quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Natália Correia em casa de Amália

Esta é a primeira poetisa a aparecer. Admiro-a como mulher, poetisa, lutadora. De novo em casa de Amália, Natália Correia e "A defesa do poeta". Gosto muito deste poema. Espero que gostem, também.



Até um dia destes
Maria


13 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiga

Fazes crescer a água na minha boca; mas, como se tratava da Natália, era mais vinho.

Tu não paras de me provocar; vê lá que na Babilónia, sob 52º C tive de a aturar a explicar que o leão da dita era... uma leoa. Só ela!

O marechal Costa Gomes, também presente nessa viagem ao Iraque, disse-me depois que, de acordo com o dito da época, «Natália há só uma, a Correia e mais nenhuma»...

Fomos muito amigos, conversámos muito, bebemos bastante, ela muito mais do que eu, no saudoso Botequim e em vários sítios mais.

Leu, umas vezes para mim só, e outras para mais amigos (curioso. amigas tinha muito menos, não tivesse sido ela uma mulher linda) muitos dos seus poemas.

E prontos (sem s), vai seguindo esta digressão com a passwoard amália à cabeça. Está magnífica, como magnífico é também o poema. De uma iconoclasta combatente da Liberdade. Bem hajas.

3abçs, xeros da Kel (por onde andará a Lúciamiga) e qjs saloios para tu

PS (mal por mal continuo a ser) - Não te esqueças, por favor, da Florbela e do Cesário. Incontornáveis; imprescindíveis.

Maria disse...

Henriquamigo
Natália não era só uma mulher linda. Era inteligente, talentosa, refilona, panfletária, dizem. Dizia o que pensava, sem medo. Arranjava amigos e, por vezes, perdia-os, por ser tão frontal. Admiro-a como mulher e poetisa.
Estou farta de procurar o "De tarde" do Cesário. O único que encontrei, não gostei da interpretação. Se calhar, vai outro.
Sei que gostas do "De Tarde" e eu, também.
A Florbela não está esquecida.
A Lucinha mandou-me ontem um comentário.
A Amália tem sido o ponto de partida.
3abçs, beijinhos para a Raquel e para tu
Maria

Alva disse...

Olá Maria,

Este poema é especial para mim! Um exemplo de força, de luta, de coragem... o enfrentar o mundo em carne e osso! Uma fonte (inesgotável) de inspiração. Muito obrigada por mo teres dedicado.

Gosto imenso do final:
"de um verso onde o possa escrever / ó subalimentados do sonho! / a poesia é para comer"
Lembra-me o golpe final. Como se ela dirigisse o poema a um inimigo, tornando-se esses últimos versos numa confirmação de tudo o que disse anteriormente.

Muitos beijinhos,
Estrela d'Alva

P.S - Vou pôr aqui o poema inteiro para a Laurinha ler:

Sehores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs na ordem ?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem ?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho !
a poesia é para comer.

Natália Correia

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Maria querida, você acetou em cheio,
oferecendo este BANQUETE delicioso,mas que nunca vai nos fartar, porque é leve, saudável, bem degustável...alimenta a alma.
Quanto mais vier, mais haveremos de querer.
Haja visto, o nosso mui querido Ferreiramigo, assíduo frequentador desse maravilhoso SARAU, em casa de Amália. Não perco um, "nem morta"!
Adorei seu comentário, irmãzinha
portuguesa.
Beijinhos e xêros, extensivos ao Ferreiramigo.(esse "cara", não é muito de ir sentar-se em minha Cadeirinha de Arruar, pouc

Maria disse...

Querida Pequenina:
Ainda bem que gostaste. Obrigada por teres escrito o poema para a Laurinha
mas, já lho tinha mandado por E-mail.
Lê duas vezes e fica saber que, nós duas pensamos nela.
Beijinho, Pequenina.
Gosto muito de ti.
Maria

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

...continuando: nosso amigo comum, pouco aparece. Mas eu tenho paciência em esperá-lo...
Até, Mariamiga...eu volto!

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

No momento em que eu estava comentado (o 1º acima) você estava respondendo à sua Pequenina, então meu comentário foi publicado antes de eu concluir...
estávamos ao mesmo tempo, vc e eu a digitar...aqui...
beijinho, Maria querida...

Maria disse...

Lucinha, amiga
Tem sido um prazer enorme fazer esta série de postagens.
Ainda falta uma mão cheia de poetas, quase todos ligados à Amália.
Aliás, muitos poetas passaram por casa dela, incluindo Vinicius de Moraes, outro grande poeta da língua portuguesa.
Beijinhos, irmãzinha brasileira.
Maria

Maria disse...

Lucinha
Desculpa ter-te interrompido.
Darei o recado ao Henrique.
+1 beijo
Maria

Kim disse...

Natália Correia - uma mulher e pêras.
Espero viver dentro de mim! Lindo!
Beijinho Petite Marie

Maria disse...

Kim
Sabes com costumo chamar à Natália?
"Uma gaja Porreira". Isto, é o maior elogio que faço a uma mulher.
Como gostava de ser como Ela! Mas sou só,a Petite Marie, cheia de inseguranças, medos, dependências. Às vezes, armo em valente, vou buscar forças nem sei onde, para logo a seguir, voltar a ser frágil, com uma necessidade enorme de carinho, de mimo,de amizade. Acho que tenho qualquer coisa de cão.
Beijinho
Maria

Je Vois La Vie en Vert disse...

"A poesia é para comer" e acabei de comer uma iguaria feita de poesia !

Beijinhos
Verdinha

Maria disse...

Verdinha querida
A poesia é para comer, saborear e guardar no fundo de nós. Natália sabia-o.
Beijinho
Maria