sábado, 31 de outubro de 2009

Quentes e Boas, Frescas e Perfumadas


Lembrei-me hoje, que no dia um de Novembro, em casa dos meus pais se comiam as primeiras castanhas assadas, ou cozidas com erva doce. Era dia de Pão por Deus. A campainha da porta tocava o dia todo. Eram os meninos a pedir o Pão por Deus. Nós não sabíamos o que era “o dia das bruxas”, não gastávamos dinheiro em mascaradas, não éramos “civilizados”. Bastava-nos um saquitel de pano, ou um pequeno cesto e ala moços e moças que se faz tarde, lá íamos bater às portas amigas e conhecidas, levantar o nosso quinhão. Era marmelada, frutos secos, bolinhos, rebuçados e castanhas. Voltávamos à noitinha, cansados e contentes.
Os que nos batiam à porta, também iam bem servidos. Eram dias de festa, sem grandes gastos.
Mas falando em castanhas, as lembranças vão para Lisboa, para o Rossio, a Rua do Carmo, o Chiado. Nas nossas andanças por essas paragens, eu e a minha prima, a minha Margarida, habituámo-nos a sentir o cheiro da Lisboa Outonal. Cheirava a castanha assada e violetas, duas coisas que ambas adorávamos.
Três raminhos de violetas, um em cada casaco, o terceiro para levar à avózinha, uma dúzia de castanhas, embrulhadas em papel de jornal e, felizes como passarinhos livres, subíamos e descíamos o Chiado, empoleiradas em saltos de agulha, olhando as montras lindas e sonhando um dia, comprar aquelas roupas, as jóias, os perfumes. Eram tardes felizes. Quando conseguíamos ter algum dinheiro, entrávamos na Bénard ou na Versailles, pedíamos um chá e duas chávenas e uma torrada douradinha, que se derretia na boca. Esses, eram os dias de luxo. Os outros, os das castanhas, também eram bons. Cada uma pegava no cartucho à vez, para aquecermos as mãos mal protegidas pelas luvas. Ficávamos quentinhas, consoladas. O passeio acabava à noitinha, voltávamos a casa e a avózinha nem ralhava, porque lhe levávamos violetas, a sua flor querida.
Agora, as castanhas são poucas, caras, metidas em sacos de plástico e das violeteiras, nem sombra. Ficou tudo no passado. A avózinha, a minha Margarida, a juventude. Só ficaram alguns sonhos de que não abro mão. Quais? Não digo, são sonhos meus.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes.

55 comentários:

Anónimo disse...

Mãe

A tua neta andou a pedir doces ou travessuras ontem à noite,vestida de não sei o quê. Hoje fui deixá-la com amigos em Loulé. Foi também divertir-se, há festa com parada de horrores e tudo. Hoje há telemóveis e de 15 em 15 minutos tem q mandar msg a dizer que está bem. Mais tarde vou buscá-la. Não tenho amigos portanto estou na internet a ver se passa o tempo.
Beijinhos.
Mj

Laura disse...

Ah, que relato lindo dos dias Outonais da menina Maria, da mana e de levar castanhas á avózinha, mas que delicia...as violetas nem me lembro de as ver por aqui, já que abalei com 10 anos e so regressei há anos, lá fora havia, mas as nossas tradições, não, eram arremedos do nosso viver, sabes como é no estrangeiro..

Segredos da minha Maria, ora conta aqui à laurinha que ela jura a pés juntos que não fala nada de nada, juro, ora pois, como é que é?...beijinhos

Osvaldo disse...

Maria;

Sabes que Tabuaço, que fica numa encosta e delimita a fronteira do xisto e do granito, tem na vertente Sul (porque desce), porque na verdade é a Norte, as belas vinhas do Douro e na vertente Norte as Serras graníticas de Chavães, Arcos e Vale de Figueira em que a grande produção, sempre foi a castanha e em casa dos meus avós este alimento, tanto cru, como assado ou ralado em farinha com que se fazia pão caseiro era o fortificante do inverno. Ah,... sem esquecer a deliciosa sopa de castanhas com a qual nem precisavamos de "engolir" o sempre desagradável óleo de figado de bacalhau e com uma sopa dessas, não havia neve nem gêlo que metesse medo...
Ah,... depois das favas,... adoro castanhas.

Osvaldo disse...

