terça-feira, 23 de junho de 2009

Travessa do Manuelinho


Quando deambulava por Évora, reparei numa tabuleta dizendo: “Travessa do Manuelinho”. Aquele nome chamou-me à memória algo que tinha a ver com uma revolta em Évora a 21 de Agosto de 1637, conhecida também como “Revolta das Maçarocas”. Ainda se estendeu a uma parte do País, mas só passados três anos, nos livraríamos dos espanhóis.
Lembrei-me de homenagear aqui, num herói do povo, num homem simples que teve a coragem de se revoltar contra um português “vendido” a Espanha, todos aqueles que aqui ou noutros lugares, lutaram por este País que eu adoro com todos os deus defeitos.
Tirei a foto da pequena travessa e pedi ao próprio Manuelinho, que ajudado pela escrita de Manuel Alegre, nos contasse a sua história.
Aqui está, com os meus agradecimentos a ambos os Manueis.

“Carta do Manuelinho de Évora a Miguel de Vasconcelos, ministro do Reino por vontade de Espanha.

Tiraste-me o direito à vida mas eu vivo
Mandaste-me prender mas eu sou livre
Que não pode morrer não pode ser cativo
Quem pela Pátria morre e só por ela vive.

Mandaste-me prender e preso não me prendes
Tu ministro do reino por vontade estranha
Tu que tudo vendeste e só não vendes
Quem luta por seu povo e não por Espanha.

Vi os campos sorrir mas não ouvi
Raparigas cantando em nossas eiras
Nossos frutos eu vi levar e vi
Na minha Pátria as garras estrangeiras.

Vi pesados tributos sobre o pobre
E vi no Paço o oiro da traição
Negros corvos eu vi pairando sobre
Minha Pátria com sombras pelo chão.

E vi velhos e meninos assentados
Nos degraus da tristeza vi meu povo cismando
Vi os campos desertos vi partir soldados
Sobre o meu povo negros corvos vi pairando.

E em cada noite ouvi o silvo do açoite
Em cada noite sempre sempre não se cansam
Os carrascos nos grandes longos turnos
Em que somente as sombras dos chicotes dançam
Como se fossem pássaros nocturnos
A encher de sangue a grande grande noite.

E em cada noite dormes sobre o sangue da cidade
Nenhuma dor te dói. Nenhum grito. Mas dói-te
Saber que se a tristeza tem a nossa idade
Da nossa idade é este sonho: Liberdade
Rosa de sangue flor da grande noite.

Não sei de quantas lágrimas se tece a dor.
Tu saberás as lágrimas choradas
Tu que só dor plantaste tu verás a flor
Da tristeza florir em ódio e espadas.

São estas as notícias que te dou
Na minha Pátria prisioneiro mas de pé.
Vai dizer ao teu rei que o meu preço não é
O baixo preço porque te comprou.

Vai dizer a Filipe quem eu sou.
Alguém que o desafia e que sabe porquê
Alguém que vê o que o teu rei não vê
Que nunca à vossa lei meu povo se curvou.

Tu ministro do Reino por vontade estranha
Vai dizer ao teu rei que viste algo de novo:
Quem luta por seu povo e não por Espanha.

E se a Pátria confundes eu distingo-a:
A Pátria não és tu mas este povo
Que não entende as leis que ditas noutra língua.

E tu que do País fizeste a triste cela
Tu que te fechas em teu próprio cativeiro
Tu saberás que a Pátria não se vende
E em cada peito em cada olhar se acende
Este vento este fogo de lutar por ela.

Tu saberás que o vento não se vende.

E não terás nas tuas mãos de carcereiro
O sol que mora nas canções que nós cantamos
Nem estas uvas penduradas nas palavras
Tu que servis as pretendeste ou escravas
Em silêncios de morte e de convento
Tu ouvirás na língua que traíste
Palavras como um fogo como um vento
Estas palavras com que Portugal resiste.
Tu saberás que há línguas que recusam amos.

Tu saberás que nós não aceitamos
O céu de que nos falas se o teu céu é feito
Do espaço estreito dessa negra cela
Que em vez do coração trazes no peito.
Tu saberás as lágrimas choradas
Quando na Pátria a dor florir em espadas
Em cada peito que sangrou por ela.

