domingo, 28 de agosto de 2011

Cesário Verde dito por Mário Viegas

Cesário Verde, o poeta de Lisboa, anda muito esquecido. Morreu novo e foi pena, pois muito havia a esperar dele.
"De tarde", um belo poema com certa malícia, conta a história de um piquenique de burguesas. Com este calor, será bastante refrescante ouvi-lo.



De tarde

Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.


Até um dia destes

Maria





12 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiga

Vou sair com a Goesa e duas Amigas para almoçar fora.

Mas, num segundo: muitíssimo obrigadérrimíssimo.

3abçs bjs da Kel & qjs para ta, tá?

Maria disse...

Henriquamigo:
Acabei de comer um belo cozido à Portuguesa, por isso não vou fazer merenda. A Florbela está na lista.
Sabes a história do Cesário Verde, que tinha a mania de lhe chamar Cesário Azul? Ele respondeu, chamando-lhe: " Troca Tintas". Tinha espírito, o nosso poeta.
Abraçs do João e do Vasco, o mano está no Pico. Beijinhos para a Goesa linda e para ti, uns restos de cozido, que estava uma maravilha. A Maria, quando quer, é uma grande cozinheira.
Maria "The master-chef"

Zé do Cão disse...

Minha amigas MARIA

cozido em Agosto? ficas-te que nem podias mexer-te, não?
Isso também é sinónimo de saude em recuperação.
abraço

Maria disse...

Zé amigo
Cozido e com todos os pertences! Deu um bocado de trabalho mas, comemos com abades. Éramos 4 e o cozido. Foi uma luta de igual para igual. Misturado com boa conversa, bem regadinho, foi uma boa tarde. Pagou bem o esforço.
Beijinhos
Maria

Alva disse...

Olá Maria,

Desta vez fiquei sem o que comentar...
É um pouco maroto este poema de Cesário Verde! hehehehe
Lembrou-me Eça de Queiroz que também escreveu algumas coisas deste género...

Quanto ao cozido... bem... cá em casa também se faz mas eu não como. Não gosto!
Alimento-me a pratos italianos, muitas carnes, um pouquito de peixe, muitas saladas russas, arroz de pato, marisco e imensas sopas.
Também gosto de bacalhau assado com batatinha a murro e bacalhau à lagareiro ou à Gomes de Sá...
Bolos? Poucos... só gosto de Brigadeiro
Doces? Conventuais (Barriga de Freira, Toucinho do Céu e outros tantos que só os alentejanos sabem fazer).

Desculpa estar a chatear-te com os meus gostos gastronómicos...

Beijinhos, muitos,
Da tua Pequenina

P.S - Vou de férias durante uns dias... volto lá para o fim da semana. Festas do Povo de Campo Maior. Conheces?

Maria disse...

Pequenina
Não conheço as Festas de Campo Maior e, tenho pena. Pelo que se vê na televisão, devem ser bonitas. Tanta flor, tanta cor! A nossa terra tem festas lindas. Espero que gostes e te divirtas.
Quanto a gostos gastronómicos, cada um com os seus. Eu, com a tua idade também não gostava de cozido. Agora é dos meus pratos preferidos.
Adoro doces Alentejanos. Massas, nem por isso.
Diverte-te nas férias, minha querida.
Beijinhos e até à volta
Maria

Laura disse...

Maria,

disse baixinho esse belo poema
que me deixou o cheiro
dos campos de papoulas
com alfazema
me lembrou dos seios da senhora
envoltos em rendas
a lembrar duas rolas
pelos campos
a voar.

mas que linda e bela poesia, isto é que é talento.

Muitos abraços e beijinhos da flor de linho.

laura

Maria disse...

Flor de Linho
Cesário morreu muito novo mas, a Obra que nos legou, merecia ser mais conhecida.
Gosto muito dele.
Ainda bem que o apreciaste.
Beijinhos
Maria

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Pelo poema vê-se o cenário e os
personagens, envoltos nessa "certa malícia" que completa a "aquarela", dita pelo poeta. Achei lindo, Maria.
Gostei também dos comentários, sobre pratos que se gosta ou não. Pois adoro cozido, principalmente à portuguesa. A portuguesa, tento fazer,a goesa faz meu marido.
Hoje, foi melhor ainda, além de me deliciar com o "pic-nic",de lucro, ainda imagino um gostoso cozido, de fato (ou facto), feito por minha irmã portuguesa.
Beijinhos, Maria querida

Kim disse...

Às vezes faz falta um pouco de Pic-Nic à poesia.
Cesário não tem sido o menino bonito dos intelectuais. Fala-se dele num dia e no dia seguinte já era.
Poema bem profundo!
Beijinho Petite Marie

Maria disse...

Lucinha Querida
Cesário era um pintor. Escrevia poemas que pareciam telas cheias de luz e cor. Está muito esquecido. Eu adoro-o.
Quando, um dia vieres a Portugal, vens comer um cozido da Maria. Fica sempre bom.
A nossa gastronomia é muito rica em salgados e doces. Adoro cozinhar.
Beijinhos
Maria

Maria disse...

Kim
Por isso eu fiz questão de o por aqui.
É um poeta-pintor que faz poesia como quem pinta. A poesia dele tem cor,tem luz, quase tem som.
Pena estar tão esquecido.
Beijinho
Maria