Ah... desculpa, com o entusiasmo das castanhas, até esqueci das saudações de praxe para ti, para o João e para o teu mano.
bjs e abraços,
da Anita e Osvaldo

Je Vois la Vie en Vert disse...

Castanhas ? Será este fruto delicioso que comi ontém, assado no forno â (maneira do) Leo, e com ornamento de uma bela camada de manteiga (Ah, a taxa de colesterol que está perfeita nas minhas análises ??? :D
Será este fruto que apanhava no chão do grande jardim dos meus pais e que a minha mãe assava simplesmente ou juntava nos cozinhados ? mas tínhamos que ter cuidado para não confundir com a outra castanha - chamada da Índia - que é mais achatada, não tem aquela ponta em bico e é VENENO mas muito útil para colocar nos bolsos dos casacos para afastar as traças e, segundo o meu pai que comprovou, para aliviar ou suprimir as dores reumáticos (o meu pai com 91 anos não tem dores em lado nenhum !!!).

Sabiam ?????

Beijinhos

Maria disse...

Minha Filhota querida

Os divertimentos agora são outros. Tudo vem de fora. As nossas antigas tradições já só existem na memória de velhos como eu.
Em Tomar, no meu tempo, era tão simples andar na rua sem medos. As mães, mesmo sem telemóveis, sabiam sempre onde estávamos. As casas onde íamos, eram as mesmas, as ruas que corríamos também, as pessoas por quem passávamos, sabiam o nosso nome. Divertiamo-nos. Espero, que doutra forma, a minha neta se divirta tanto como eu me divertia.
Gosto muito de te ver por aqui. Fico sempre contente com os teus comntários. Hoje foi o "doce" do dia das bruxas.
Beijinhos para as duas da mãe e avó

Maria disse...

Minha querida Laura:

Não era a mana, era a prima. A minha maior amiga e confidente, que infelizmente já se foi.
Com a minha irmã, as recordações são mais do Porto, onde também havia castanhas e violetas. Muitas comprámos as duas, na Avenida dos Aliados. Só que as de Lisboa tinham outro perfume. Lá vem a "Moura", com a preferência por Lisboa. Lembro muito o Porto, mas nunca senti raízes lá, mesmo tendo lá vivido 13 anos e tendo dois filhos lá nascidos. Senti-me sempre forasteira, embora lá deixasse bons amigos. É muito escuro para mim. Só a parte velha, a Ribeira e o Douro me encantam.
Um dia falo do Porto, porque mesmo assim, amo-o. Não com a Paixão com que amo Tomar e Lisboa, Paris e Florença. É o lugar onde vivi a minha adolescência, marcada por doenças e desgostos, mas sinto ternura pelo Porto (cidade, não FCP).
Beijinhos

Maria disse...

Caros Anita e Osvaldo

Adoro castanhas assadas, em sopa, só não gosto muito delas cozidas.
Em puré, a acompanhar carne de porco, ou fritinhas, são um manjar.
Ai conseguiste livrar-te do raio do óleo? Eu não. Que horror! Porque não me deram castanhas, em vez de óleo?
O pão também deve ser bom.
Abraços e beijinhos dos dois para os dois.

Maria disse...

Querida Verdinha

O Leo é como eu. Manteiguinha, pois claro.
Sim, é essa mesma castanha, que agora se encontra congelada, pronta para os cozinhados da tua mãe. Já experimentei e, para cozinhar é boa. Para assar é melhor com casca.
As da Índia só servem para evitar a traça e, segundo parece, são mesmo venenosas.
Beijinhos

Zé do Cão disse...

Ai... Coisa tão boa ler este post.
Que recordações, Deus meu.

As castanhas, no Rossio e também no Terreiro do Paço, junto aos barcos pequenos, a Bénard na Rua Garret e as suas broas confecção da casa. A Versailles, na Avenida da Republica e atrevo-me a juntar a Ferrari, na rua Nova do Almada, mesmo ao lado da Casa Carrasco (fotografias) ambas desaparecidas com o incendio do Chiado.
Maria, fiquei de água na boca.

