quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Não sei Ama onde era" Fernando Pessoa dito por Mário Viegas

Esta Poesia lembra-me a infância. O tempo em que a menina sonhadora que eu era, pedia à Avó: "Conta uma história Vó" e, a Avó contava.
Fernando Pessoa dispensa palavras. Mário Viegas também. Poesia pouco conhecida do poeta, acho-a linda.



Segue o poema por escrito.

Fernando Pessoa

Não sei, ama, onde era,

Não sei, ama, onde era,

Nunca o saberei...

Sei que era Primavera

E o jardim do rei...

(Filha, quem o soubera!...).

Que azul tão azul tinha

Ali o azul do céu!

Se eu não era a rainha,

Porque era tudo meu?

(Filha, quem o adivinha?).

E o jardim tinha flores

De que não me sei lembrar...

Flores de tantas cores...

Penso e fico a chorar...

(Filha, os sonhos são dores...).

Qualquer dia viria

Qualquer coisa a fazer

Toda aquela alegria

Mais alegria nascer

(Filha, o resto é morrer...).

Conta-me contos, ama...

Todos os contos são

Esse dia, e jardim e a dama

Que eu fui nessa solidão.


Até um dia destes

Maria



14 comentários:

Laura disse...

Maria, Maria, se soubesses como fiqueif eliz a ouvir, a ouvir e a seguir a letra, certinha, certinha... vou ouvir de novo a voz, e como soa lindo.

parece que até tenho uns lábios para ler...
Obrigada queridinha.

beijinhos da tua flor de linho, pois foste tu que me deste esse nome lindo.

lautra

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiga

Estás uma verdadeira fera. Depois de tudo o que nos ofertaste com a Amália, agora trazes de uma assentada, Pessoa e Viegas. É obra!

Só me resta agradecer-te, do fundo do coração: obrigado

3abs, bjs da Kel e qjs para tu

PS - Matasteze-me cuma facadela no pêto

Je Vois La Vie en Vert disse...

Querida Maria,

Ouvi e ouvi de novo esta poesia. Soou-me tão bem que a ouvi seguindo com a letra. Foi então que reparei que tem algumas diferençazinhas com o texto escrito (Oiço SOUBER e não soubera, oiço FILHINHA, às vezes, oiço DOR e não dor) ou será da minha imaginação ? Sou uma chata, não sou ?
Estiveste ausente da blogsfera durante um tempo mas estás a voltar em grande !

Muitos beijinhos
Verdinha

Maria disse...

Minha Querida
Ainda bem que conseguiste ouvir e ler, ao mesmo tempo!
Não conhecia este poema de Pessoa e, fiquei fascinada com ele.
Beijinhos, amiga
Maria

Maria disse...

Henriquamigo
No blogue da Maria, tu não viste nada. Espera por amanhã e, verás.
Deu-me um ataque horrível de poesia.
Preciso dela, com pão para a boca.
Se não me param, fico aqui a publicar poetas, fadistas, compositores, diseures, até ao fim.
Abrçs dos homens, beijinnho para a Raquel e quêjos de Tomar para tu.
Maria

Maria disse...

Verdinha querida
É natural que haja um ou outro engano.
Villaret enganou-se, Aznavour nem sempre segue a letra original.
Mudaste de visual?
Até me cansar vou continuar. O pior, é que a poesia nunca me cansa.
Beijinhos
Maria

Je Vois La Vie en Vert disse...

Olá Maria,

Não, não mudei de visual do blog, só mudei a foto do perfil porque aquela que tinha há anos não aparecia em certos blogs.
Aquela foto da miúda afegã tem uma história. Mas não gosto de utilizar uma foto de outra pessoa para o meu perfil. A antiga era um desenho, lembras-te ?
Decidi, então, tirar uma foto do meu olho - não foi fácil sozinha... - e coloquei então esta foto que é minha e que não vai desaparecer, suponho eu, no meu perfil. Como os meus olhos são verdes com castanho, não saia bem a cor verde, por isso, adicionei um pouco de cor. A cor não é bem a minha mas o olho sim !
Vamos lá ver como fica aqui no teu blog, sendo tu a primeira que vai ter este nova imagem minha...

Beijinhos
Verdinha

Maria disse...

