terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Irmão


Quando nasci, já te encontrei à minha espera. Penso que foi amor à primeira vista. Por mim, para me pegares ao colo, comeste favas que nesse tempo detestavas. Crescemos lado a lado, ramos da mesma árvore. Houve sempre entre nós uma grande cumplicidade, um grande sentido de protecção da tua parte, uma grande admiração e orgulho da minha. Eu era irmã de um dos mais inteligentes, mais respeitados, mais bonitos rapazes de Tomar.
Ficava vaidosa quando me perguntavam se eu era tua irmã.
Contigo, fui a primeira vez ao cinema e vi filmes de cow-boys. Contigo, lia “O Cavaleiro Andante” e “O Mosquito”. Foi das tuas mãos que me vieram os primeiros livros da Condessa de Ségur”.
Primeiro “O Evangelho de uma Avó”, de seguida “Um Bom Diabrete”, “O Brás”. Mais tarde, Torga, o nosso Torga e “Novos Contos da Montanha”. Quando comecei a ler francês, deste-me num Natal “Terre des Hommes”, o meu primeiro Saint-Exupéry.
Apresentaste-me Simenon e” Maigret”, Bécaud e Aznavour, os Platters e Elvis.
Quantos filmes de Eddi Constantine fomos ver?
Depois foi a separação física. A tropa, o teu casamento, o meu.
E de seguida, a doença e a morte da nossa Mãe, aquele primeiro grande abraço triste. A nossa amizade continuava igual. As confidências, as ideias parecidas, os ideais que ainda não perdemos, apesar dos pesares.
Fomos perdendo mais pessoas queridas. E sempre aquele abraço, forte e triste nos uniu nos piores momentos. Quando perdemos o Pai, foram meses de dor repartida, foi juntos que soubemos do fim.
E mais um abraço, doloroso, muito doloroso, porque como diz Torga, só se é verdadeiramente responsável, quando se perde o pai.
É difícil falar contigo, sem tudo isto me vir à memória.
Mas como no nosso “Casablanca”, haverá sempre Paris. Paris que tu me mostraste, Paris dos meus sonhos de menina. E haverá Itália e uma noite inesquecível na Piazza di Spagna, ou o dia, em Paris, em que jantámos na Tour Eiffel, um passeio nocturno no Sena e o espectáculo no “Moulin Rouge”. Haverá sempre a lembrança da nossa infância feliz em Tomar, as nossas conversas intermináveis.
E sempre a certeza, de que aconteça o que acontecer, seremos sempre irmãos, amigos, confidentes. E um abraço, nos bons e maus momentos, sem palavras, porque nós sabemos o que esse abraço quer dizer.
Hoje o abraço é de alegria, porque fazes anos e estamos juntos. E isso, meu irmão, é muito bom.
É aqui que te quero dar os parabéns, porque quero que saibam que eu tenho o melhor irmão do mundo.
Até um dia destes.

6 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns querida Maria, pelo melhor Irmão do Mundo.
Parabéns ao Melhor Irmão do Mundo.
Um beijo aos dois
Nemy

carla mar disse...

Parabéns :)

Um abraço, cheio de ternura, aos dois.

Anónimo disse...

Obrigada por ele e por mim.
Este irmão é muito especial para mim. É mesmo o melhor irmão do mundo.
Logo dou-lhe o teu recado.
Beijinho
Maria

Anónimo disse...

Carlinha:
Obrigada e um beijinho para os 4
Maria

Kim disse...

Parabéns MAmiga pelo irmão que tens! É lindo ler estas palavras sobre ele.Tenho a sorte de as minhas irmãs pensarem o mesmo de mim. Sou um sortudo! A virtude está nelas que não vêem os meus defeitos.
Um beijinho Petite Marie

Anónimo disse...

Kim:
Grealmente as "meninas" têm sempre uma grande admiração pelos manos, quando eles a merecem. É este o caso.
Fui jantar com ele. É sempre bom estarmos juntos.
E tu como estás? Hoje falámos do Salvador. Ainda me parece mentira.
Beijo
Maria