E com a sua licença, aqui vai em micro conto.(em exclusivo e dedicado)
O Zé foi com o seu papá a Lisboa.Atravessamos o rio no Barco vindo da terra dos burros (cacilhas),era assim que era conhecida e mal pus o pé em terra, disse ao meu pai que tinha fome.
O pai, comprou 2 duzias de castanhas, colocadas em cone, feito com folha da lista telefonica
e deu-mas à mão. Fiz cara de amuado e disse que tinha fome mas não era de castanhas. Entramos na rua da prata, e numa pastelaria, que já não existe, sentamo-nos e o
"papi" pedia um prato com bolos. Lembras-te, vinham um prato cheio de varios modelos, feitios e gostos. Era à escolha, podiamos apalpar. Enfiem, qual glutão 4, goela abaixo. Depois fui-me abaixo, desisti, não fui capaz de mais. Recebi um raspanete. «Tinhas tanta fome e só comes 4 bolos»
Sem palavras...mas era um querido para mim.
E à porta da Versailles, tive o inicio de encontro amoroso. Mas a "nina" era dona e senhora de um apêndice nasal, descomunal, que se os meus cálculos não erram, colocado entre o sol e a terra dava eclipse total.
E por culpa de um nariz enorme, O Zé, teve de procurar noutras paragens outro amor.

beijokitas.

Maria disse...

Zé do Cão, meu amigo

Obrigada pela história. Vou copiá-la e guardá-la no meu cantinho dos tesouros que recebo dos meus amigos.
Lisboa doutros tempos, a minha Lisboa, em que as meninas andavam de saias bem rodadas, ou saia travadinha, meias de risca, saltos altos, cabelos penteados!
Ai Zé, o tempo que nós levávamos a fazer a toilette para ir à Baixa, encantar os rapazinhos de fato e gravata, que puxavam o lustro às paredes, onde se encostavam para nos ver passar! O gozo que nos dava, vê-los vir atrás de nós, dizendo disparates (não ofensas), piropos inofensivos, sempre iguais, que nós adoravamos ouvir!
Lembraste e bem a Ferrari. Alguma vez lá comeste um bife da casa? Que maravilha! Era carne a sério, com um molho de natas delicioso.
Bolos de creme no prato, à escolha?
Cada vez tenho mais raiva à ASAE e a tanta esquesitice de agora.
Então a pombinha tinha o bico comprido demais? Só tu me farias rir, depois de ler o post de hoje da Soledade. Vai ver, Zé. Vale a pena. É só clicares no "jardim das urtigas", aqui no meu blog.
Vais ver que ainda há mulheres de fibra no nosso país.
Um beijinho e obrigada pela história.

Kim disse...

Talvez eu tenha passado muitas vezes pela Petite Marie, pois esse era o meu reduto, das 9 às 18 h, de segunda a sexta. O meu centro de gravidade era a Rua Duques de Bragança, mesmo em frente à Brasileira.
As castanhas eram o lenitivo de todos, ricos ou pobres, mas eu adorava devorar duas ou três romãs, duma só vez.
Às vezes - até as castanhas nos fazem lembrar que as nossa vidas se cruzaram algum dia.
Beijinhos para ti

Maria disse...

Kim, meu amigo

Quem sabe as voltas que o mundo dá!
Quem sabe, algum dia nos cruzámos nas ruas de Lisboa? Junto ao homem das castanhas, por aí.
Encontrámo-nos nos sonhos de Paris, que tu realizaste e eu não.
Só tarde, sem a minha companheira perdilecta, outra sonhadora a quem a vida robou todos os sonhos, eu vi a Paris, que ambas sonhámos nas ruas de Lisboa, na mansarda de casa dos meus pais, entre um cigarro, um disco de Brel ou Aznavour, numa língua que ambas falávamos e amávamos. Os nossos segredos de raparigas foram com ela e vivem fechados à chave comigo.
Romãs? Adoro romãs, sabes? Parece-me que estou a comer rubis.
Saudade, saudade, que me matas e me mantens viva.
Beijinhos Alain, da
Petite Marie

Maria disse...

Caros Anita e Osvaldo

Voltei para vos contar uma coisa.
Ia fazer carne de porco à Alentejana, para o almoço. Com a coversa das castanhas, lembrei-me de que tinha um pacote delas congeladas. Deu-me na cabeça misturá-las à receita original. Confesso que tive medo do resultado. Ficou bom. Agora o problema é dar nome ao prato. Carne de porco à Alentejana com castanhas? ou, Carne de porco à Duriense com castanhas?
Olha, ficou bom. Para que é que importaram as batatas da América? Eu nem gosto de batatas! Castanha ao poder, JÀ.
Beijinhos.

Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MJ disse...

Que lindas são as histórias que nos conta! Algumas trazem-me certas recordações do meu passado e enchem-me de emoção e nostalgia. Admiro-a como grande escritora e poetisa que é. Bem haja!

Corvo disse...

Hoje de manhã pensava: se alguma criança aqui vier pedir pelo "pão por Deus", pouco lhe teria para dar: de frutos secos, como manda a tradição, só tenho "muesli"; depois, tenho chocolate, pão, leite, maizena, etc..
Mas, nos tempos de hoje e em Lisboa, se alguma me viesse pedir o tal pão, seria uns cêntimos ou uns euritos. Pouco os tenho também, mas pela tradição, alguma coisa se arranjaria.
Aqui há dias, deu-me para lembrar que, pouco tempo antes do Dia de Todos os Santos, há, em Tomar, a Feira de Santa Iria, conhecida pelo comércio frutos secos.
Bem a calhar!

Beijos

Estrela d'Alva disse...

Olá Maria,

Que lindo relato do teu passado!
As castanhas? Como-as quentinhas, ainda enroladas em papel de jornal, na feira... depois, um pedacinho de polvo assado, que nunca esquecerei o cheiro! :)

Dia das bruxas? Não festejo, não lhe acho piada...

Beijinhos para ti, muitos,
Estrela d'Alva

Maria disse...

MJ
Obrigada pela opinião demasiado lisongeira que de mim faz.
Limito-me a contar coisas que vivi e me fizeram feliz ou infeliz, nada mais.
De qualquer modo, agradeço o seu simpático comentário.

Maria disse...

Meu Corvo:

Pensaste bem. Era na Feira das Passas, na quinta-feira anterior ao dia de Santa Iria, que a avó e todas as senhoras de Tomar se abasteciam, para o dia de hoje e o Natal.
Por sinal, as que eu mais gostava, as peras secas, que pareciam presuntos pequeninos, nunca mais as vi. Mas lembro-me do gosto, ainda.
Beijinhos
Mãe

Maria disse...

Estrelinha querida:

Já cá me estavas a fazer falta.
Come as castanhas quentinhas e manda um bocadinho de polvo, que eu adoro. Pouquinho, que o meu estômago não se dá lá muito bem com ele.
Beijinhos pequenina

Je Vois la Vie en Vert disse...

Querida Maria,

Sempre podes chamar a tua receita : "médaillons de porc Petite Marie".
O assado de porco, em França ou na Bélgica, é feito muitas vezes com castanhas porque gostamos de juntar um sabor adocicado às carnes brancas, seja maça, pêssegos, ananás ou bananas.
A seguir deixo uma receita :

Rôti de porc aux marrons

- 1 kg 500 de rôti de porc (6 pers.)
- 2 verre d'eau (ou de cidre)
- 40 g de beurre
- 2 oignons,
- 1 ou 2 boîte de marrons au naturel
ou châtaignes fraîches (ou surgelées)
- thym, laurier
- sel, poivre
-------------------------------

- Dans une cocotte, faire chauffer le beurre, et y faire dorer le rôti.

- Eplucher les oignons. Les découper en fines lamelles, les mettre dans la cocotte avec le thym, le laurier, les verres d'eau, puis saler et poivrer. Couvrir et laisser cuire à feu doux pendant 1 heure 30. Retourner le rôti en cours de cuisson et rajouter de l'eau ou du cidre si nécessaire.

- Egoutter les marrons, et les ajouter à la viande. Si vous n'accompagnez pas votre rôti avec un autre légume, ajoutez 2 boîtes de marrons.

- Laisser encore cuire à feu doux pendant 10 minutes. Maintenir au chaud jusqu'au moment de servir après avoir découpé le rôti en tranches et l'avoir disposé sur un plat de service entouré des marrons et nappé de sauce.

- Servir l'excédent de sauce en saucière.

Pour un plat festif : juste avant de servir récupérez votre sauce, ajoutez 4 cuillères à soupe de crème fraîche épaisse, réchauffez 1 mn à feu doux, versez en saucière et parsemez de brisures de truffe. Ou bien préparez une garniture forestière avec quelques cèpes ou girolles selon recette pour accompagner votre plat (sans pommes de terre puisqu'il y a les marrons)



Bom Apetite !

