quarta-feira, 25 de março de 2009

Mãe


Como todos os dias 25 de Março, vou visitar a pequenina casa que habitas, há 32 anos.
Fui eu quem embrulhou numa toalha de linho branco, o que restava de ti e, meti numa urna pequenina e nessa casinha, onde moras agora. Como és pequena e leve, Mãe! Limpo o pó, ponho-te flores, fecho a porta e baixinho, vou-te contando o que se passou, desde que aí fui. Chorar, já não choro, pelo menos para fora. As lágrimas caem-me na alma, como gotas de chumbo derretido. E queimam, Mãe, queimam muito.
Depois penso que há mais em mim, nos meus irmãos, nos teus netos e bisnetos, de ti, do que ali, dentro da caixinha. Mas estão lá os braços que me embalaram, as pernas que guiaram os meus primeiros passos, os ossos fininhos das lindas e macias mãos que me acarinharam. Então, instintivamente, embalo a caixinha nos meus braços, com a mesma ternura com que um dia me embalaste.
Mãe, minha querida e santa Mãe, como me fazes falta!
Até um dia destes.

8 comentários:

carla mar disse...

Querida Maria, fica aqui, um abraço dos 4. A Mãe e o Pai juntam-se neste abraço virtual, mas sentido.
Hoje, cá em casa, falámos de ti. andámos nos teus Alcatruzes... foi esta a forma que encontramos de estar mais perto e dar-te força.
... E estamos, todos, muito orgulhosos de ti. Mesmo, a chorar por dentro, és valente, amiga.

Maria disse...

Querida Carla:
Fiquei muito comovida com a vossa mensagem. Abraça os teus pais por mim.
Todos os dias me lembro da minha mãe. Todos os dias me faz falta, mas o dia do aniversário da sua morte é, muito doloroso. Arranjei este ritual de lhe limpar a casinha, mudar algumas coisas, polir a caxinha onde está guardada.
Ao fim de tantos anos, parece nova.
É a minha maneira de lhe pagar, tudo o que me deu e lhe mostrar que, o nosso amor continua igual.
Isto não evita a dor, mas estou ocupada com ela. Adoro-a, como adoro o meu pai. Às vezes, sinto-me tão pequenina sem eles!
Obrigada pelas vossas palavras amigas. É bom ter alguém que nos entenda, mesmo virtualmente.
Desta vez, beijinhos para os 6.

Kim disse...

Ma petite Marie!
Este é o mais forte, incisivo e apaixonado post por ti já publicado.
Muito forte, muito simples, muito direccionado.
Senti-me eu, a falar com minha mãe.
Não tenho palavras!
Beijinhos minha querida!

Anónimo disse...

Querida Maria,
Um beijo cheio de ternura
Nemy

Maria disse...

Kim:
As mães como as nossas, que tudo dão, sem nada pedir, que perdem noites a velar o sono inquieto dos filhos, deixam sempre estas marcas.
Os anos passam e, a saudade é cada vez maior. A falta daquele ombro amigo, daqueles olhares cúmplices, das carícias, até das chamadas de atenção, fazem cada vez mais falta. Tudo o que ontem escevi, foi-me ditado, pela saudade, a dor, quase diria, com sangue e lágrimas.
Como de costume, tu viste tudo isso.
Beijinho amigo.

Maria disse...

Querida Nemy:
Tenho pena que já não a tenhas conhecido. O meu pai adorou-a.
O resto tu sabes.
Retribuo o teu beijo carinhoso.
Obrigada pela tua amizade.

girassol disse...

"As Mães

Do ventre lhes nasce a vida que são
No coração cultivam o amor
que sempre têm para nos dar
Têm no abraço
o consolo que nos sossega
no colo
o aconchego que nos acolhe
na boca
as palavras que nos ditam o alento
no conforto
em que se constróem
todos os nossos dias.
Dão-nos
na vida
com a vida
O direito a todos os sonhos..."

Um poema que fiz às mães num dia qualquer. Hoje ofereço-to.
Tão bonita esta tua forma de continuar a cuidar da tua mãe. Leva-lhe o poema e diz-lho. Ela devia ser uma mãe assim. E sabemos que nem todas as mães são.

Beijinho para ti
Girassol

Maria disse...

Girassol:
Lindo o teu poema. Obrigada amiga.
Em Maio, no dia dos anos dela, vou ler-lho.
Ser mãe é lindo, mas às vezes doloroso.
Parece, que os filhos (alguns), só sabem as mães que têm, quando as perdem.
Eu amo tanto a minha, que só não fiquei louca quando a perdi, porque tinha filhos pequeninos.
Beijo grato.