Manuel Alegre “A Praça da Canção”


Foi só um pouquinho da nossa história. Às vezes é bom lembrar quem fomos e pensarmos um pouco no que queremos ser.
Até um dia destes.

27 comentários:

Laura disse...

Belissimo, grande homem, grande Poeta do povo, e tinha razão...fora com os galegos, naquela altura sim, agora são as lojas deles, as bombas de gasolina deles, e os nossos curvam-se, e nem lutam, sentem que já não vale a pena, mas, tudo vale apena se a alma não é pequena!...
Um beijinho e gostei d ahistória e de te teres aventurado a querer encontrá-la..laura.

Maria disse...

Laurinha:
O nosso povo é bom e valente. Sofre de dentes cerrados para não mostrar a tristeza. Mas é demasiadamente acomodado, agarrado a coisinhas de pouco valor e mal informado. Para um povo ser livre e feliz, tem de ser educado e instruído. Ora, se ninguém lhes dá nada disso, com pode ele saber?
A televisão e os jornais desinformam, em vez de informar, os politicos ajudam nisso, com as conversas que ninguém entende, passam o tempo a insultar-se e a discutir o sexo dos anjos. E toda a gente já está farta, cansada, de tanta conversa e tão pouca obra.
Eu não gosto muito de politica, nem de politicos. Um dia dizem uma coisa, no outro dizem o contrário.
Vá-se lá ser prior nesta freguesia!
Olha, eu quero é paz, ter um teto e alguma paparoca, Nem preciso muita porque como pouco.
O que me aflige, são aqueles que não têm teto, nem comida, nem um pouco de carinho, sobretudo as crianças e os velhinhos.
Vai para o São João, diverte-te, dá umas marteladas, ouve os bombos.
De manhã lava a cara com orvalho. Faz bem à pele e faz-te mais bonita.
Beijinhos

Kim disse...

Custa-me um pouco admiti-lo mas cada vez que lembro que o período do domínio dos Felipes em Portugal, foi o período de maior desenvolvimento económico, fico a matutar e a pensar que se hoje fossemos espanhóis talvez estivéssemos bem melhor.
Com um bocadinho de azar o JC era mouro e a Laura galega. E tu serias uma ilha, entre galegos e a moirama.
Pobre Manuelinho que se bateu por nobre causa e eu aqui a brincar.
Bj Petite Marie

Maria disse...

Kim:
Nesse tempo os Manuelinhos lutavam por aquilo que queriam: A Liberdade da Pátria. Foi bom? Foi mau? Quem pode dizê-lo. Mas que foi uma bela página da nossa História foi. O meu pai detestava os espanhóis. Para ele o dia 1º de Dezembro era sagrado.
Eu uma ilha? Uma ilha já eu me sinto às vezes e não gosto da situação. Eu que chamo à minha filhota a "Alice no País das Maravilhas", acho que no fim somos iguais.
Na misturada que me vai no sangue, há gotas galegas e eu amo a Galiza. Há sangue Judeu e eu tenho uma fixação por Israel (não a de agora, vilenta dura). Há sangue da Beira litoral (sangue de tricana de Águeda de faca na liga e tamanca no pé. Devo ter sangue de moura, também. Daí me virá a melancolia, o hábito da reclusão em casa. E devo ter sangue de cigana, porque sinto as coisas no ar, porque às vezes me apetece andar de terra em terra, sem parar nunca. É esta a Maria. Complicada e simples, desejando ter vivido noutro tempo e não podendo prescindir das vantagens deste tempo. É um bicho esquisito, a Maria. Só o João sabe quanto.
Beijinhos

Laura disse...

Kim, nem tenhas duvidas, sabemos isso desde há séculos...
galega eu? claro, nasci a 15 km de Espanha, Tui...dentro da fortalezza de valença, com janelas viradas ao rio tão lindo, tão belo...ah, devo ter sido fidalga noutras vidas...mas, aconfesso que; com galegos, espanhóis, não quero nada, lá que são bons para o negócio, lá isso são.Mas porque D Afonso Henriques nos meteu nesta? deixava a mãe casar com o fidalgo castelhano e estavamos melhor agora!...Estes homens orgulhosos... ai, se o meu pai me ouve...
jinhos.

Laura disse...