Beijinhos
Verdinha

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Petitá

Em Portalegre, na rua da Infantaria 22, (one viviam os meus avós maternos), lá no cimo, havia uma senhora Lucida que tinha uma banca de castanhas. Mais preciamente, um banco. Para ela se sentar junto ao assador de barro plantado em cima de um fogão negro - por ser de ferro fundido e do fumo.

A senhora Lucina (sem d) era viuva também de negro e usava sempre o mesmo casacão castanho escuro e uma manta de quadrados azuis e pretos. Assim imbiocada, assava e vendia castanhas.

Por mais castanhas assadas, cozidas, cruas ou piladas - pilo-me, digo, pelo-me por elas - que coma desbragadamente, associo-as todas as vezes que o faço à senhora Lucina. Só conheci mais uma Lucina, a que nos ajudou a criar os três filhos.

E agora, Mariamiga, para alem de me fazeres recordar a cidade do Régio, obrigas-me a citar o Vicente da Câmara, com Dom:

«Da violeteira já ninguém hoje tem esperanças,
Deixou saudades, foi-se embora e à tardinha
Está o Chiado carregado de mil tranças
Mas tranças pretas ninguém tem como ela as tinha».

És lixada, querida Amiga. Lixadinha da Silva y dos Alcatruzes

Os três abs e para tu qjs & saudades

Maria disse...

Verdinha cherie

Je te remercie la recette que tu m’as envoyée. Je vais l’essayer, quelque jour. J’aime aussi les saveurs un peux doux de la fruit, avec de la viande de porc ou d’oiseaux.
Excuse-moi quelque erreur.
Merci m’amie e un gros bisou pour toi.

Maria disse...

Henriquamigo:

A Maria acorda as lembranças boas da infância, se calhar porque no fundo, continua a mesma miúda de bibe e tranças, que pedia o pão por Deus em Tomar e, a adolescente engraçadinha e vaidosa, que gostava de fazer virar a cabeça aos rapazinhos. Vivem dentro de mim tantas Marias diferentes, meu amigo. A menina, a mocinha, a mulher mãe e avó, a Maria alegre e a Maria triste. Tantas Marias, que nem eu as conheço todas. Por vezes, encontro uma, esquecida há muito tempo, que chega ao pé de mim e diz: Não te lembras de mim? E é mais uma a usar os dois únicos neurónios da minha cabeça.
Coitado do meu marido, tu tens razão. Viver com tantas Marias, deve ser díficil. Eu que o diga! As tipas não me largam. Ainda por cima, há algumas que fumam e me abafam os Gauloises, que estão pela hora da morte. Eu bem as mando comprar os cigarros delas, mais baratos. A que andava pelo Chiado no tempo das violetas, até fumava cigarros de onça que roubava ao pai. Agora arma em fina e eu é que pago os cigarros que elas fumam. Porque eu, amigo, eu, só fumo um ou dois. O resto são elas, as malvadas.
E depois deste testamento, vou dar de comer ao João. Elas, bebem chá verde e brioches, porque eu não tenho pão.
Abraços, beijinhos e queijinhos, como de costume.

Je Vois la Vie en Vert disse...

Querida Maria,

Se eu ainda cá estiver neste dia, canto para ti "La Bohème" e tenho a certeza que o Kim cantará a canção preferida dele !
Agora não percebi porque queres levar este material todo contigo se vai ser desfeito pela chama....
Obrigada pela informação de Almada !

Beijocas

Maria disse...

Verdinha querida:

Tens toda a razão. Mas como diria Mário Sá Carneiro num belo poema, "A um morto nada se recusa", quero as minhas coisinhas comigo.
Beijinhos

Je Vois la Vie en Vert disse...

Querida Maria,

Como não gosto muito de cozinhar, quer dizer, não gosto da cozinha de todos os dias, do trabalho antes e depois mas quando se trata de festas, até gostei....
Mas posso ir à tua casa aprovar ou não os temperos. LOL

Desculpar os teus erros ? e os meus então ? Se eu ligasse, ficava muda e não escrevia nada...

Os teus erros são "tipicamente portugueses"... e os meus devem ser "tipicamente franceses" !

