quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Os meus vizinhos



Quando mudámos para o então “Bairro Novo”, junto ao edifício do “Colégio Nun’Álvares”, já lá existiam várias moradias. Uma delas, pertencia ao Dr. Fernando (Nini) Ferreira e sua esposa, a Senhora Dona Irene.
A casa era grande, com um belo quintal, onde cheirava a relva, rosas e outras flores. Tinha um belo canil, onde morava a Diana e o seu companheiro, do qual não me lembro o nome. Eram ambos muito bonitos e bem tratados. Tinham água corrente, porque segundo o Dr. me explicou, os cães não devem beber águas paradas.
Às vezes, chamavam-nos lá para casa. A Senhora, era doce, como eram doces os seus bolos e compotas. Ele, mais sisudo, dava-nos pouca conversa. Mas, ao ver a minha adoração pelos cães, fez uma ligeira concessão e, por vezes, lá falava comigo. Um dia, andavam a fazer os açudes, portanto seria Maio, perguntei-lhe como eram feitos. Havia no quintal, um pequeno canal que, levava a água aos cães.
Ele, mandou-me apanhar tronquinhos, pequenos ramos, areia e, logo me construiu um mini açude, em diagonal, com vara real e o resto.
Mais tarde, descobri no seu livro “O Rio, os Açudes e as Rodas”, toda a história, que naquele dia, há tantos anos, ele me ensinara.
A Senhora D. Irene, chamou para lanchar. Pouco depois, ele voltou com um belo e enorme livro. Chegou ao pé de mim e, perguntou: sabes que, há uns animais que também fazem açudes? Não, eu não sabia. Então, cheio de paciência, explicou-me que, noutros países, havia um animal, chamado castor, que os fazia, usando praticamente a mesma técnica. Nunca mais me esqueci. Nem da lição, nem dele, nem da sua doce esposa.
Queria falar de Fernando Ferreira. Mal o conheci, por isso deixo a outros esse trabalho.
Eu falei dos meus vizinhos. Uns vizinhos especiais.
Perdoem-me os dois a ousadia. Foi mais uma recordação feliz, do tempo em que eu era uma menina feliz.
Até um dia destes.

5 comentários:

Kim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kim disse...

Era assim que o castor construía o seu lar. Foi assim a tua descoberta. Resta-te a lembrança de quem te instruiu para os açudes da vida, onde as águas estagnadas cosnpurcam as almas.
As coisa que a gente aprende, Petite Marie!

Anónimo disse...

É verdade, Kim. Este homem que foi grande em Tomar, não se importava de dar lições, a uma Petite Marie, curiosa e interessada. Conhecia e estudava a sua terra e, ensinava miúdos e graúdos, com a maior simplicidade.
Morreu há 10 anos. Deixou obra escrita, em livros e jornais.
Está agora na Câmara de Tomar, uma exposição homenagem que, eu não quero perder.
Maria

Luís Ribeiro disse...

Olá Maria!

Finalmente tive oportunidade de me deslocar à biblioteca para ver como estava a decorrer a homenagem a este grande Homem.
A exposição está bastante simples (penso que ao gosto de Nini Ferreira), mas muito bonita e nostálgica, dando vontade de pegar em todos os documentos e lê-los sem parar.
Gostei muito e brevemente irei falar desta homenagem no blogue.

Até breve Maria!

Anónimo disse...

Olá Luís!
Ainda bem que gostou da exposição. Sim. Era assim, simples, que o Dr. a queria. Simples, como "As coisas simples da terra Tomarense", que ele tão bem contou e, eu não me canso de ler. Espero, até ao fim do mês, conseguir ir vê-la.
Fale dele, no seu blog. Ele merece tudo.
Conheci-o pouco. Era muito garota, quando deixei Tomar. Mas, mesmo assim, dêvo-lhe essa lição, que conto.
Hoje, ao ver a foto da Senhora Dona Irene, no "Templário" deitei umas lagrimitas. Velhinha, mas ainda bela e doce.
Maria