Maria, Já é tão tarde que nem te dou o chá para não te acordar...
deixo-te um beijinho e fechei as janelas, a noite está fresca demais...v nanar de certeza, já sinto somo a pedir caminha...laura.

Laura disse...

Bom dia, laura abre as cortinas e vê que a Maria ainda nem acordou!...desata a cantar com a sua voz de falsete...

Ó bosmicê aí
Que dorme a sono solto
Parece que perdeu a noite
Atrás de algum garoto !...

Vá por mim nina Maria
Que quem andou no laró
Foi a laura e companhia
Para não se sentir só!...

Mas a Maria, Senhor
Passou a noite a benzer-e
Com medo que a flor de linho
Pla Romaria se perdesse !...

E encontrasse o galanteador
Que lhe quis prender o coração
Mas, Maria, não te assustes
Tudo não passou de invenção !...

É que sonhar é bonito
E fazer de conta, também
Que temos um coração
Preso no de mais alguém!...

Fui apenas arejar
Minha alma tão cansada
De ser tão sacudida
De ser tão desprezada!...

E sempre foi melhor
Sair de casa pra fora
Ir rodar pla Avenida
Onde há gente a toda a hora !...

Assim,; acorda Maria
Que o sol diz que é de dia
E que a vida continua
Até que de novo, chegue a lua!...

Beijinhos minha querida
Saem fados, sem quadras
Sem serem sequer pensadas
Porque escrever
É magia!...

Maria disse...

É Laurinha, escrever é magia, sonho desabafo. Ás vezes escreve-se o que não é capaz de dizer alto.
E lá passou mais um São João e daqui a pouco o São Pedro e lá vão os três santinhos descansar. Agora vais ter o teu filho cá mais tempo? Espero que sim, para materes saudades. Em Agosto devo cá ter a minha filha e a minha neta. Estou com saudaades delas.
O maluco do canito acordou-me, já há um bocado. Queria festinhas. Depois foi dormir outra vez e eu fiquei acordada.
Gostei muito das tuas quadras. Fizeram-me lembrar tempos antigos. Primeiro com o meu pai, depois com o meu filho mais velho. Uma noite até o pobre do Fernando Pessoa foi o mote das quadras. Eram quase duas da manhã e nós na cozinha a fazer quadras, a rir e a beber chá, enquanto o pai e os irmãos dormiam. Belos tempos em que os tinha todos debaixo das asas.
Beijinhos. Vou dar o pequeno almoço ao homi, que acordou agora.
Até logo.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mariamiguinha

P'stá claro, os dois Manéis são excelentes pelo destemor, pela verticalidade, pelo combate pela Liberdade. O Alegre também pela Poesia. Eu próprio já lhe disse, de caras, como gosto de fazer, «tu só divias ser Poeta e deixar a política». Ele não gostou nem um bocadinho. Mas, mantenho a afirmação.

Mas, infelizmente, estão errados nos objectivos e nos propósitos. Passo a explicar.

Antes porém, uma breve nota: com o que adiante deixo e que por diversas vezes escrevi e disse, muitos e muito me têm chamado traidor. Como diria o Vasco Santana no Pátio das Cantigas: e eu ralado...

Ora muito bem. Para mim, o Miguel de Vasconcelos é que devia ser herói nacional, com estátuas e tudo, e o João Pinto Ribeiro é que devia ter sido defenestrado, mais os restantes conjurados.

Hoje seriamos uma Região Autonómica do País Ibérico, com os nossos direitos, os nossos órgãos políticos e a NOSSA LÍNGUA. Ou não serão assim a Catalunha, a Galiza e o País Basco? E a Extremadura? E a Andaluzia?

Não me posso esquecer que foi na dinastia Filipina que mais se progrediu - em muitos e variados assuntos - em Portugal. Entre muitos, um exemplo, apenas.As Ordenações Filipinas foram a maior obra de construção e codificação jurídica entre nós.

Um momento. Sofremos problemas complicadíssimos no que respeitou ao Império Português, nomeadamente os ataques holandeses. Não me esqueço. Mas também não chegávamos para as encomendas...

E já nem quero falar do que viria a resultar da «recuperação» lusa. Três séculos e picos depois de 1640 - foi o que se viu. Agora, teria de entrar pela guerra colonial e pela descolonização possível, face ao crime salazarento-marcelito. Mas, já chega.

