segunda-feira, 15 de junho de 2009



Ai que me esquecia do castelo!... Entra-se por uma porta ao lado da Casa da Guarda, passa-se a Torre do Relógio, entra-se num belo largo com muralhas, um palácio, a Igreja de São Tiago transformada em Museu, com alguns restos de pinturas a fresco.
A vista é deslumbrante.
Mas as papoilas do Castelo de Montemor é que é. Dançam para mim na ponta do pé...
Até um dia destes.

20 comentários:

Laura disse...

Pois minha linda, não conheço esse castelo, nem os fidalgos que lá viveram. No tempo da escola er aa melhor em História, mas, os anos levaram-me a sabedoria e o aprendizado... Mau grado adorar ler as Biografias dos nossos reis, ah, se fossem bem verdadeiras, mas, tivemos reis tiranos, maus, déspotas, enfim... Mas, eram os senhores da guerra e do povo.
Adoro papoilas, embora seja a papoila a flor do ópio, não deixa de ser belissima a sua cor e o seu porte.
Ao menos divertiste-te, andaste por lá, mau grado o calor em demasia, mas...
Tenho um fado acabadod e postar, Acredita que foie scrito por mim, há dias, e, está um must...Cantado e com a guitarra a gemer em altos gritos, deve dar cá um belo programa..beijinhos da tua flor, que, embora ainda não pareça, vai arribar não tarda...
Tenho

mariabesuga disse...

Ai Maria Maria Maria que agora me fizeste chorar de saudade do meu castelo. Há tanto tempo que não vou por aquelas minhas bandas. E preciso!... O Alentejo é o meu lugar. Mas o nosso lugar também é onde quer que nós estejamos e rendi-me a estes daqui. De qualquer maneira é o coração que me diz que eu sou nascida exactamente no sítio certo e nunca de lá deveria ter saído ou para lá deveria ter voltado quando me dei conta dessa realidade.
Mas:

"A vida não é como a gente quer

(acerca de uma canção dos Quadrilha: (Se a vida fosse como a gente quer)

A vida não é como a gente quer
Mas não podemos desistir
(nunca)
De tentar fazê-la à medida do que queremos dela.

Mesmo que seja passageiro
O sonho sempre nos fará acreditar
(se quisermos)
Se não soubermos sonhar
Não há nada a fazer por nós
(estaremos perdidos)

Enquanto saltamos de um para outro sonho
Reforçamo-nos de energias
Que nos enchem a alma
As energias de que precisamos
Para quando os sonhos se desfazem

Não é preciso esquecer
Para não deitar tudo a perder
Só é preciso agarrar outro sonho
Antes que acabe o que nos mantém no momento.

Até porque
Se a vida fosse como a gente quer
A gente haveria sempre
De querê-la
De outra forma qualquer..."


As tuas bailarinas estão muito mais bonitas que as que te mandei há dias. Assim é que são bailarinas.

Ah!... as papoilas...

Beijinhos para ti Maria e para o teu João e obrigada por estas fotografias que me trouxeram memórias...

Maria disse...

Minha Laurinha:
Se as pedras falassem, talvez contassem coisas de estarrecer.
Os castelos foram testemunhas de guerras, mortes, crimes, mas também albergaram amores, viram nascer crianças, assistiram a grandes festas. E o que se vê lá de cima, nina! Parece que temos o mundo aos pés. Olha, há um soneto da Florbela Espanca, chamado "Castelã da Tristeza". Vai aqui, com um beijinho

Altiva e couraçada de desdém,
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!
Passa por ele a luz de todo o amor...
E nunca em meu castelo entrou alguém!

Castelã da Tristeza, vês? ... A quem? ...
– E o meu olhar é interrogador –
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr ...
Chora o silêncio ... nada ... ninguém vem ...

Castelã da Tristeza, porque choras
Lendo, toda de branco, um livro de horas,
À sombra rendilhada dos vitrais? ...