Verdinha
Ficou muito gira, amiga. Gosto de olhar as pessoas nos olhos. É a 1ª coisa em que reparo. A minha avó dizia que " os olhos são o espelho da alma". A tua alma é verde esperança. A minha, mesmo com olhos castanhos muito claros, está cinzenta. Daqui a nadinha vou buscar o meu Nabão ao Veterinário. O que irei encontrar?
Meu velhinho de olhos meigos, será que vou perdê-lo? A falta que me vai fazer!
Beijinhos, amiga. Pede ao São Francisco "Il Poverello", que tanto amou as criaturas de Deus, que ajude o meu canito.
Abraço grande, amiga
Maria

Alva disse...

Olá Maria,

Em primeiro lugar, porque sinto que é mais importante que tudo desejo-te muita sorte com o teu Nabão. Fico a torcer para que corra tudo bem, só precisas de ter esperança.

Quanto a F. Pessoa é o poeta que mais gosto. É um poeta que me faz ser o que sou agora e que é sempre uma riquíssima fonte de inspiração. Pessoa é inimitável, inesquecível... é único.

Em relação ao poema que escolheste não conhecia, mas é lindo. Lembra a inocência que caracteriza as crianças... As crianças que eu amo, porque são as mais verdadeiras, as mais sensitivas.

Muitos beijinhos e esperança com o Nabão,
Da tua Pequenina

Maria disse...

Minha Pequenina
Também não conhecia este poema de Pessoa. Achei-o tão puro, tão doce, que a criança que ainda vive num cantinho de mim, vibrou. Levou-me a uma infância de contos de fadas, um mundo belo que vivi. Por momentos, tive tranças, encostei-me aos joelhos da minha avó, senti as mãos dela acariciarem-me a cabeça, ouvi a sua voz, falar de palácios e princesas.
Ai minha pequenina, a tua velha amiga às vezes gostava de reverter o tempo e, ser menina outra vez.
Fui buscar o canito ao veterinário, levou mais soro e estamos à espera de na 2ª feira ver as análises. Já comeu sem vomitar, fez chichi e cocó e está cheio de mimo. Está muito velhinho e tenho medo de o perder mas, não quero que sofra. Só quero o que for melhor para ele, mesmo que eu sofra.
Obrigada pelas tuas palavras de esperança.
Beijinhos
Maria

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Maria, querida irmã, sinto pelo Nabão e por você.Já tive cães, agora tenho gatas(2). Nunca queremos perdê-los, fazem parte de nós, da família.Meu filho, cursa Medicina Veterinária e tira gatinhos e cães nas ruas, cuida e os põe para adoção. Fiquei com uma das gatas para compensar suprir a ausência do Billy, meu galgo, que "partiu" de velho. Por sorte, não foi preciso sacrificá-lo, tinha 12 anos e o criei desde os 2 messes.
Desejo que o seu cão ainda resista bom tempo.

Que delícia, ouvir a bela voz de Mário Viegas dizendo Pessoa. Linda a poesia, que nos remete mesmo à infância.
Beijinhos, minha amiga.
Lúcia

Maria disse...

Lucinha minha amiga irmã
O Nabão levou mais soro, está a comer melhor, já faz chichi e fez análises.
Na segunda-feira saberemos os resultados.
Admiro muito os veterinários. O dele é muito cuidadoso e meigo com os bichinhos.
Vamos ver se melhora.
O Mário morreu muito cedo. Era um bom actor e declamava muito bem. Adorei esta poesia que não conhecia.
Obrigada pelo teu apoio.
Parabéns ao teu filho pelo curso que tirou.
Beijinhos
Maria

Kim disse...

Também não conhecia esta poesia. Mário Viegas foi enorme. Partiu cedo como partem todos os que em mito se tornam.
Um beijinho grande para a Petite Marie

Maria disse...

Kim
Esta poesia é pouco representativa do Fernando Pessoa e, como tal, quase desconhecida. Achei-a tão linda, tão doce, que me levou à minha infância.
Vamos ver quanto tempo mais vai durar esta fúria de poesia. Ainda tenho em carteira, uns quantos poetas que gostaria de pôr aqui. Nunca é demais lembrá-los. Somos um país rico (acho que é mesmo a única coisa!) de poetas. Eu adoro poesia escrita e bem declamada.
O Mário é um dos que melhor soube interpretá-la. Hoje é mesmo um mito mas, para mim, será sempre o Mário dos poemas, o Mário do "Kilas", do "Sem sombra de Pecado", uma cara de garoto que enchia o palco e a tela do cinema, com um talento ímpar. Hoje, chamar-lhe-iam: um animal de palco.
Beijinhos, meu amigo da
Petite Marie.