Adiante. Nós, os Portugueses, não prestamos, na generalidade. Temos felizmente muitas excepções - mas elas só servem para confirmar a regra... Um País que começou com o filho a bater na mãe... não pode ser grande coisa.

Eu disse e repito: NÓS, os Portugueses. Também o sou, mas por vezes sinto-me triste. O que vale é que passa. Como se dizia na tropa, incha, desincha e passa...

Pronto, pronto, venha a porrada do costume, keu tenho as costas largas e já estou habituado.

Abs para o Pão e qjs para a dos Alcatruzes

Maria disse...

Caro Henrique:
Quanto ao Manuel Alegre estamos plenamente de acordo. Citando Vasco Santana, não em nenhum filme, mas numa conversa à cerca de uma actriz novata, sem geito e boazona, declarou ele que: "Fulana, como actriz é muito boa atraz". Ora, o nosso Manuel de Águeda, como político é um grande poeta. Estamos conversados.
Quanto a sermos espanhóis, em consciência, acho que estás certo. Só teriamos ganho com isso. Mas meu amigo, não esqueças que a Catalunha continua em luta, os galegos não se sentem muito felizes, logo, nós provávelmente, na mesma situação iríamos sentir-nos na mesma.
Ninguém sabe como seria. Factos históricos apontam que Filipe I de Portugal, II de Espanha, teria sido aconselhado a passar a Capital da Península para Lisboa,
cidade com porto, portanto mais favorável aos negócios do Reino.
Isto é o que dizem os historiadores.
Eu, pessoalmente, até nem sentiria diferença com a língua que aprendi de ouvido, devido às muitas relações espanholas de um dos meus tios. Mas não sei se isto fosse tudo Ibéria, como queria o Torga, eu não pertenceria a alguma força do tipo da ETA. Tás-me a ver, com este físico e este feitio a ser revolucionária? eu também nim.
Achei piada ao facto de se homenagear um pobre homem, dando o nome dele a uma travessa.
Quando fui a Olivença, (um dia destes mostro), apressei-me a telefonar ao Vasco, que diz que é monárquico e esteve para se inscrever no "Grupo dos amigos de Olivença", a pedir-lhe encarecidamente para deixarem Olivença nas mãos dos espanhóis, porque está muito bem tratadinha. Tem brazões portugueses, ruas com nomes portugueses e é linda. Entra-se em Portugal e só se vêem ruas esburacadas, casas em ruínas e tudo abandalhado. Ai valha-me Deus que já estou a ficar fã do João Carlos e sus muchachos.
Antes que comece a hablar español, sera mejor que me calle.
Abraço do João, beijinho para a Raquel e queijinhos para usted.

Laura disse...

Menina maria
Com tantos fados
Deviamos mudar-nos
Era para a Mouraria !...

Estou de baixo astral
Parece que me pisaram
Já não aguento tanto pedal
E sinto-me assim, mesmo mal!...

Na cama não consigo estar
Na tv também não
Prá varanda nem pensar
Mas para onde hei-de olhar?...

Ai Jasus que arrebento
Se de casa não sair
Acho que vou lá de novo (Sameiro)
Para meu espirito distrair...

Ando numa de chorar
Por tudo quanto é canto
Mas ninguém repara em mim
Porque eu escondo o pranto !...

Não te rales que daqui nada estou bem, mas, acredita que eu própria já nem sei o que me fazer, para poder andar bem...

Beijinhos e v papar qualquer coisa, o pessoal saiu, festa de anos e coisa assim, o manel que se desenrasque, que eu cuido de mim!...

Maria disse...

Tão Flor de linho?
Que neura é essa, mulher?
Vou-te mandar mais umas quadras e uma letra de fado.

Fui a Braga ao São João
Procurei-te e não te vi
No meio da multidão
Fiquei sem saber de ti.

No Porto, lá na Ribeira
E depois nas Fontaínhas,
Procurei a noite inteira
As ilusões que eram minhas.

Agora vem o Fado

Fui à procura

Fui à Avenida e não vi
Ninguém dos tempos antigos.
Nem um só dos meus amigos!
Os que eu andava à procura
Eram jovens. Que loucura!
Se eu também envelheci.

