quando me debatia entre uma sonolência doentia e uma insónia, provocadas pela crise de Favismo, que me acometeu.
É. Tenho alergia às favas. Não posso tocá-las, nem comê-las, nem sequer passar-lhes perto. Ora, estamos no tempo delas. É difícil ir às compras sem as ver. Foi o que me aconteceu. Bastou-me cheirá-las de longe, para ficar com comichões, lábios dormentes e dificuldade em respirar. Tenho alergia também às “Aspirinas”. Os sintomas ainda são piores. Hoje, cheguei à brilhante conclusão que, a origem das duas alergias é a mesma: Falta de uma qualquer enzima. Pelos vistos, eu tenho problemas com elas. Também não tolero o leite por causa da falta de outra enzima.
No meio desta confusão veio-me à cabeça o “Fauvismo”, corrente artística de que fazem parte alguns pintores que gosto. Maurice Vlaminck, Henri Matisse eram “Fauvistas”.
O Fauvismo é segundo li:” Primado da cor sobre as formas: a cor é vista como um meio de expressão íntimo, desenvolve-se em grandes manchas de cor que delimitam planos, onde a ilusão da terceira dimensão se perde; A cor aparece pura, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas directas e emotivas; autonomiza-se do real, pois a arte deve reflectir a verdade inerente, que deve desenvencilhar-se da aparência exterior do objecto; a temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social, política ou outra”.
Parágrafo. Fim de citação.
Se é esta ou não a verdade, não sei. Só sei que gosto.
Já o “Favismo” podem defini-lo como quiserem, que para mim, é uma valente chatice que me atormenta todos os anos.
Ai, como eu queria passar ao pé das favas, como paro a olhar um quadro de Matisse! Com prazer, sem medo, sem problemas.
E afinal, é apenas uma letra, um simples u, que faz toda a diferença.
Bom fim de semana, sem alergias.
Até um dia destes.

18 comentários:

Corvo disse...

O que vale, é que tens a enzima que digere os quadros!

Maria disse...

Meu Corvo:
Os quadros não são digeriveis. Ou se gosta e guardam-se na memória, ou não se gosta e esquecem. Penso que para isso não são precisas as tais enzimas.
Beijinho e até amanhã.
Mãe

Kim disse...

Já somos dois, Maria.
Do fauvismo, gosto imenso. Do favismo, nem tanto.
E ja´me esqucia de dizer que do pepinismo também tenho aversão.
Gostos!
Beijinhos Petite!

Maria disse...

Kim:
Olha que esta do favismo é mesmo chata. Quanto a pepinimo, pimentismo e até outros legumes, só te digo que, quando como sardinhas, que adoro, como só mesmo as sardinhas. Nem batatas (não gosto), nem salada (faz-me mal, só sardinhas. Por falar de sardinhas, ando com vontade de as comer.
A Maria come pouco e mal. Parece mentira, mas há poucas coisas de que goste mesmo. Antigamente era gulosa. Adorava bolos e doces, agora nem isso. Tirando sopa, chá e torradas, como pouco e por obrigação. Coitados dos meus pais, viam-se às aranhas para me fazerem comer. Gosto de estar à mesa para conversar, mas comer não. O mais engraçado é que gosto de cozinhar e até cozinho bem.
Beijinho

Laura disse...