À noite, debruçada, plas ameias,
Porque rezas baixinho? ... Porque anseias? ...
Que sonho afagam tuas mãos reais? ...

Florbela Espanca

Agora vou ver o teu novo fado, amiga.

Maria disse...

Girassol:
Quando fiz as bailarinas, lembrei-me de ti. Mal eu sabia que estava no teu castelo. É lindo, amiga. Aquela paisagem é maravilhosa. Lá em cima parece que nada mais existe.
Gostei muito dos versos. Gostei que gostasses das minhas bailarinas. Se visses a cara do João, quando arranquei os cabelos para as atar! Ficou a olhar para mim, com cara de "esta está maluca de todo". O que vale é que já está habituado a estes ataques de criancice. Hei-de ser trisavó e vou continuar a ser a "Maria da Lua", como me chamava um primo meu.
Beijinhos e abraço de cá para aí.

Osvaldo disse...

Olá Maria;

Não conheço Montemor mas pela tua reportgem, vale bem uma visita... só que quando por lá passar não haverá mais papoilas dançarinas!.
Mas não faz mal porque certamente uma visita ao Museu do Castelo valerá a viagem.

Ps. Como te disse no mail, o livro seguiu hoje.

bjs e abraços ao João
Osvaldo

Maria disse...

Osvaldo:
Montemor e todo o Alentejo valem bem uma visita. É completamente diferente do teu lindo Douro, mas muito bonito. Uma planicie alentejana é das coisas mais bonitas que já vi. Do alto dos castelos faz sonhar. Do ponto de vista cultural tem muito que ver.
Castelos, Igrejas, Conventos etc.
Tem vários museus arqueológicos e grandes áreas de menires e cromeleques. Um dia destes irei mostrar a enorme Anta do Zambujeiro e os cromeleques de Almendres (segundo sei, estes ultimos são os maiores e mais completos da Europa).
Um abraço do João para ti e beijinhos para os dois.

Kim disse...

Visitei-o apenas uma vez, há meia dúzia de anos.
Não me lembro se havia papoilas (saltitantes?) mas os castelos fazem parte do meu imaginário.
Grande viagem!
Benvinda Petite Marie!

Laura disse...

Maria, mas, que rica vista e que linda escrita a da Florbela, coitada, outra poetisa sem amor na alma e a chorar baixinho, é a nossa vida, é o nosso fardo...Só que ela já era doentia, e eu? sei lá se ficarei igual a ela, de que nos vale lindas escritas, belos fados e poemas, se na alma falta o melhor de tudo, o melhor do amor!...
Gostei de ler sobre o castelo e a nossa nina girassol conhece-o, mas que tristeza deve ter sentido na alma, ao ler e reviver...Todos saimos da terra para tentar viver um pouco melhor, é isso...
Beijinhos a ti, de, mim. laura.

Maria disse...

Kim:
As bailarinas, papoilas saltitantes, estão onde a Maria estiver. Uma papoila, um fio de cabelo, um pauzinho e a lembrança da infância, fazem-nas em série. Só não fiz mais para não ficar careca. Acho que as papoilas são todas do Benfica. Gostam de mim e eu delas.
Quanto aos castelos nasci à sombra de um. Talvez por isso, talvez porque o meu pai os adorava (sobretudo Óbidos e Tomar), não passo por um, que não tenha de o ver.
Há um livro, de um autor pouco conhecido (Campos Júnior), chamado "Pedras que falam". Li-o faz muitos anos, mas ensinou-me, juntamente com meu pai, que cada pedra, cada monumento, guarda a sua história.
O de Montemor é lindo, mas vais ver mais.
Beijinho

Maria disse...

Laura:
De Florbela falarei, em pormenor, um destes dias.
Doentia? Talvez. Mas acima de tudo, uma mulher muito à frente do seu tempo. Incompreendida, mal amada, infeliz, em busca de alguma coisa que perseguia. Amor? Sim de certeza. Mas que amor? Só ela o saberia.
Ela virá, um destes dias fazer-nos companhia.
Beijinhos a ti de mim.