Depois de muito pensar
Acabei por descobrir
Que apenas teria de ir
Procurar a outros lados.
Devem estar velhos, cansados
Nem vale a pena tentar.

Mas não sei porque motivos
Continuei a buscá-los
Porque queria encontrá-los,
Falar-lhes da mocidade,
Lembrar esperanças, saudade,
Sabê-los mortos ou vivos.

Como vês, isto por cá também não anda bom.
Já hoje apanhei um susto e tive que ir ao médico com o meu homi. Felizmente parece não ser nada, mas eu fiquei feita em papas.
Força nina. Chora tudo. O choro alivia. Como eu gostava de ainda saber chorar!
Beijinhos e olha, hoje vou eu dar-te o cházinho, porque vou deitar-me tarde, para dar o medicamento ao João.

Laura disse...

Menina;

E como eu bem dizia
Era arejar que eu queria
Fui lá acima de novo
Postei-me aos pés
Do Amigo do povo...

Esse amigo que nos ouve
Embora pareça de pedra
Esse amigo que abençoa
Quando me vê desanimada...

Fiquei ali ao pé dele
Pedi-lhe do coração
Que me ajudasse a alma
A acalmar o coração...

Olhei ao meu redor
A beleza era tanta
Cantei a minha canção
Sem refrear o coração...

Pareceu-me que o ouvi
A dizer sensatamente
Menina isto aqui
É já passado, sem presente...

Ouvi a Sua voz
Atravessar minha alma
E naquele momento senti
Meu envolto na calma...

Mas que bem me fez ir lá acima
E levei o shakita comigo
Ele também precisava
De dar uma passeata...

Acredita minha querida
Que já estou pronta pra outra
Mas se soubesses como me sentia
Até perdias a alegria...

Vamos a ver amanhã
se acordod e romaria
Ous e vou ficar encolhida
Num canto sem alegria...

Por hoje vou aceitar
Que me leves um cházinho
Bota só uma colher
daquele doce, docinho (açúcar)

Que me faz tão bem à alma
e me ajuda a esquecer
Da vida o amarguinho!...

beijinhos e tudod e bom, melhoras para o teu João, e nem te preocupes, ele melhora rápido, cuida de ti, também, e pensamentos ao ALTO...laura

Maria disse...

Olá Nina:
Ainda bem que estás mais bem disposta.
O João já está melhor. Não foi grande coisa, mas eu faço uma tempestade num copo de água.
Vou ver se acalmo, para não o aborrecer sempre a perguntar se está melhor.
Beijinho querida e boa noite.

Laura disse...

Ahhh, Maria, aí já não pareces eu!..Eu perguntar ao manel se está melhor? Credo, xiça, penico, chapéu de coco...Ele nunca na vida me perguntou nada e mesmo doente nem liga nenhuma, ahhhh...Tou tão cheia disso, mas, é a minha vida, e é tudo isso que anda a bulir comigo e me trás infeliz, também..
Então a continuação da smelhoras do joão, e nada que uns diazinhos de descanso e remédios, não curem..laura.

Zé do Cão disse...

vejam só quantos vezes já passei na Travessa do Manuelinho.
E como estamos sempre a aprender e nem sempre é com os mais velhos, agradeço a ideia que teve Maria de dar esta lição de historia. Sinceramente não a conhecia. E não sou coxo em história e diga-se também em istórias.

Beijo

Maria disse...

Olá Zé do Cão:
Benvindo ao meu cantinho. A Maria já é um bocada cota. Daqui a poucos meses já faço 65 anos.
Estas pequenas histórias da História, sempre me fizeram curiosidade. Gosto de saber o que se passou, espiolhar as vidas deles.
Além de que tive um pai que sabia muito de História e me transmitiu algum desse saber. Daí, a história do Manuelinho de Évora.
Neste momento em que temos tão poucos motivos de orgulho, sabe bem lembrar, que um dia, já fomos alguém.
O meu pai (sempre ele) dizia uma quadra, no tempo da outra senhora, que rezava assim:

"Ser Português, é ser tarado
É viver agarrado ao passado que morreu.
É como estar esfomeado
A pensar no jantar que já comeu.