Rapariga linda; Favas e quadros não combinam nadinha, mas, tu, fizeste-lo na perfeição.
Lamento a tua alergia, também sou alérgica ao pólen, mas,e ste ano, ou fosse pela operação do surfista, por ter falado com a anestesista que falou com o médico sobre como sentia a garaganta, ainda só esfreguei um cadinho os olhos e mais nada..uns espirrozitos que é tempo deles e...vamos indo.
Favas, a minha mãe dá-mas, ela não as come todas, não tenho nenhum burro prás comer, eles gostam delas...e o manel gosta, faço só para ele, uma vez por ano e já é muito, descasco-as, congelo-as, dispo-lhes a camisa e vão para a sopa de longe a longe, eu nem gosto muito, não gosto porque me lembro das valentes chineladas da dona Elisa (a minha mãe)porque veio um pobre bater à porta, nessa altura, na pontinha, eu devia ter uns 4 anitos e ainda me lembro, do chinelo, da dona elisa da cara dela,zangada, pudera, está sempre zangada, a ela nem saio porque estous empre mais para rir do que para me zangar... na cara do pobre que bateu á porta e no raio do chinelo que era nem mais nem menos que um resto de uns saptos brancos com furinhos, que depois de muito uso, se transformaram em chinelos, para mim; detestáveis!
A sopa de favas jazia na mesa da cozinha a arrefecer, a minha eterna desculpa para sopa de favas, não comer...
Laurinha, vai ver quem está à porta; lá vou eu, abro a porta, um belo homem, alto, lindo, mesmo de barbas,meio sujo. Minha menina, diga à mãezinha que tenho fome, se tem um pratinho de sopa!pão... mãe, é um pobre que quer a minha sopa!...a mãe vai lá, ó meu Deus, sente-se aí, à entrada da porta, no degrau, como o pai não estava em casa, ficava mal mandar entrar o homem...eu acho que o mandava entrar e ainda lhe dava a panela para levar o resto da malvada da sopa...foi buscar a sopa, mas, não sem antes me dizer que; deixa estar, ele vai comer a sopa toda (o rais da sopa fervia que sei lá, até me lembro do fumo que saía do prato, era Inverno)mas quando ele se for embora, vais levar uma tareia de chinelo...
Ah, que bem me sabia ver o homem a comer a minha sopa, ah, mas que bom, até fiquei feliz por ele matar a fome, comeu pão, levou mais pão com uns filetes de peixinho do dia anterior que é quando sabe melhor, foi-se, agradecido, as lágrimas a cairem-lhe pela cara abaixo, mas, as dele eram de felicidade e as minhas de dor quando o chinelo começou a sua função, a minha sova e depois é que foi para o chão, para aquilo que o raio d e um chinelo foi feito!...!
Já sei que te estás a rir ó minha querida Maria, mas foi a verdade que contei...Eu favas? obrigadinha, trazem-me más recordações...
Tem um bom Domingo, e com tanto riso, acho que ainda vou fazer um post por causa da sopa das favas, os meus amigos vão rir como tu te ris neste momento...
Tem lá calma e trata de ti e não passes plas favas, ou então mete diálogo com elas mas, diz-lhes que estás de relações cortadas...com elas, ó pois..
Um bom domingo e papa os meus biscoitos que não te fazem mal nenhum...
e pelos vistos, o nosso Kim também detesta...laura

Laura disse...

Maria, li que gostas de sardinhas, nós quando queremos, fazemos uma ve zpor ano, vamos prá d Elisa eu levo tudo menos as batats que ela tem e os pimentos também, levamos oc arvão, o vinho a alface ela também tem, o manel faz a fogueira, trata diso, assa, descasca os piemntos, eu venho buscar e ando cá e lá porque gosto de comer na parte que o pai fez, à fresquinha, é bom, consolamo-nos, depois arrumamos a cozinha e toca a levar a pratada toda de novo, para a cozinha da casa, e fica tudo arrumadinho, mais um tico de palavras e vimos para casa, mas é muito bom, gosto sim...batatinhas, adoro, nãos eja eu uma battatinha mal aviada de gordinha..laura.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Ó Dona

Então Vossa Insolência odeia as favas? Raro, raríssimo. Mas, provindo de quem vem, tudo é de esperar...

Prontos! (Começo a habituar-me, a vida é assim) Lá se vai o arroz de favas de Tormes, lá se apaga o Eça, pela borracha impiedosa da antifavas primária, lá fica o Jacintinho órfão das ditas.

E eu, que sou doido por favas, até da rica, nem sei se há pobre, mas passa, com xórisso, cuentros, com o, e entrecosto, fico-me a pinçar que há gostos pra tudo.

Olha, as palavras são como as... favas, vêm umas atrás das outras, as cerejas são só prasportação, leva-me a perguntar à Dona se sabe como se diz SIDA em alentejês. Não sabe? É cuentrada, comadri, cuentrada...

Para já, fico-me. Vou comer uma sopinha de favas. Vossa Insolência é servida?

Muitos comprimentos e larguras pró Santo dessa casa. Que Deus lhe acrescente a... virtude.

Permita-me Vossa Insolência que lhe remeta (como seu fosse capaz..., abrenúcio, tarrenego Satanás) um casto e puro

Qj c/ favas qb.

Agulheta disse...

Maria. As minhas desculpas por entrar casa dentro!mas como vou à Laurinha,vim por aqui,e não se deve importar,uma coisa temos em comum,não gosto de favas? a minha mãe dizia(favas me matam) não sei o porquê,se era ditado ou não.
Beijinho e bs

Osvaldo disse...

Olá Maria;

Primeiro as desculpas pela ausência, mas duas viagens de trabalho deixaram-me com pouco tempo.

Aqui estão dois temas que adoro!...
Primeiro as Favas que são um dos meus pratos preferidos e recordo que uma vez num país do norte da Europa o "camareiro" perguntou-me como eu queria a carne e eu respondi-lhe num automatismo estonteante,... com favas.
Depois de nos rirmos bastante, ele lá me trouxe a carne "bleu" como gosto, mas... sem favas.
Por isso sou um Favista convicto.