Se quiseres que corrija, dizes-me e posso fazê-lo com muito gosto, sabes é a minha mania de professora...
No outro dia, fartei-me de rir com as meus alunos (seniors) porque decidi dar-lhes um dictado e mesmo falando devagar (e até às vezes traduzia em português no entanto, o texto era muito simples e referentes a um texto visto na aula) alguns não percebiam patavina... Estivemos todos a rir e como me diziam que estavam com dificuldade, eu disse a rir : vou escrever o texto no quadro depois para não ficarem com vergonha dos erros ! Dá-me trabalho dar as aulas mas gosto.

Beijocas

Verdinha

Maria disse...

Minha Verdinha

É claro que quero que me corrijas.
Tu és professora, eu gosto de aprender.
Obrigada e um beijinho

Kim disse...

Petite!
A Verdinha não está bem a ver o problema de se dar um nome francês a um prato alentejano, mas o que conta é a intenção.
Cá por mim chamava-lhe
CARNI ALANTEJANA C'UM CASTANHAS.
Sabendo que no Alentejo predomina o porco, como alimento, será fácil deduzir que é de carne de porco que se fala.
Bj

Maria disse...

Kim

Boa ideia, amigo.
Acho que vou adoptá-la.
Mas olha que ficou mesmo bom! Cá o parão adorou. Eu, comi pouquinho, mas soube-me bem.
Entre mim e a comida é um problema muito estranho. Adoro cozinhar e parece que o faço bem. Gosto do cheiro da comida, mas ao fim de duas ou três garfadas, fico farta.
O meu neto diz que eu sou um passarinho. Coitado do meu pai, era capaz de correr o Porto de lés a lés, para me satisfazer um capricho e, no fim, ficava tudo no prato.
O dinheiro que poupo em comida, vai para os Gauloises.
Beijinhos

Laura disse...

Olhem-me esta Maria, poupa prós Gauloises! Onde já se viu...Maria,e ssa cebça precisa de farelo pá mioleira não de tóxicos para os pulmões, ai a menina..Beijinhos, e, já melhorei, a ver vamos a continuação..laura

Maria disse...

Laurinha querida:

Já estás melhor mesmo? Tem cuidado contigo, nina.
Não te preocupes com os Gauloises.
Tento fumar pouco.
Ontem e hoje é que me tenho alargado, porque estou com os nervos feitos numa bola. Amanhã por esta hora, se tudo correr bem com o meu mano, começo a fumar menos.
Hoje vou cedo para a caminha, pois amanhã tenho de o ir buscar para levar ao hospital. Não te esqueças de falar aos teus anjinhos.
Beijinhos

Je Vois la Vie en Vert disse...

Tudo vai correr bem , minha querida !

E eu vou estar a fazer mais ou menos a mesma coisa do que tu : amanhã à noite, levo o meu marido ao hospital e na 4ªFeira será operado.
Não estranha o meu silêncio, está bem ?

Beijinhos

verdinha

xistosa - (josé torres) disse...

"Na violeteira hoje já ninguém tem esperança.
Deixou saudades foi-se embora e à tardinha..."
cheira a castanhas assadas, embrulhadas em jornal ou nas folhas da lista telefónica.
Talvez se abatam todos os castanheiros e sejam substituídos por aboboreiras para se comemorar condignamente a festa pagã anglo-saxónica do hallowen.
Que raio de nome e ainda por cima em inglês.
Só importamos "porcarias" que nos aliviam de mais uns euros dos depauperados bolsos.
Somos pequenos em tudo e na mentalidade ... bem ...
Sei da tradição do "pão por deus", mas nunca a vivi.
Vivi a meninice em Castelo Branco e as tradições eram um pouco diferentes.
Andar de casa em casa só nos "reis" para cantar as janeiras.
Castelo Branco era uma zona muitíssima "agarrada".
Davam um chouriço por troca de um porco.
Por falar em castanhas assadas, as melhores que comi foi o ano passado em Manchester.
Quase por esta altura.
Deliciosas ... deliciosas.
Uma máquina de comboio, (a fingir) pintada com cores berrantes, (vermelho e preto), lançava no ar a "queima do carvão para puxar o comboio", quero dizer, o carvão para assar as ditas cujas..
O fumo e o cheiro atraía os clientes.
Só por curiosidade aproximei-me e verifiquei que 12 castanhas assadas eram 5 libras (cerca de 6,5 €)
Mas a surpresa foi ... o vendedor era de uma aldeola perto de Castelo Branco (agora passou-se-me o nome!)
O meu inglês já passou à história e ele apercebeu-se que de inglês eu não tinha nada.
Perguntou-me de onde era e ... trouxe uma dúzia de castanhas por 2,75 € (mesmo assim um roubo ou rombo) porque era o trocado que tinha na altura.
Lembrei-me da aldeia. Serzedas.