Nunca soube quem fosse o autor desta quadra. Sei é que ela nos define. Tal como esta outra:

"Paradas e procissões,
Vinho, foguetes e bola.
São estas as distrações
De um povo que pede esmola.

Também não sei o autor, mas que continua actual ao fim de mais de meio século.

Beijo

Laura disse...

Maria, apresento-te o zé do canito, tenho-o como um menino bonito, muito amigo dos eu amigo, cortês, educado, simpático, ah, um pedaço de rapaz, que ainda me falta conhecer, esteve para me ir visitar a Coimbra quando fiz o implante, mas, aminha amiga desistiu na hora e já não o conheci nesse dia, mas um dia destes, combina-se com o nosso Kim, eu meto-me no combóio, e ala que se faz tarde...
beijinhos e como vai o teu João'

Maria disse...

Laurinha:
Já há muito tempo que ando a cuscar o Zé do Cão. Farto-me de rir com as histórias dele. Escreve bem e conta histórias muito giras.
Fico sempre bem disposta quando as leio. Só é pena ele escrever tão espaçadamente.
O João já está melhor. Acho que eu é que sou uma exagerada. Como ele nunca está doente, se se queixa de qualquer coisa, entro em parafuso. Isto é mesmo paixão da brava, amiga. Não sei respirar sem o raio do homi. Deve ter-me feito algum feitiço.
Agora está na varanda a falar com o canito e não me passa cartão. Como também não estou com vontade de falar, até não me ralo. Hoje, quinta-feira, dia de "santa limpeza" e "santa empregada" que fala pelos cotovelos,adora-me e eu a ela, mas quando sai, ufa, que alívio. Coitada dela, é diabética, não faz nada do que o médico e eu dizemos e hoje estava mesmo em baixo.
Até mais logo, Flor de linho.
Beijinho

Laura disse...

Ai que bom que tens um homem a quem amas e a ti te ama, uau, acertaste na lotaria, euromilions, a raspadinha e tudo encaminhado plo mundo fora..És uma sortalhuda e calhar até sabes a sorte que tens ,calhar nem sabes, ehhhhhh. E com a tua idade a paixão ainda existe o amor também? deixa-me epeguntar, ou sou eu que estou errada e não sei amar, ou então explica-me como é...é que eu sinto que existe algo maior do que penso ou do que já tive, é isso, penso, e pensar nem resolve nada, mas, dá-me uma liçãozinha e a minha mente diz-me sempre que..ELE há-de aparecer, montado no seu cavalo branco (para os tempos de agora, pode muito bem ser uma Harley davidson!...) mas, deixemos o tempo correr, que ele tudo dá, tudo tira, tudo apaga, e tudo recomeça...
Beijinhos e fica bem..laura.

Maria disse...

Laura, minha querida:
Sim, no meio de todas as voltas da vida, saiu-me mesmo o Euro Milhões.
Já passaram 43 e se a paixão do príncipio já não tem o mesmo fogo, nem folego, ficou um amor muito grande, um respeito mútuo enorme e a necessidade constante da presença um do outro. Foi amor à primeira vista, casámos 5 meses depois e eu já estava grávida do mais velho. Depois, crescemos juntos como marido e mulher, como amantes, como pais. Comemos o pão que o diabo amassou, sempre a dividir por dois. É claro que por vezes há nuvens no céu, mas logo o sol volta a brilhar.
É tudo a meias: problemas, alegrias, dores, desgostos, sempre juntos, sempre unidos, para o bem e o mal. Para mim, isto é Amor. Não consigo imaginar a minha vida sem ele e acho que ele também não.
Olha nina. Cada pessoa tem uma ideia diferente do amor. A minha é esta e tenho sido muito feliz.
Quem me dera que todas fossem igualmente felizes, cada uma da sua maneira. Para mim, o amor não se pode ensinar, sente-se, reconhece-se e vive-se.
Quem sabe um dia o encontras, sem esperar?
Beijinhos e boa noite, minha flor de linho

Laura disse...