Laura disse...

Maria, dizam as linguas e os livros, que ela era doentia na forma de amr ! Credo, cruzes, pra longe vá o agoiro! Pois, poetisas são assim; imcompreendidas, e sim, tenho uma poesia dela, depois de falecida, 30 anos, escrita sob mediunidade, e, vê-se pelos escritos, pela forma como está feita, que poderia ser dela, realmente, tanto gosto dela que a decorei há anos...Fala de ter morrido, e estar viva do outro lado, é lindo, memso lindo...Beijinho d alaura..

Anónimo disse...

Maria,
O Alentejo é o que de mais parecido encontro com a terra onde nasci.
No Alentejo sinto-me em paz.
As planícies a perder de vista deixando que o olhar veja para lá do horizonte, e o silêncio que nos deixa escutar os sons natureza, dizem-nos de toda a grandiosidade e harmonia que deveríamos ser capazes de guardar e preservar cá bem dentro de nós.
Para mim os castelos têm princesas, têm fadas boas e fadas más, têm princípes encantados, têm histórias lindas de encantar; têm também histórias de terror, que não quero recordar; e têm reis, rainhas, aias e aios; e têm mouros e cruzados...
As tuas bailarinas são frágeis e efémeras. Mas são lindas!
Obrigada querida Maria
Nemy

Maria disse...

Laurinha:
Há muita coisa que se conta da Florbela. Verdade? Mentira? Só ela saberia.
Sei que devem existir muitos manuscritos de Florbela. Onde? Em que mãos? Não sei.
Pensa, que quando alguém como ela morre, há sempre pessoas que se aproveitam do seu nome.
"Aparecem" sempre alguns espertos, que ganham umas coroas com pseudoobras de pessoas mortas. Aconteceu com Pessoa, Eça e muitos outros.
Para mim, Florbela foi, como já disse, uma mulher nascida antes do seu tempo. A forma como encarava a vida e a morte, nada tinham a ver com as mulheres desse tempo, conservadoras, domesticadas, mulheres de um só homem. Ela não soube ou não aguentou, ser igual às outras. Tentou, casou três vezes, falhou as três vezes. Dizem que a morte do irmão, fez o resto.
Há um soneto dela muito bonito, dedicado a ele.Vou procurá-lo e depois mando-te.
Aqui está ele:


Ao meu morto querido

Na cidade de Assis, "il Poverello"
santo, três vezes santo, andou pregando
Que o Sol, a Terra, a flor, o rocio brando,
Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo,
Tudo era nosso irmão! -- E assim sonhando,
Pelas estradas da Umbra foi forjando
Da cadeia do amor o maior elo!

"Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água..."
Ah! Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela em mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
-- Eu fui na vida a irmã de um só Irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!

Florbela Espanca

Deixo-te com esta maravilha. Para mim, é dos mais belos versos de Florbela.
Beijinhos minha flor de linho.
Até logo

Maria disse...

Querida Nemy:
O Alentejo é único. Pode parecer-se com tudo o que alguém queira. Pode lembrar África, pode lembrar Espanha, pode lembrar tudo, mas é o Alentejo. Belo, calmo, quente, com grandes planicies e altos castelos. Esses castelos, onde há princesas e fadas, dores e alegrias. Campos de papoilas vermelhas como sangue e espigas de oiro.
Efémeras as minhas bailarinas? Pois são, mas estas ficaram gravadas em foto. As outras, de quando eu era menina, só ficaram gravadas na minha saudade. E sabes, amiga? quando fiz estas duas, voltei a sentir o ar de Tomar abanar-me os cabelos, arranquei-os com o mesmo gesto que fazia e voltei a ser menina. Só me faltaram as cerejas, que o meu pai me pendurava nas orelhas. Elas dançaram, nos meus dedos, os meus pés moveram-se no chão, ao ritmo da saudade e da algria que senti ao vê-las.
Beijinhos e saudades, querida.

mariabesuga disse...