Já agora obrigado pela visita, ficou para o fim propositadamente, é que não a convidei e apareceu sem contar rsss, rsss, rsss
(não leve a mal que é mesmo assim o "bicho".
Para aqui chegar tive que pedir auxílio à amiga Laura, porque não conseguia descobrir o caminho.
Agora está bem, quando termina em bem.
Uma boa semana.

xistosa - (josé torres) disse...

Ao ler os comentários não posso deixar de dizer isto.
As melhores violetas eram vendidas à porta da Igreja dos Congregados.
As melhores castanhas assadas, na Pr. da Batalha, ou melhor no início de Santo Ildefonso, junto à Igreja de Sto. Ildefonso.
As melhores, cozidas, eram ao cimo da Rua Passos Manuel, já quase em pleno Largo dos Poveiros.
(Só um àparte. Tem bom gosto não gostar do FCP), eh!eh!eh!

Laura disse...

Ah, Xistosa, se já deste com o caminho, pronto...ora vamos lá a comer castanahs assadas, a cheirar por ali fora, raramente compro, mas não morro por elas, só me lembro do tempo em que ia para a escola, no Entroncamento e ia plo caminho a descascá-las, sabiam bem,...
Aqui de nada me lembro, saimos de Lisboa tinha eu 4 anitos, e aos 4,5,6,,7, vivi em Vila Verde Da raia, aos 8, 9, Entroncamento e de lá abalamos para luanda e ali não se fazia disso...

Maria, claro que peço, agorinha mesmo, é que os Anjos são amigos e ajudam, ajudam sempre, mormente que a vida tenha de ser assim ou assado...
Dorme bem,espero que já ressones gauloises...ehh e que tudo corra pelo melhor com o teu maninho querido, eu sei o amor que sentes por ele, eu também sinto o mesmo pelo meu querido Dérito, embora ele já cá não esteja, o amor, continua...
Beijinhos e sorri, sorrir faz bem...laura

Laura disse...

Maria, Maria, ando tão apressada que nem me lembrei de te dizer que ontemr ecebi um email de sonho, de alegria e paz, e, de alguém que tu conheces muito bem, ah, nem digo o nome, nem é preciso, amei, adorei, fiquei feliz...Beijinhos meus e que o dia corra pelo melhor...laura

Maria disse...

Verdinha, minha querida:

Tudo correu bem. Ficou internado até amanhã, por precaução. Amanhã se tudo correr bem como previsto, irá para casa. Agora ainda há um longo caminho a percorrer, mas o pior parece ter passado.
Já tinha percebido que havia qualquer coisa com o teu marido. Deus queira que não seja nada grave e, tudo se resolva breve.
Querida, tudo vai correr bem com ele, como correu com o meu irmão hoje.
Fico a rezar por ele e por ti.
Beijinhos amiga e muita coragem.
Beijinho ao Leo e desejo que tudo seja rápido e pouco doloroso.

Maria disse...

Xistosa:
É verdade. As violetas da porta dos Congregados eram especiais. Tinham um cheirinho mais intenso. E então quando eram oferecidas por algum rapazinho, ainda eram melhores.
Quanto às castanhas, gosto muito delas assadas. Cozidas, são como o FCP, passo.
Obrigada pelos seus simpáticos comentários. Volte sempre que queira.

Laura disse...

Que sortalhuda eras, Maria, os ninos ofereceiam-te violetas? Olha que nem me lmebro disso, mas, acredito que não...
Hoje já podes dormir mlehor, o mano ficou bem e, amanhã será outro dia, beijinhos e dorme bem..laura

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Petitá

Venho hoje só para te dizer que as novas novas que nos dás sobre o nosso Appio são excelentes. Vai tudo continuar a correr bem - e um dia destes é ele que está a correr. Mas pouco, que a pdi é tramada...

Os abs do costume e os qjs... no sítio do costume

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

... e um outro desejo à Verdinha: vai tudo correr pelo melhor com o teu marido. Estou a fazer força por ele - e por ti. Depois da bonança - diz coisas

Des petits fromages

Laura disse...