Pois, Maria, que bom que é assim..se há quem saiba o que é, eu nem aprendi da primeira vez que o amor não é qualquer coisa, o amor deve ser tudo na vida,seja entre homem, mulher, pais, filhos, esse eu tenho de sobra...e sei muito bem como é bom para os dois lados...
Mas, nem parece normal uma nina casada falar destas coisas, mas, é o que sinto e não sou capaz de ser falsa..tá dito...
Fico feliz por ti, por te sentires bem e amada, ao ladod e quem queres continuar a compartir a vida, eu, por causa disso, é que ando sempre como diz o Kim, Laurinha acima
laurinha abaixo, até lhe acho graça...

deixo-te beijinhos, o cházinho morno que o tmepo não o quer quente, e, amanhã saio cedo para Coimbra, visitar o Mosteiro de Santa Clara, Santa Clara que amava o S. Francisco, e ele a ela, mas, deus sabe deles...e adorei elr sobre siso, o amor não é mal visto por Deus, Deus quer casais juntos por amor, e não apenas por papeis ou compromissos assumidos, se não se respeitam, pois o respeito não é amor...
Depois conto como foi e tiro fotos..Dorme bem e até amanhã se Deus quiser..laura.

Laura disse...

Um bom dia só para ti, vou acabar de toma rpequeno almoço e me vou para a Excursão a Coimbra..hoje tenho folga e o pessoal que se arranje..beijinhos.

Maria disse...

Laurinha:
Antes de mais bom passeio.
Já estive em Assis, terra dos dois santinhos, Francisco e Clara. Tenho até as imagens deles que trouxe de lá. Quanto ao romance dos dois, pouco sei. Acho que eram almas gémeas e disso fizeram o seu amor. Deixaram o amor carnal de lado, deram-se a Deus e às suas criaturas. Sublimaram o amor, numa forma de amar mais despojada e espalharam-no por onde passaram.
Ele era de famílias ricas, deixou tudo para ajudar os homens e os animais. "O cântico das criaturas" que te envio, é sublime

CÂNTICO DAS CRIATURAS , de S. Francisco de Assis

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor
Teus são o Louvor, a Glória, a Honra e toda a Bênção.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol,

que clareia o dia e que, com a sua luz, nos ilumina. Ele é belo

e radiante, com grande esplendor; de Ti, Altíssimo, é a imagem.



Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas estrelas, que no céu formaste, claras.
preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor.
pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens, pelo sereno e por todo o tempo em que dás sustento
às Tuas criaturas.
Louvado sejas, meu Senhor,

pela irmã água, útil e humilde delieciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo, com o qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, vigoroso e forte.



Louvado sejas, meu Senhor,

pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa, produz frutos diversos, flores e ervas.



Louvado sejas, meu Senhor,

pelos que perdoam pelo Teu amor e suportam as enfermidades e tribulaçoes

Louvado sejas, meu Senhor,

pela nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode

escapar.



Louvai todos e bendizei o meu Senhor!

Dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade!

São Francisco de Assis

Tenho-o na mesa de cabeceira e digo-o muitas vezes.
Como vês a Maria também acredita em alguns anjos, que já foram homens.
Boa Viagem e diverte-te. O Convento é lindo e agora depois das obras, deve estar ainda melhor. Olha, foi aí ao lado, que mataram Inês de Castro.
Beijinho

O Bicho disse...

Bem! Passaram vinte minutos e ainda não consegui ler todos os comentários.
ESPANTOSO!
Poemas de improviso, poesia popular, poesia erudita, lições de História, da nossa rica História de Portugal e dos Portugueses e sei lá...
Não há dúvida, a Maria quando viaja não o faz só pela geografia, viaja também pela história, pela literatura, pelos costumes, enfim pela cultura.
Continua.

Maria disse...

Bicho:
Obrigada pelo teu comentário tão amigo.
Fazem-me falta os teus comentários.
Afinal, foste tu, em grande parte, o responsável por este cantinho. E nem sabes o bem que me tem feito.
Estou a fazer aquilo que sempre quis fazer: escrever. Falar das coisas que gosto. Também por isso obrigada.
Beijinhos para todos vós da sempre amiga

O Bicho disse...

Em poucas palavras, Maria, digo que «não fiz mais do que lançar a semente» à terra fértil dos teus conhecimentos. A tua cultura, a imaginação e a inspiração (e uma ajudinha do João) fizeram o resto - os frutos estão aí para a gente apreciar - em 121 post's na versão actual dos Alcatruzes.