Quanto ao "Fauvismo" (Fauvisme) foi bem explicado por ti neste teu post...
Henri Matisse utilisava cores puras para se desprender doutros estilos que usavam cores de imitação. Foi seguido por artistas como A derain que com ele estudou no mesmo atelier assim como foi seguido de mais tarde por G. Braque e M. Vlaminck,...

O Fauvismo é um dos estilos mais apreciados mas de dificil reagrupar de obras visto estas estarem nuito espalhadas e principalmente em particulares.

Eu ainda devo ter dois ou três catálogos de Matisse e gostaria de te oferecer um.

bjs.
Osvaldo

Maria disse...

Minha querida Laurinha:
Só agora peguei no computador e vi os teus comentários e os outros.
Ontam o Vasco fez a festa dos anos na casa dele. Assim, passei lá a tarde de sábado e domingo todo a ajudá-lo um cadinho. Ele tem muitos amigos e bons. Ontem a tarde foi muito divertida. Esteve tudo bem diposto, desde o meu neto com dez anos até a duas senhoras velhinhas, que o adoram e são muito queridas.
Viveram na tua África, nina. Lembrei-me logo de ti. Enfim, foi um dia muito giro. Entre histórias, conversas e comidinha, estivemos das 13 às 20, sem dar pelo tempo. Eu que gosto de estar na minha casa quietinha, ontem gostei daquela barafunda. Além disso tinha as pessoas que mais gosto comigo. Só me fez falta a presença da minha filhota e da minha neta. Mas não se pode ter tudo. O marido da minha filha está no Dubai e ela não conseguia vir do Algarve sózinha com a menina. Mas fizeram muita falta.
Beijinhos flor de linho.

Maria disse...

Caro Henrique:

Dizer que não gosto das favas, não é toda a verdade. As tipas é que não me gramam.
O bom do João adora-as com xouriço e tudo, mas tem de comê-las no restaurante, porque aqui em casa, népia. Nem vê-las, nem comêl-as.
Beijinhos para a Raquel, abraço do João para ti e queijinhos de Tomar.

Maria disse...

Agulheta:
A minha porta está sempre aberta.
Pode vir quando quizer.
"Favas me matam"! quantas vezes ouvi essa expressão. Não sei o que quer dizer, mas vou tentar saber.
O facto, é que a mim, elas podem matar mesmo. Não são brincadeira.
Um beijinho, obrigada pela visita e volte sempre.

Maria disse...

Caro Henrique:
Voltei para te dizer, que do jantar de Tormes fico com a canja a rescender, os ovos com linguiça e a galinha. As favas, ficam para os outros.
Um dia destes conto-te a história de um jantar Queiróziano, organizado pelo meu irmão. Apezar da nossa cumplicidade, esqueceu-se da história e quando se lembrou, ficou em pânico. Sem razão, porque desde que estejam cozinhadas e no prato dos outros, não me fazem mal.
Queijinhos de Tomar

Maria disse...

Osvaldo:
Quanto ao Favismo, estamos conversados. Há gostos para tudo.
Do Fauvismo gostaria de saber mais e tu, meu amigo, és uma enciclopédia da pintura e a melhor pessoa para me esclarecer.
Adoraria ganhar esse catálogo e fico muito feliz por essa prova de afecto.
Beijinho para a Anita e para ti.

Osvaldo disse...

Maria;

Para te enviar material sobre o Fauvismo e Henri Matisse preciso do contacto...

Podes mandar, se assim o entenderes, para o meu mail;

obribster@gmail.com

bjs,
Osvaldo

Maria disse...

Osvaldo:
Enviei-te um E-mail.
Beijinho

Laura disse...

Maria; como é que é? a tua nina não pode vir do algarve sozinha com a nina? ela não conduz? há autocarros, bora prá mãe um cadinho...eu surda, conduzo nas estradas de qualquer País, pela esquerda na África do Sul, pela direita aqui e por onde mais houver...

Amanhã já vou para Coimbra e toda feliz por ir sozinha d epópó para dar largas às minhas canções, ehhh, tão bom...E agora pego mais no carro à noite e vou pelo B Jesus ou sameiro a cantarolar, pra cima gasto gasoleo, ma spra baixo venho em ponto morto...devagar para demorar porque quase não há carros...precisod e espantar os meus males da alma que são tantos...Um xi...laura.

Maria disse...

Laurinha:
A minha nina é medrosa a guiar (sai à mãe). Vir e ir de transportes era violento, porque hoje ela trabalhava cedo a a minha neta tem escola também cedo. Era muito violento. Mas fez muita falta. Gosto tanto de os ter ao pé de mim, mesmo que seja só umas horas. Qualquer dia será. É preciso que estejam bem e felizes. Daqui a um bocadinho vou telefonar-lhes.
Beijinhos