Bom dia minha querida Maria um acordar sereno
um belo dia com o sol a espreitar
e, mesmo que a chuva caia
Será para teus pensamentos refrescar
Porque a vida é assim
E há que a saber levar!...

Beijinhos, serenidade nesse coração, e, e que mais? mais paz, muita paz...Envolvo-te no meu abraço demorado, carregado de forças energias, que, acredita, poderia dizer que nem sei onde as vou buscar, mas sim, sei, vou buscá-las Áquele que tudo pode e tudo vê!...
Laura, e, vai um cházito a duas, no encosto do sofá, e vamos ao Kim buscar uma natinha das do J.C. já que ontem houve para lá dúzias delas!...

Anónimo disse...

Canção do Dia de Sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana


Saudades
Nemy

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Petitá

Bom dia. Como vão as coisas? Oxalá esteja a correr tudo pelo melhor. Vai ser assm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Abs - em especial um para o mano - e bjs para tu. E, coração ao alto.

Maria disse...

Meus amigos:
O meu irmão já está em casa. Tudo correu bem, mas o caminho ainda vai ser longo. Está mmuito débil e agora depois de dois dia sem comer, mais uma interveção, mais uma anestesia e uma noite de hospital, estava bastante em baixo.
Já ficou deitadinho a desacansar e agora é esperar que o tempo, a natureza, os médicos e ele, façam o resto.
A todos agradeço toda a ternura de que me rodearam. Foi muito bom para mim.
Quem souber notícias do Leo da nosssa Verdinha, dia logo.
Quero que ela sinta que lhe retribuo toda a ajuda nestes dias maus. Estou aqui para tudo, minha Verdinha e todos os que, por azar, tiverem porblemas.
Beijinhos a todos

Laura disse...

Olá Maria, o tempo ajudará tudo a voltar ao lugar, e, em breve estará tudo como dantes, em Abrantes, espero bem que sim e que a alegria volte ao teu olhar...Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe...Um beijinho e um abraço, da, laura

Je Vois la Vie en Vert disse...

Olá querida Maria,

Fiquei contente por saber que o teu irmão já está em casa.
O meu marido também já foi operado. Correu bem. Não é nada de grave. Tratou-se da colocação de uma prótese na anca. Ele é um atleta e estava bem preparado. Não impede que a recuperação vai ser doloroso e um pouco demorada.
Vou continuar um pouco fora da blogosfera não só para lhe dar apoio como para tentar recuperar porque para mim foi um grande abalo :4 horas de espera sem informação nenhuma dá cabo de uma pessoa sensível como eu. Não sou uma guerreira como a Soledade, sou mesmo muito fraquinha mesmo sendo altinha...

Não deixarei de estar em pensamento convosco.

Beijinhos

Verdinha

Laura disse...

Tadinha da nossa Verdinha, só 4 horas sem noticias, os meus só à noitinha e fui operada pelas 8,30, 9 da matina, ah, e a Neide em Paris, mas, já lá vai...
Beijinhos às duas e força nessas mentes pensando sempre no melhor..laura

Laura disse...

Reparo à verdinha; quando disse só 4 horas, não estava a gozar, é uma forma de falar..
Beijinhos e um dia melhor que o de ontem, para as duas. laura

Maria disse...

Querida Laurinha:
As noicias são boas. O rapaz já comeu uma papa Maizena com gema de ovo. Ficou lá tudo. Já se quis levantar para almoçar e está bem disposto. Vamos a ver se é desta.
Beijinhos, minha Flor de linho.
Obrigada pelo teu cuidado.

Maria disse...

Henriquamigo:
Mandei-te um Imilio, ontem ou ante ontem. As notícias de hoje são animadoras. Já comeu uma papa que ficou onde devia, já se quis levantar para comer e está a fazer Sudoku. Vamos a ver se é desta.
Abraços, beijinhos e queijinhos.
Ele mandou-te um abraço e agradeceu o teu interesse.

Maria disse...

Minha Verdinha querida:

Espero que tudo continue a correr bem com o Leo. Deve ter sido horrível, estares sem notícias tanto tempo. Já passou. Vais ver que ele num instante se pôe bom.
Hoje estou mandriona para escrever.
A verdade é que só tenho vontade de dormir e não sonhar parvoíces.
Beijinhos querida e as melhoras do Leo

Anónimo disse...

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