Volto aqui ao meu castelo e às papoilas.
Trouxe-te um poeminha meu que fala de papoilas e de espigas e de sorrisos e de amor, sempre...

Tempo de amor

Em cada papoila rebentam sorrisos
sedentos das vozes de todos nós.
De nós, os que gostamos de papoilas
e de espigas
e de rios que soletram palavras
em cada uma das pedras por onde passam.

É sempre tempo de sorrisos
nas vozes molhadas
no sentido das palavras
com que construímos
todas as poesias, todo o amor...

Beijinhos para ti, "Maria Papoila"

Maria disse...

Girassol:
Que lindo o teu poema!
O Alentejo é inspirador de poetas e poetisas.
Hoje, se o calor, a preguiça me deixarem e conseguir reunir todos o elementos, irei falar de Vila Viçosa e Florbela.
Obrigada pelo poema e beijinhos de cá para aí.

Laura disse...

Espero que tenha nanado bem, eu, sim, dormi como Anjo, Anjo de asas caídas, mas, dormi um belo sono, povoado de sonhos lindos!.Ando a tratar de tudo para deixar tudo feito e nem sentirem a minha falta.. neste caso , o shakita e a Neidinha que vem almoçar a casa..para mim, levo cerejas, um pessego e só tomo o pequeno almoço lá pelas dez e assim nem fome tenho, porque agora, nem fome sinto..e os kilitos vão desaparecendo..Beijinhos e fica bem, lê o poema da Florbela que te mandei antes de me ir deitar...fui eu que o escrevi, sem ver diretament ena revista onde está publicado, se houver alguma falha, será pouca, sei-o há mais de dez anos, e, continuo a tê-lo semrpe à mão, na cabeça..beijinhos e tem um dia bom querida e amada Maria..Beijinhos também à girassolinha amada...Ainda pensei ir ter com ela, mas, não é pelo caminho, é mais pelo tempo, pelo tardar e por ela nem estar a contar comigo, e, ainda bem que não vou, senão em vez de uma a chorar seriamos duas e um Pintor a dar-nos uma sova de mimos, ehhhhhh. Haja amor entre todos..jinho meu.laura.

Maria disse...

Querida Laurinha:
Espero que depois da consulta te sintas melhor.
Eu vou pensar em ti todo o dia, tentando imaginar o que se está a passar contigo.
Logo que possas dá notícias.
E lembra-te: Estejas onde estiveres, eu estarei sempre lá, com o coração.
Gosto muito de ti, nina.
Gostei muito do fado, só que fiquei apreensiva com o teu estado de espírito.
É claro, que não podes estar sempre alegre. Ninguém está. E tu já sofreste demais. Mas noto-te abatida, frágil, desiludida.
Até logo. Vai tudo correr bem.
Beijinhos

Pico minha ilha disse...

Não conheço o castelo nem nada por ai, mas adorei as bailarinas que desconhecia.Ainda bem que se divertiu,por aqui no Domingo fui até à Madalena buscar a patroa que vinha dai de fora, meu marido foi lá ter no nosso carro e ficamos por lá um bocado, gostei da calma do mar e seu cheiro.Beijinhos Maria

Maria disse...

Salomé:
Ai as bonecas! Qualquer dia faço uma data delas, ponho-as a dançar o "Lago dos Cisnes" com música e tudo.
Estou feita em papas com o calor, amiga. E amanhã é dia de limpezas!
Não me apetece fazer nada.
Aì está calor? Tem sempre o mar para dar um ar fresco. Eu aqui onde moro, só tenho um ribeiro sem água e com ervas.
Que saudades do meu Nabão!
Beijinho, amiga.